HISTÓRICO


A ORIGEM

OS ÍNDIOS KAINGANGS - PRIMITIVOS HABITANTES DE NOSSA TERRA

Quando a Região Noroeste passou a ser desbravada, o indianismo entrou em descrédito e o conceito quase lírico em que se tinha o selvagem passou para o extremo oposto, chegando alguns homens da ciência a preconizar a sua extinção para que o progresso não fosse entravado. No dia 11 de março de 1910, os selvícolas atacaram a turma 21, que construía a estrada de ferro NOB, nas proximidades de Hector Legru. Eram apenas quatro homens, que foram atacados por mais de cem índios um trabalhador português, alvejado por uma flecha em pleno peito, caiu morto e o feitor, que os enfrentou corajosamente, desfechando-lhes vários tiros, conseguiu escapar com dois companheiros restantes, que sofreram ferimentos. Os índios apoderaram-se do morto, esquartejaram-no e levaram as pernas, os braços e a cabeça. Houve época em que os Kaingang ou “Coroados” quase conseguiram interromper com os seus assaltos contínuos e violentos aos acampamentos os trabalhos de construção da referida estrada de ferro. O desânimo entre os operários, sem a menor garantia de suas vidas, era intenso. Exigiam proteção armada, sob pena de abandonarem o serviço. O empreiteiro da construção da estrada comunicou ao ministro da Viação todas essas desagradáveis ocorrências, pedindo-lhe urgentes providências.
Por outro lado, as “batidas” dos bugreiros espalhavam mais ódio entre os Kaingangs queriam se apossar das terras dos índios, aprisioná-los e transformá-los em escravos.
Em 28 de maio de 1911, a turma de conservação 21, localizada entre Albuquerque Lins e Hector Legru, contando apenas com o feitor e três trabalhadores, dirigia-se para o serviço, num trole, às 6 horas da manhã quando foi atacada por numerosos selvícolas que se encontravam escondidos na mata, à beira da linha. Trucidaram dois trabalhadores. O feitor conseguiu escapar com um companheiro que estava ferido. Chegaram aterrorizados a Albuquerque Lins onde narraram o acontecimento ao chefe da estação. O chefe do tráfego ordenou que de Miguel Calmon partisse um trem para o local da chacina, conduzindo empregados armados e um destacamento da força federal, encarregada da catequese dos índios. Quando o comboio chegou ao local, verificou-se que os dois trabalhadores foram esquartejados e os pedaços foram espalhados pela linha. “Os selvagens levaram como troféus, as duas cabeças, os braços e outros membros”. Antes de abandonarem o sítio, os índios saquearam a casa da turma, levando todas as roupas, ferramentas e a corda do poço. (O BAURU, 1910). Na época em que foi iniciada a organização do Serviço de Proteção aos Índios, o então coronel Cândido Mariano da Silva Rondon, chefe daquele departamento, informado da situação, resolveu embarcar para a região. Estudou a zona ao longo da ferrovia e lateralmente até o Rio Tietê, delineando o plano de pacificação dos selvícolas. Foi escolhido para realizá-lo o tenente Manoel Rabello, que foi auxiliado pelos tenentes Cândido Sobrinho e Sampaio. Antes do reconhecimento feito pelo coronel Rondon, já haviam estado na região em estudo, os tenentes Manoel Rabello e Pedro Dantas, que ofereceram preciosas informações ao sertanista. Os tenentes Rabello e Cândido Sobrinho, a procura de um local para instalar um acampamento, após este ataque e a ameaça séria à estação de Hector Legru, resolveram ali instalar-se, pois o local era muito frequentado pelos índios. Dia e noite os índios rondavam o acampamento fazendo barulho com suas buzinas e dando fortes pancadas nas árvores com seus porretes ou guarantãs. Respondiam com palavras de paz e canções, a ÍNDIA VANUÍRE, considerada a Rainha da Pacificação e os intérpretes paranaenses.
Em dezembro de 1911, encontraram uma aldeia Kaingang (a 20 km do rio Feio) chefiada pelo cacique Vauhin. Os índios, amedrontados com a aproximação dos brancos, abandonaram-na. O tenente Rabello deixou muitos presentes, voltou para Patos e daí foi para o Rio de Janeiro. Com sua partida, quase fracassou o trabalho já realizado, não fosse à chegada de Manoel Miranda. Ele foi à já referida aldeia onde encontrou apenas um índio surdo-mudo, que correu para avisar ao chefe sobre a chegada dos brancos, que foram vítimas de uma emboscada. Com o auxílio dos intérpretes Geigmone Futuio, foi estabelecido um longo diálogo, mas os Kaingangs continuavam desconfiados. No acampamento dos Patos, apesar de já bem frequentado pelos índios, que ali se abasteciam de víveres, a intranquilidade ainda reinava. No dia 19 de março de 1912, pouco depois do meio dia, chegaram ao acampamento 10 guerreiros Kaingangs, desarmados, chefiados por Vauhin. Era o dia decisivo para a paz em todo o sertão. Mostravam que queriam firmar a paz com os brancos do Serviço de Proteção aos Índios e com os irmãos civilizados, que falavam a mesma língua. Os guerreiros aproximaram-se dos brancos, sendo acolhidos com carinho, iniciando, assim, um entendimento, que terminou com a luta de cinquenta anos. Ao deixar o seu povo na aldeia, o cacique Vauhin dissera que se fosse morto, todos se embrenhassem na mata em direção ao oeste, mas regressou logo para dar a boa notícia. Outros grupos compareceram ao acampamento dos Patos, com o mesmo propósito. Assim, o Serviço de Proteção ao Índio pacificou o sertão, e o trabalho de construção da estrada de ferro NOB prosseguiu normalmente em sua marcha para o oeste. Devemos lembrar também a atuação feliz de Horta Barbosa junto ao chefe indígena Ary-Krim-Krim. Os contatos amistosos eram constantes e José Cândido Teixeira, valoroso e destemido auxiliar da Inspetoria, ficou trabalhando no meio dos índios, por muito tempo. Tal situação continuou até 1918, quando com a “gripe espanhola” ocorreram muitas mortes. Os índios que sobreviveram foram transportados para a reserva ICATÚ, na cidade de Braúna, onde ficaram em uma fazenda do Governo Federal.

