ATRAÇÕES TURÍSTICAS


OS JAPONESES EM PROMISSÃO
Dia 18/06/2008 comemoramos o centenário da imigração japonesa no Brasil, tempo em que tivemos o prazer de conviver com a simpatia e determinação desse povo, que contribuiu para a riqueza e crescimento cultural do país, pois trouxe consigo sua tradição, suas técnicas e, principalmente, seus sonhos. Foi à herança cultural japonesa, adaptada as condições brasileiras, a principal responsável pela projeção alcançada pelos japoneses no Brasil. Mesmo aqueles imigrantes mais simples, que vieram trabalhar nas lavouras do interior, sempre deram importância à educação dos filhos, que souberam aproveitar as oportunidades surgidas e conseguiram destaque na sociedade brasileira. Depois de tantos anos vivendo no Brasil e de se integrarem à sociedade, dadas as circunstâncias vividas pelo país, passamos a notar um movimento no sentido inverso daquele feito pelos japoneses, que para cá vieram no século passado. Os decasséguis brasileiros passaram a ir ao Japão para trabalhar, a maioria com o objetivo de voltar ao Brasil com dinheiro suficiente para a compra de uma casa e, se possível, abrir um negócio seu.
Brasil e Japão, considerando a importância que o intercâmbio humano desses brasileiros representa, têm somado esforços para solucionar os vários problemas que esses cidadãos enfrentam lá. O fortalecimento das tradicionais relações de amizade entre brasileiros e japoneses, baseada na confiança e no conhecimento mútuo, ficou evidenciado quando, em junho de 2008, o príncipe japonês esteve visitando-nos e participando dos festejos em comemoração ao centenário da imigração japonesa no Brasil.

TEIJIRO SUZUKI - O PIONEIRO
Em 1906, com 27 anos, solteiro, munido do passaporte de entrada no Chile, partiu do porto de Yokohama (Japão), passou pelo porto de Callao, no Peru, onde encontrou MizunoRyu que vinha ao Brasil manter contatos, com vistas à efetivação de contrato para a imigração japonesa. Estava entusiasmado com as informações constantes do relatório do Cônsul Suguimura, que se achava no Brasil, naquela época.
Então Mizuno convidou Suzuki a acompanha-lo e assim, a bordo do Loide Brasileiro que partiu do porto de Buenos Aires, chegaram ao Rio de Janeiro, em abril de 1906. Suzuki se fez companheiro de viagem não só de Mizuno como também de SakuMiura, encarregado do serviço de intérprete às inspeções das fazendas de café no Estado de São Paulo e que agrupamos em 3 estações:
1 - Estação Santa Virgínia – Estrada de Ferro Mogiana – Família Prado.
2 - Estação Tibiriçá – Fazenda Dumont – Firmino Pinto.
- Fazenda São Martinho – Altino Prado Jr.
3 -Estação Visconde do Pinhal – Fazenda Palmital – Dr. Moraes Barros.
Era Governador do Estado o Dr. Jorge Tibiriçá secretário da Agricultura – Dr. Carlos Botelho responsável pelo contrato – Dr. Bento Bueno Guia – corretor oficial do Posto de Recolhimento dos Imigrantes – Sr. Herculano. MizuoRyu e Miura transferiram-se para Petrópolis e Teijiro Suzuki passou a trabalhar na Fazenda Tibiriçá constituindo-se “Símbolo do Imigrante Japonês”.
No dia 06/11/1907 firmou-se contrato para início da imigração japonesa – entre o governo de São Paulo e MizunoRyu – e, a 25/02/1908 a Companhia de Imigração “Kôkoku”, de MizunoRyu (com licença do Ministério das Relações Exteriores do Japão), abre inscrição para imigrantes.
O senhor Teijiro Suzuki tornou-se Secretário do “Posto de Recolhimento dos Imigrantes”, trabalhando no serviço de preparação para admissão dos imigrantes japoneses no Brasil. No dia 09/05/1908 partem os intérpretes da Companhia de Imigração “Kôkoku”: TakashiNihei, UnpeiHirano, Masashi Mine, Motonao Ono e Yumosuku Kato. Chegam à Santos no dia 18/06/1908, e dali saem para o “Posto de Recolhimento de Imigrantes”, em São Paulo.
O primeiro contingente constituía-se de 781 pessoas. A bordo do “KasatoMaru” e mais: MizunoRyu e o Dr. ShuheiUetsuka (representante do Brasil da mesma Companhia). Os cinco intérpretes e Suzuki distribuíram os imigrantes em 6 fazendas, tendo Suzuki conduzido 20 delas (140 pessoas) para a Fazenda São Martinho.
Em fevereiro de 1909, dada à falência da Companhia de Imigração, MizunoRyu regressa ao Japão. O Dr. ShuheiUetsuka, ante as responsabilidades (na qualidade de representante), dedicou esforços no sentido de contornar os problemas decorrentes de revoltas, como também, da própria subsistência dos imigrantes. Estando no Japão, por iniciativa própria, MizunoRyu fundou a “Companhia Takemura de Imigração” e promoveu em:
1910 – o segundo contingente imigratório (247 famílias – 909 pessoas) navio “RyojunMaru” – que aporta em Santos, distribuindo-se para 17 fazendas.
1912 – terceiro contingente.
1913 – quarto contingente.
Em novembro de 1913, o Dr. ShuheiUetsuka regressa temporariamente ao Japão, substituindo-o em suas funções, Teijiro Suzuki. O sexto grupo imigratório chegou ao Brasil em maio de 1914, e, em agosto deste mesmo ano, com o início da Primeira Grande Guerra, são suspensos os movimentos imigratórios, só reiniciados em 1917 através da “Cooperativa de Imigração do Brasil”.
Em 1918 colaborou Suzuki na instalação do 1º núcleo de colonização japonesa em “Itacolomy” (Promissão) e também ajudou a instalar o Bairro Córrego Azul. Para sentir o que o imigrante japonês suportaria em suas novas funções, ele mesmo submeteu-se ao trabalho do campo, que era árduo. Casou-se no Brasil com uma japonesa vinda do Japão e com ela teve 6 filhos. Em Promissão formou uma fazenda com 230 alqueires de terra, com um milhão de pés de café e pastagens. Perdeu tudo devido ao vício do jogo e retornando a São Paulo, voltou a ser intérprete e professor. Nessa época escreveu e publicou vários livros (era formado em Letras pela Universidade de Waseda), vindo a falecer em 1970, aos 91 anos de idade.