A CHEGADA DO HOMEM BRANCO
Os primeiros civilizados que penetraram na região noroeste do Estado, compreendida entre os rios Tietê, Feio e Dourado, onde mais tarde a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil lançou os seus trilhos em direção ao Oeste, foram os foragidos da revolução de 1842, e que permaneceram até 1848, nos sertões de Jaboticabal os mineiros das famílias dos Castilhos, Ferreiras e Goularts, que deixaram seus nomes ligados a inúmeras cidades de São Paulo. Na primeira década do século XX, no local onde hoje é Promissão, existia apenas a mata bruta, e as únicas vias de penetração e comunicação eram os referidos cursos fluviais, que facilitaram o estabelecimento dos colonizadores em terras antes ocupadas pelos índios Coroados e Kaingangs. Com o avanço dos trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), os índios emigravam para outras paragens, fugindo da perseguição dos “bugreiros”, que procuravam capturá-los, para escravizá-los. Os “posseiros”, ora se firmavam em suas posses precárias, ora eram repelidos por esses índios. Como em outras frentes do sertão paulista, o contato com os primitivos habitantes quase sempre foi violento e provocou, ou o simples extermínio do indígena, ou a sua fuga para outras regiões.

INAUGURAÇÃO DA ESTAÇÃO HECTOR LEGRU
Criada pelo Decreto nº 5349, de 18/10/1904, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) foi à concretização de um projeto nacional, estrada estratégica, de penetração. De iniciativa privada, passou ao controle da União antes de ser completada em 1917. A construção da NOB teve inicio a 15 de novembro de 1905, e já a 29 de setembro de 1906, eram inauguradas as primeiras estações, até o Km 92, onde se localizou a estação Lauro Muller. No amanhecer do dia 28 de setembro chegava a Bauru, pela Sorocabana, uma ilustre comitiva chefiada pelo Dr. Lauro Severino Muller, então Ministro da Viação e da qual faziam parte o Dr. Jorge Tibiriçá, então Presidente do Estado de São Paulo e muitos outros, de destaque político extraordinário do Brasil de então, além de uma turma de estudantes da Escola Politécnica de São Paulo. O trem inaugural da noroeste partiu de Bauru, com a célebre locomotiva nº 1, às 11 horas e 30 minutos, passando a inaugurar, sucessivamente, as estações Presidente Tibiriçá, Jacutinga (hoje Avaí), Presidente Alves e Lauro Muller, daí regressando a Bauru. Uma festividade mais estrondosa foi realizada no dia 16 de fevereiro de 1908. Chegou a Bauru uma comitiva composta do Dr. Afonso Moreira Penna, Presidente da República, Miguel Calmon Du Pin e Almeida, Ministro da Aviação, Dr. Jorge Tibiriçá, Dr. Albuquerque Lins, Conde Dr. Paulo de Frontin, Cel. Tavares da Fonseca, Dr. Edmundo Fonseca, Dr. Eugênio Lafon (representando o banqueiro Dr. Hector Legru), Conselheiro Antônio Prado, Dr. Marcelino Magalhães e Dr. Álvaro de Sá. Neste dia foram inauguradas e batizadas as seguintes Estações:
- PRESIDENTE PENNA - HOJE CAFELÂNDIA.
- ALBUQUERQUE LINS - HOJE LINS.
- MIGUEL CALMON - HOJE AVANHANDAVA
- HECTOR LEGRU - HOJE PROMISSÃO, PLANTADA NA FAZENDA PATOS.
A Estação de Hector Legru, no quilômetro 178 da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, foi aberta em terras pertencentes ao agrimensor e autor de suas várias divisões rurais, Adolpho Hecht que, em 1909, abriu uma vila, numa pequena fração de suas terras, junto à estação, mas que demorou a ser ocupada.

FUNDAÇÃO DO POVOADO
Em 1908, a Estrada de Ferro chegou às terras da fazenda Patos, onde construíram uma Estação de parada, e deixaram seus funcionários, Benedito Bueno e seu genro conhecido como João Portador, primeiros moradores de uma casa construída com dormentes, cedidos pela NOB e cobertura de zinco. Na estação de Hector Legru chegaram outros desbravadores, como João Ramos da Silva, natural do litoral paulista, que instalou uma “vendoca” na estação. Depois, em 1913, com suas respectivas famílias, estabeleceram se no lugar o fazendeiro José do Vale e o espanhol Francisco Gimenes, que construiu a primeira casa de madeira, em frente à estação, que passou a servir como um modesto hotel aos que aqui vinham comprar terras. Foi construída com tábuas vindas de Monlevade e as telhas, de Miguel Calmon, da olaria de Ludovico Graci. Em 1917, chegaram os primeiros imigrantes japoneses e italianos, desenvolvendo atividades agrícolas e industriais, principalmente ligadas ao café. Desta época em diante começaram a ingressar nas novas terras colonos estrangeiros: italianos, espanhóis, portugueses e japoneses. Os primeiros provindos da Zona da Paulista e da Mogiana, e os últimos, diretamente do Japão, guiados pelo Dr. Shuhei Uetsuka.

CRIAÇÃO DO DISTRITO
O Distrito de Paz foi criado em 27 de novembro de 1919, através do Decreto Lei Estadual nº 1688, pertencente ao município de Penápolis, com a denominação de HECTOR LEGRU, em homenagem ao banqueiro que financiou a construção da Noroeste do Brasil. Sua instalação verificou se em 17 de março de 1920. Enquanto subordinada à cidade de Penápolis, Promissão teve dois Subprefeitos: Alcides Ferreira de Brito foi o primeiro, sendo nomeado fiscal Alonso de Andrade. Para Juízes de Paz o povo escolheu entre os melhores, que eram muitos: José Domingues, Olívio Pereira Ramos, Antônio Dinalli, entre outros. Em junho de 1922, desgostoso com as diversas reclamações feitas pelos moradores, renuncia ao cargo de subprefeito. Assume o seu lugar Alonso de Andrade (1922) que exerceu o cargo até a instalação do primeiro governo municipal em 1924.

ORIGEM DO NOME
Nome Primitivo:
No dia 16 de fevereiro de 1908, eram inauguradas e batizadas várias estações da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, dentre elas a de Hector Legru. Às estações foram dados nomes que homenageavam aos seus patronos inaugurais, cabendo aqui ao ilustre banqueiro francês (segundo alguns, belga) Hector Legru, que patrocinou a iniciativa do Dr. João Teixeira Soares, incorporador da antiga Cia. NOB. O Cel. Bento da Cruz, prefeito da comarca de Penápolis, vê a necessidade de mudar o nome para Promissão, porque Hector Legru nada significava em relação à fertilidade das terras, nenhuma relação histórica possuía com sua população e porque seus habitantes consideravam-na uma terra muito promissora.
Mudança de Nome:
A proposta que o Coronel Bento da Cruz fez quando elevada à categoria de Vila, foi concretizada por João Francisco Coelho, influente chefe político da localidade, que encabeçou uma representação, apoiado entre outros, por Arlindo Abrahão, Alonso de Andrade e Alcides F. Brito. Acolhida a referida proposta, pelo Congresso Legislativo do Estado, no dia 30/12/1921, através do Decreto Lei Estadual nº 1787-A, passou a chamar-se definitivamente PROMISSÃO.
Outra Versão:
Devido às condições climáticas naturais do país e a política migratória inteligente, que buscava facilitar a vinda e a vida dos estrangeiros, a produção de café crescia. Uma área destas terras foi prometida aos colonos, que pretendiam ficar independentes dos fazendeiros. Mas a superprodução foi aumentando e a tal promessa não se concretizou. Daí parte destas terras ficaram conhecidas como “Terra Prometida = Promissão”.
A antonomásia: Canaã da Noroeste