DR. SHUHEI UETSUKA - O PAI DA IMIGRAÇÃO JAPONESA
Filho de Shunzo e MikiUetsuka nasceu na província de Kumamoto, em 1876, bacharelando-se em direito pela Faculdade Imperial de Tóquio, em 1907.Chegou ao Brasil, como já nos referimos anteriormente, no dia 28/04/1908 a bordo do histórico navio “KasatoMaru”, desembarcando no porto de Santos no dia 18/06/1908. Soube vencer todas as dificuldades, com muitos sacrifícios, apesar da diversidade de raça, de costumes, de religião e língua. Em 1918 Dr. Shuhei Uetsuka adquiriu as matas virgens de Hector Legru (Promissão), instalando o primeiro núcleo de colonização japonesa, onde construiu escolas, contratou médico, abriu estradas, fundou associações.
Houve período em que cerca de 1400 famílias de japoneses dedicaram-se ao trabalho do desbravamento de nossa terra. Com poucos recursos materiais, ele dedicou 60 anos de trabalho ininterrupto à nossa comunidade, zelando pela segurança dos moradores e prestando auxílio aos menos favorecidos, pois tinha como meta principal a edificação de povoação exemplar.
Desse trabalho resultou a Colônia Itacolomy, formada pelos Bairros: Gonzaga, Barra Mansa e, posteriormente, Biriguizinho. Depois em trabalho conjunto de Teijiro Suzuki, SasaichiMasaki e Tomejiro Sakamoto, o Bairro do Córrego Azul porMyiamoto, Patinhos, por SasaichiMasaki, Barra Mansa, Barreiro, Antinha e Borá, e por MasatoFujii, Assaí.
Faleceu a 06/07/1935, sendo seu corpo sepultado no Cemitério Municipal de Promissão. Graças à insistência de Francisco H. Yda, antes de falecer, tornou-se cristão, recebendo o sacramento do batismo, na Santa Casa de Lins.

AS PRIMEIRAS FAMÍLIAS AQUI INSTALADAS
No atual Bairro Bom Sucesso: Tsuzuki, Orita, Kussano, Shibao, Nishikawa, Kimoto e Okuda
- No Bairro dos Patos: Miura e Anzai.
- Cabeceira dos Patos: Goto.
Destacaram-se no comércio de nossa cidade, entre outros: Francisco H. Yda,Tikazo Hirata, Sassaichi Masaki, Yoshio Tuchia, Massamori Nashiro, Kamizako Maeda, Singiro Hino e Iwaki.