Em 1953 a Rádio Brasil lançou um concurso para a escolha de um slogan para Promissão, dele participando vários candidatos. O então diretor da rádio, Waldomiro Serrano Marzabal, disse ao acaso: “A Canaã da Noroeste”. Agradou e pegou. Falhara o concurso.

CRIAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO
Em 29 de novembro de 1923, através do Decreto Lei Estadual nº 1934, o Distrito foi elevado à categoria de Município, já com a denominação de Promissão, desmembrado do município de Penápolis. Sua instalação verificou se em 01 de maio de 1924. As festas realizadas com a notícia da criação do município renovam-se com a instalação do primeiro governo municipal. Primeiros Vereadores eleitos: Américo Maciel de Castro, Carlos Rodrigues Pinto, André Andrade Ribeiro de Almeida, José Silva, Arthur Franco, Mário Monteiro Diniz Junqueira. Os vereadores eram eleitos pelo povo e o prefeito e o vice-prefeito, entre os vereadores, que continuavam a exercer as funções dos mesmos. Para exercerem os cargos de prefeito e vice-prefeito em 1924, foram escolhidos Arthur Franco e Américo Maciel de Castro, respectivamente.

CRIAÇÃO DA COMARCA
Em abril de 1935, o município passou para a jurisdição de Lins, porque ficava mais próximo do que Penápolis. Na época e, mesmo algum tempo depois, tudo correu normalmente. A justiça passou a ser mais cômoda barata e rápida para todos. Posteriormente, com o desenvolvimento da Comarca de Lins, por meio das diversas unidades que a compunham, cresceu o volume de feitos, do respectivo juízo. O resultado foi o acúmulo de serviço, progressiva e compreensível demora no julgamento das causas demora esta tão prejudicial aos interesses das partes. Assim é que dia 27/11/1941, os elementos do Fórum local enviaram ao governo do Estado uma representação, pedindo que fosse elevada a Comarca, à categoria de 2ª entrância. O movimento continuou a crescer. Reconhecia-se a absoluta impossibilidade de um só juiz, por maior capacidade de trabalho que ele tivesse de dar conta de todo serviço. Elementos representativos da cidade movimentaram-se no sentido de obter a criação de mais uma vara. Reaparece aqui a questão das distâncias. Por efeito da revisão territorial do Estado, feita de acordo com o Decreto nº 9.775, de 30 de novembro de 1938, foi anexada ao município de Promissão, uma larga porção de terras, que constitui o atual Distrito de Santa Maria do Gurupá, consideravelmente populosa e distante cerca de 65,00 Km da sede da comarca de Lins.
Por outro lado, outras regiões do município tiveram sua população aumentada, como a zona do Porto Queixada, que confina com os municípios de José Bonifácio e Rio Preto, não dispondo de outro meio de comunicação, que as rodovias servidas por “Jardineiras”. Essas consideráveis distâncias, as relativas dificuldades de comunicação e o extraordinário acúmulo de serviço eram, sem dúvida, fatores que determinavam o encarecimento da justiça e a demora na sua distribuição. O único meio capaz de solucionar o problema, satisfatória e definitivamente, era a outorga de autonomia judiciária ao município. Tais eram, em linhas gerais, as razões com que o povo de Promissão, pelas figuras mais representativas de sua população, urbana e rural, justificava o anseio geral que representava a causa da Comarca. Em 30 de novembro de 1944, através do Decreto nº 14.334, deu-se a criação da Comarca de Promissão. Sua instalação verificou-se através do Decreto nº 14.774, de 11 de junho de 1945.

OS JAPONESES EM PROMISSÃO
No dia 18 de junho de 2008, comemoramos o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, tempo em que tivemos o prazer de conviver com a simpatia e determinação desse povo, que contribuiu para a riqueza e crescimento cultural do país, pois trouxe consigo sua tradição, suas técnicas e, principalmente, seus sonhos. Foi à herança cultural japonesa, adaptada as condições brasileiras, a principal responsável pela projeção alcançada pelos japoneses no Brasil. Mesmo aqueles imigrantes mais simples, que vieram trabalhar nas lavouras do interior, sempre deram importância à educação dos filhos, que souberam aproveitar as oportunidades surgidas e conseguiram destaque na sociedade brasileira. Depois de tantos anos vivendo no Brasil e de se integrarem à sociedade, dadas as circunstâncias vividas pelo país, passamos a notar um movimento no sentido inverso daquele feito pelos japoneses, que para cá vieram no século passado. Os decasséguis brasileiros passaram a ir ao Japão para trabalhar, a maioria com o objetivo de voltar ao Brasil com dinheiro suficiente para a compra de uma casa e, se possível, abrir um negócio seu. Brasil e Japão, considerando a importância que o intercâmbio humano desses brasileiros representa, têm somado esforços para solucionar os vários problemas que esses cidadãos enfrentam lá. O fortalecimento das tradicionais relações de amizade entre brasileiros e japoneses, baseada na confiança e no conhecimento mútuo, ficou evidenciado quando, em junho de 2008, o príncipe japonês esteve visitando-nos e participando dos festejos em comemoração ao centenário da imigração japonesa no Brasil.

TEIJIRO SUZUKI – O PIONEIRO
Em 1906, com 27 anos, solteiro, munido do passaporte de entrada no Chile, partiu do porto de Yokohama (Japão), passou pelo porto de Callao, no Peru, onde encontrou Mizuno Ryu que vinha ao Brasil manter contatos, com vistas à efetivação de contrato para a imigração japonesa. Estava entusiasmado com as informações constantes do relatório do Cônsul Suguimura, que se achava no Brasil, naquela época. Então Mizuno convidou Suzuki para acompanha lo e assim, a bordo do Loide Brasileiro, que partiu do porto de Buenos Aires, chegaram ao Rio de Janeiro, em abril de 1906. Suzuki se fez companheiro de viagem não só de Mizuno como também de Saku Miura, encarregado do serviço de intérprete às inspeções das fazendas de café no Estado de São Paulo e que agrupamos em três estações:
1 - ESTAÇÃO SANTA VIRGÍNIA – Estrada de Ferro Mogiana – Família Prado.
2 - ESTAÇÃO TIBIRIÇÁ – Fazenda Dumont – Firmino Pinto.
- Fazenda São Martinho – Altino Prado Junior.
3 - ESTAÇÃO VISCONDE DO PINHAL – Fazenda Palmital – Dr. Moraes Barros.
Era Governador do Estado o Dr. Jorge Tibiriçá Secretário da Agricultura – Dr. Carlos Botelho responsável pelo contrato – Dr. Bento Bueno Guia – corretor oficial do Posto de Recolhimento dos Imigrantes – Senhor Herculano. Mizuo Ryu e Miura transferiram-se para Petrópolis e Teijiro Suzuki passou a trabalhar na Fazenda Tibiriçá constituindo-se “Símbolo do Imigrante Japonês”. No dia 06 de novembro de 1907, firmou-se contrato para início da imigração japonesa – entre o governo de São Paulo e Mizuno Ryu – e, a 25 de fevereiro de 1908, a Companhia de Imigração “Kôkoku”, de Mizuno Ryu (com licença do Ministério das Relações Exteriores do Japão), abre inscrição para imigrantes. O senhor Teijiro Suzuki tornou-se Secretário do “Posto de Recolhimento dos Imigrantes”, trabalhando no serviço de preparação para admissão dos imigrantes japoneses no Brasil. No dia 09 de maio de 1908, partem os intérpretes da Companhia de Imigração “Kôkoku”: Takashi Nihei, Unpei Hirano, Masashi Mine, Motonao Ono e Yumosuku Kato. Chegam à Santos no dia 18 de junho de 1908, e dali saem para o “Posto de Recolhimento de Imigrantes”, em São Paulo. O primeiro contingente constituía-se de 781 pessoas. A bordo do “Kasato Maru” e mais: Mizuno Ryu e o Dr. Shuhei Uetsuka (representante do Brasil da mesma Companhia).
Os cinco intérpretes e Suzuki distribuíram os imigrantes em 6 fazendas, tendo Suzuki conduzido 20 delas (140 pessoas) para a Fazenda São Martinho. Em fevereiro de 1909, dada à falência da Companhia de Imigração, Mizuno Ryu regressa ao Japão. O Dr. Shuhei Uetsuka, ante as responsabilidades (na qualidade de representante), dedicou esforços no sentido de contornar os problemas decorrentes de revoltas, como também, da própria subsistência dos imigrantes. Estando no Japão, por iniciativa própria, Mizuno Ryu fundou a “Companhia Takemura de Imigração” e promoveu em:
1910 – O Segundo Contingente Imigratório (247 famílias, com 909 pessoas) navio “Ryojun Maru” – que aporta em Santos, distribuindo-se para 17 fazendas.
1912 – Terceiro Contingente.
1913 – Quarto Contingente. Em novembro de 1913, o Dr. Shuhei Uetsuka regressa temporariamente ao Japão, substituindo-o em suas funções, Teijiro Suzuki.
1914 – Em maio, o sexto grupo imigratório chegou ao Brasil e, em agosto deste mesmo ano, com o início da Primeira Grande Guerra, são suspensos os movimentos imigratórios, só reiniciados em 1917 através da “Cooperativa de Imigração do Brasil”.
Em 1918 colaborou Suzuki na instalação do 1º núcleo de colonização japonesa em “Itacolomy” (Promissão) e também ajudou a instalar o Bairro Córrego Azul. Para sentir o que o imigrante japonês suportaria em suas novas funções, ele mesmo submeteu-se ao trabalho do campo, que era árduo.
Casou-se no Brasil com uma japonesa vinda do Japão e com ela teve 6 filhos. Em Promissão formou uma fazenda com 230 alqueires de terra, com um milhão de pés de café e pastagens. Perdeu tudo devido ao vício do jogo e retornando a São Paulo, voltou a ser intérprete e professor.  Nessa época escreveu e publicou vários livros (era formado em Letras pela Universidade de Waseda), vindo a falecer em 1970, aos 91 anos de idade.