ALGUNS PIONEIROS E SUAS CONDECORAÇÕES
- RyokoYassunaga: chegou a Promissão no dia 15/08/1918, tendo se estabelecido no Núcleo de Colonização Japonesa, fundado pelo Dr. ShuheiUetsuka, o “Pai da Imigração Japonesa no Brasil”, no atual Bairro Bom Sucesso, onde permaneceu até sua morte. Recebeu do governo japonês a Comenda de 6º Grau da Ordem do Sagrado Tesouro (29/04/1978). Outras honrarias recebidas: Medalha Marechal Cândido da Silva Rondon, conferida pela Sociedade Geográfica Brasileira – (09/09/1965) Medalha José Bonifácio de Andrada e Silva, conferida pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Medalhística da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (29/09/1968) Medalha de Honra ao Mérito, conferida pelo Governo da Provincia de Kumamoto – (05/08/1966) Cidadão Promissense, pela Câmara Municipal de Promissão (31/08/1968).
- HakuoYassunaga: (filho de Ryoko) em homenagem póstuma, recebeu a medalha “Ordem do Tesouro Sagrado”, em 5º Grau, por serviços prestados à coletividade. A cerimônia foi realizada no Consulado Geral do Japão, em São Paulo, onde o filho primogênito do homenageado recebeu do Consul Sumi Ono a medalha e o diploma, (08/07/1986). Hakuo era sócio honorário da Sociedade Brasileira de Heráldica e Medalhística do Estado e dela recebeu a Cruz do Mérito Cívico e Cultural, (05/08/1975). Recebeu também a Comenda do Ipiranga, do Governador do Estado de São Paulo, (25/10/1982).
- YukioMasaki: recebeu a Comenda de 5º Grau da Ordem do Sagrado Tesouro, outorgada pelo Imperador do Japão dentro das comemorações do 61º aniversário da colonização japonesa em Promissão, aonde chegou no dia 12/11/1914, para trabalhar na fazenda do seu tio, SasaichiMasaki. Dedicou-se depois ao comércio e, por diversas vezes exerceu o cargo de Presidente da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Promissão. Depois de tudo o que foi apresentado acima, podemos afirmarque foi vantajosa para os dois povos, a colonização japonesa em Promissão. Para os japoneses, a busca vitoriosa por uma vida melhor, iniciada em 18/06/1908, com a chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil, e especificamente em 1918, em Promissão. Apesar das dificuldades enfrentadas inicialmente por eles, hoje seus descendente estão totalmente adaptados, integrados a esta terra que no passado seus pais escolheram para viver. Para os promissense, o desbravamento de suas matas, o consequente aparecimento de vários bairros, a formação de lavouras produtivas e, principalmente, o convívio pacífico, agradável e proveitoso com todos os membros de sua comunidade.

OS FESTEJOS DO CENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO
No dia 13/10/2005, esteve em visita ao prefeito de Promissão, Geraldo Chaves Barbosa, uma grande comitiva, constituída de personalidades japonesas da cidade natal do Dr. Shuhei Uetsuka e de representantes da colônia de São Paulo e de Promissão, com a finalidade de se formar uma “Comissão de Festejos” pra o centenário da imigração japonesa para o Brasil.
O Dr. Luiz Yassunaga, que acompanhava os visitantes, serviu de intérprete e, o Dr. Ivo Grama, foi escolhido para presidir a referida comissão. O senhor Yassuo Fukuda, presidente da Associação KumamotoKenjin do Brasil, falou do interesse de que seja assinado um Tratado de Amizade entre JONAN (cidade natal de Uetsuka) e PROMISSÃO, onde ele está enterrado. Pela Lei nº 4.400, de 04/02/2006, foi declarada Hóspede Oficial do Município de Promissão a comitiva da Federação das Associações de Províncias do Japão e seu presidente, Koichi Nakazawa. A Lei nº 2781, de 12/06/2007, de autoria do Poder Executivo, instituiu o “DIA DA IMIGRAÇÃO JAPONESA” no calendário oficial do município de Promissão, a ser celebrada no dia 18 de junho, de cada ano, data da chegada do navio “KasatoMaru”, que trouxe oficialmente, os primeiros imigrantes nipônicos ao Brasil.
Fonte: Texto extraído da Brilhante Obra – PROMISSÃO SUA HISTÓRIA E SUA GENTE.
Autora: Maria Regina Andrade Reyes.