A CHEGADA DO DR. SHUHEI UETSUKA
Foi o primeiro japonês a pisar em Promissão, trazendo com ele muitas famílias patrícias, fundando a Colônia Itacolomi, atual Bom Sucesso. Chamado também de “O Pai da Imigração Japonesa”, adquiriu em meados de março de 1918, cerca de 1.400 alqueires somente a 5,00 Km da estação ferroviária. Como havia vestígios de moradia de índios, chegou à conclusão de que o local estava livre de malária e outras pragas. De 100 famílias no inicio, 10 anos após, o número chegaria a 1.400. Contou a partir de certa época com o auxilio de Sassaichi Mazaki, que o acompanharia até a sua morte. Formado em Direito, resolveu partir para lugar distante e desconhecido para desespero de seus pais, chefiando uma delegação de intérpretes com destino ao Brasil, a bordo do histórico navio “Kasato Maru” em 1908. Dizem que foi causado por uma decepção amorosa. A notícia tem fundamento, porque permaneceria solteiro. Em 1923, funda também a Colônia de Guaimbê. Há até um busto na praça da cidade, de autoria do famoso escultor Manabu Mabe. Em sua homenagem, foram erguidos: Monumento em São Paulo, no Largo da Pólvora, Viaduto no Bairro Liberdade, Estátua no Japão, Parque Bom Sucesso, Via de Acesso e nome de Rua na cidade de Promissão. A celebração do Centenário em 2018, promete ser de muita comemoração e pompa.
Fonte: Texto elaborado por Shigueyuki Yoshikuni.

DR. SHUHEI UETSUKA – O PAI DA IMIGRAÇÃO JAPONESA
Filho de Shunzo e Miki Uetsuka nasceu na Província de Kumamoto, em 1876, bacharelando-se em direito pela Faculdade Imperial de Tóquio, em 1907. Chegou ao Brasil, como já nos referimos anteriormente, no dia 28 de abril de 1908, a bordo do histórico navio “Kasato Maru”, desembarcando no porto de Santos no dia 18 de junho de 1908. Soube vencer todas as dificuldades, com muitos sacrifícios, apesar da diversidade de raça, de costumes, de religião e língua. Em 1918, Dr. Shuhei Uetsuka adquiriu as matas virgens de Hector Legru (Promissão), instalando o primeiro núcleo de colonização japonesa, onde construiu escolas, contratou médico, abriu estradas, fundou associações. Houve período em que cerca de 1400 famílias de japoneses dedicaram-se ao trabalho do desbravamento de nossa terra. Com poucos recursos materiais, ele dedicou 60 anos de trabalho ininterrupto à nossa comunidade, zelando pela segurança dos moradores e prestando auxílio aos menos favorecidos, pois tinha como meta principal a edificação de povoação exemplar. Desse trabalho resultou a Colônia Itacolomy, formada pelos Bairros: Gonzaga, Barra Mansa e, posteriormente, Biriguizinho. Depois em trabalho conjunto de Teijiro Suzuki, Sasaichi Masaki e Tomejiro Sakamoto, o Bairro do Córrego Azul por Myiamoto, Patinhos, por Sasaichi Masaki, Barra Mansa, Barreiro, Antinha e Borá, e por Masato Fujii, o Bairro Assaí. Faleceu a 06 de julho de 1935, sendo seu corpo sepultado no cemitério municipal de Promissão. Graças à insistência de Francisco H. Yda, antes de falecer, tornou-se cristão, recebendo o sacramento do batismo, na Santa Casa de Lins.

AS PRIMEIRAS FAMÍLIAS AQUI INSTALADAS
- No atual Bairro Bom Sucesso – Famílias: Tsuzuki, Orita, Kussano, Shibao, Nishikawa, Kimoto e Okuda
- No Bairro dos Patos – Famílias: Miura e Anzai.
- Cabeceira dos Patos – Família: Goto.
Destacaram-se no comércio de nossa cidade, entre outros: Francisco H. Yda, Tikazo Hirata, Sassaichi Masaki, Yoshio Tuchia, Massamori Nashiro, Kamizako Maeda, Singiro Hino e Iwaki.

ALGUNS PIONEIROS E SUAS CONDECORAÇÕES
- Ryoko Yassunaga: chegou a Promissão no dia 15 de agosto de 1918, tendo se estabelecido no Núcleo de Colonização Japonesa, fundado pelo Dr. Shuhei Uetsuka, o “Pai da Imigração Japonesa no Brasil”, no atual Bairro Bom Sucesso, onde permaneceu até sua morte. Recebeu do governo japonês a Comenda de 6º Grau da Ordem do Sagrado Tesouro em 29 de abril de 1978. Outras honrarias recebidas: Medalha Marechal Cândido da Silva Rondon, conferida pela Sociedade Geográfica Brasileira – (09/09/1965) Medalha José Bonifácio de Andrada e Silva, conferida pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Medalhística da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (29/09/1968) Medalha de Honra ao Mérito, conferida pelo Governo da Província de Kumamoto – (05/08/1966) Cidadão Promissense, pela Câmara Municipal de Promissão em 31 de agosto de 1968.
- Hakuo Yassunaga: (filho de Ryoko) em homenagem póstuma, recebeu a medalha “Ordem do Tesouro Sagrado”, em 5º Grau, por serviços prestados à coletividade.
A cerimônia foi realizada no Consulado Geral do Japão, em São Paulo, onde o filho primogênito do homenageado recebeu do Consul Sumi Ono a medalha e o diploma em 08 de julho de 1986.  Hakuo era sócio honorário da Sociedade Brasileira de Heráldica e Medalhística do Estado,  e dela recebeu a Cruz do Mérito Cívico e Cultural, (05/08/1975). Recebeu também a Comenda do Ipiranga, do Governador do Estado de São Paulo, em 25 de outubro de 1982.
- Yukio Masaki: recebeu a Comenda de 5º Grau da Ordem do Sagrado Tesouro, outorgada pelo Imperador do Japão dentro das comemorações do 61º aniversário da colonização japonesa em Promissão, aonde chegou no dia 12 de novembro de 1914, para trabalhar na fazenda do seu tio, Sasaichi Masaki. Dedicou-se depois ao comércio e, por diversas vezes exerceu o cargo de Presidente da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Promissão.Depois de tudo o que foi apresentado acima, podemos afirmar que foi vantajosa para os dois povos, a colonização japonesa em Promissão. Para os japoneses, a busca vitoriosa por uma vida melhor, iniciada em 18 de junho de 1908, com a chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil, e especificamente em 1918, em Promissão. Apesar das dificuldades enfrentadas inicialmente por eles, hoje seus descendente estão totalmente adaptados, integrados a esta terra que no passado seus pais escolheram para viver. Para os promissenses, o desbravamento de suas matas, o consequente aparecimento de vários bairros, a formação de lavouras produtivas e, principalmente, o convívio pacífico, agradável e proveitoso com todos os membros de sua comunidade.

OS FESTEJOS DO CENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO
No dia 13 de outubro de 2005, esteve em visita ao prefeito de Promissão, Geraldo Chaves Barbosa, uma grande comitiva, constituída de personalidades japonesas da cidade natal do Dr. Shuhei Uetsuka e de representantes da colônia de São Paulo e de Promissão, com a finalidade de se formar uma “Comissão de Festejos” pra o Centenário da Imigração Japonesa para o Brasil. O Dr. Luiz Yassunaga, que acompanhava os visitantes, serviu de intérprete e, o Dr. Ivo Grama, foi escolhido para presidir a referida comissão. O senhor Yassuo Fukuda, presidente da Associação Kumamoto Kenjin do Brasil, falou do interesse de que seja assinado um Tratado de Amizade entre JONAN (cidade natal de Uetsuka) e PROMISSÃO, onde ele está enterrado. Pela Lei nº 4.400, de 04 de fevereiro de 2006, foi declarada Hóspede Oficial do Município de Promissão a Comitiva da Federação das Associações de Províncias do Japão e seu presidente, Koichi Nakazawa. A Lei nº 2781, de 12 de junho de 2007, de autoria do Poder Executivo, instituiu o “DIA DA IMIGRAÇÃO JAPONESA” no calendário oficial do município de Promissão, a ser celebrada no dia 18 de junho, de cada ano, data da chegada do navio “KASATO MARU”, que trouxe oficialmente, os primeiros imigrantes nipônicos ao Brasil.
Fonte:
Texto extraído da Brilhante Obra – PROMISSÃO SUA HISTÓRIA E SUA GENTE.
Autora: Maria Regina Andrade Reyes.
Gentílico: Promissense

GALERIA DE PREFEITOS

ARTUR DA SILVA FRANCO29/04/1924 à 14/01/1926
ANTÔNIO FIGUEIREDO NAVAS15/01/1926 à 14/01/1929
MARCELINO R. GUILHERME15/01/1929 à 30/10/1930
LUCIO R. DA PRATA SOBRINHO01/11/1930 à 06/11/1930
GENTIL MOREIRA06/11/1930 à 15/01/1931
ALCINO SODRÉ16/01/1931 à 30/05/1931
ARGEMIRO DA S. CAMARGO01/06/1931 à 01/07/1932
ALCINO SODRÉ02/07/1932 à 16/10/1932
ARGEMIRO DA S. CAMARGO17/10/1932 à 21/04/1933
DANTE ROCHI22/04/1933 à 14/06/1936
LUCIO R. DA PRATA SOBRINHO15/06/1936 à 15/08/1936
ANTÔNIO FIGUEIREDO NAVAS16/08/1936 à 21/05/1942
ARIVALDO ANDRADE22/05/1942 à 26/09/1944
MANOEL BALSALOBRE POLO27/09/1944 à 31/11/1944
JULIO DE N. DO NASCIMENTO05/12/1944 à 26/03/1947
MANOEL BARBOSA27/03/1947 à 31/12/1947
ANTÔNIO FIGUEIREDO NAVAS01/01/1948 à 31/12/1951
MIGUEL MARTINS GUALDA01/01/1952 à 31/12/1956
BENEDITO SILVA01/01/1957 à 31/12/1959
BRUNO SAMARLO01/01/1960 à 31/09/1969
IVO FERREIRA GRAMA01/10/1969 à 31/12/1973
MIGUEL MARTINS GUALDA01/03/1973 à 31/12/1976
IVO FERREIRA GRAMA01/02/1977 à 31/12/1982
AMÉRICO GOLFIERI01/02/1983 à 31/12/1988
RENATO LUCHIARI01/01/1989 à 31/12/1992
MARCOS ANTÔNIO SOUZA SIMÕES01/01/1993 à 31/12/1996
CLÉCIO MARCOS VEDOATO01/01/1997 à 31/12/2000
MARCOS ANTÔNIO SOUZA SIMÕES01/01/2001 à 31/12/2004
GERALDO CHAVES BARBOSA01/01/2005 à 31/12/2008
GERALDO CHAVES BARBOSA01/01/2009 à 31/12/2012
HAMILTON LUÍS FOZ01/01/2013 à 31/12/2016
ARTUR MANOEL NOGUEIRA FRANCO01/01/2017 à 31/12/2020

OBS. O Sr. ARTUR DA SILVA FRANCO, foi o primeiro Prefeito de Promissão.