HISTÓRICO


A ORIGEM
A área abrangendo o hoje município de Reginópolis, foi inicialmente ocupada pelos índios, como na maioria de todos os povoados na região noroeste paulista. Eles chegaram muito antes do homem branco e as histórias sobre essa ocupação estão registradas em todos os livros sobre o resgate histórico desses primórdios. “Foi então que surgiram os índios, que não lhe davam sossego, ora queimando as plantações, ora ameaçando-o de morte”, esse um dos trechos de muitos relatos, quase todos com a mesma reclamação. Toda essa região não passava de uma terra de passagem para os índios guaranis, que foram empurrados para cá. Esses não podiam se estabelecer, pois até hoje estão na busca da denominada Terra sem Mares. Uma movimentação natural deles. Quem mandava eram os Kaigangs e a última fronteira deles foi à região Noroeste. Existia uma permissão para os índios Guaranis caminharem na região. O posseiro agia diferente, vinha e cuidava de uma pequena área, tolerada, mas depois vieram as grandes plantações de café, culminando com a chegada da ferrovia. Daí surgem  conflitos mais sérios, e o índio sempre foi um empecilho para a instalação dos grandes fazendeiros. A dizimação foi inevitável. As movimentações e os conflitos eram conhecidos por todos, tanto que a Igreja Católica, na metade do século XIX, por sugestão do padre Modesto Marques Ferreira, vigário de Botucatu, ao então Bispo de São Paulo, Dom Antônio Joaquim de Mello, queria instituir uma catequese dos índios localizados junto ao Rio Batalha. Essas terras já eram conhecidas desde 1844, após incursão ao local, de dois irmãos sertanistas, senhores Francisco e Antônio Rodrigues de Campos. A igreja estava interessada na catequização e no fim da matança indiscriminada de índios, culminando com sua primeira incursão no local em 1861, com o envio de missionários. Os nomes dos missionários perderam-se com o tempo e os dos pioneiros é o pouco que restou desse período. O senhor Inácio Francisco da Silva, também conhecido como “Inácio Carreiro”, e Antônio Ponciano são mencionados. Constantes massacres, tanto de índios como de brancos, ocorriam, quando o senhor Felicíssimo Antônio de Souza Pereira, morador do vilarejo de Bauru, e possuidor de grandes áreas de terras, redigiu no dia 27 de março de 1858, um documento dirigido ao Presidente da Província. Anexou abaixo-assinado com 350 assinaturas de moradores da região, relatando os assaltos dos índios, e solicitava recursos financeiros para contratar pelo menos 300 homens, visando à penetração nas matas para catequização dos indígenas. Em 12 de junho de 1858, o Presidente da Província, conselheiro Fernando Torres, autorizou e o encarregou de abrir um “picadão” desde Botucatu até Avanhandava.  Era a carta branca para tirar o índio do caminho, pois o tal “picadão” passaria pela área onde hoje está Reginópolis. O acirramento entre os desbravadores e os índios foi resolvido à bala e na ponta do facão. Aqui o padre Jeremias é convocado. Sua primeira providencia foi na imediata reconstrução da capela, antes de sapé, levada por um vendaval, agora mais consistente. O local já era conhecido por todos na região, servindo de ponto de reunião, inclusive por indígenas já catequizados. Relatos mencionam a pequena capela, à mesma que anos depois serviu como marco para a fundação do povoado. Num ofício de 26 de dezembro de 1865,trocado entre o brigadeiro Machado de Oliveira e o presidente da província de São Paulo, senhor João da Silva Carrão, é mencionado o trabalho executado por Felicíssimo, sem citar o padre Jeremias: ”Esta estrada deve passar pela nova capela de Nossa Senhora Rainha dos Anjos, há pouco estabelecida perto do Rio Batalha”. È senão a primeira citação do nome pelo qual viria a ser conhecida nos próximos anos, daí sua importância histórica. O senhor Felicíssimo entrou para a história por ter sido um dos pioneiros a realizar o famigerado ato da efetivação dos tais “picadões”. Ele e tantos outros executaram o que estava prescrito, só e tão somente. As terras registradas pelo senhor Felicíssimo em Batalha eram bem próximas da atual área de Reginópolis, e ele foi um dos primeiros donos de terra na região. Foram anos de pouca catequização e uma intensa e desenfreada dizimação do índio, que pouco podia fazer frente ao poderio de armas do invasor branco.

A CHEGADA DO PADRE JEREMIAS
Reginópolis, primeiro denominada de Nossa Senhora Rainha dos Anjos do Batalha, depois só BATALHA, até a definição do atual nome, possui um personagem marcado como o mais significativo, o padre Jeremias José Nogueira, reverenciado em tudo o que já foi escrito sobre a cidade. Ele foi à pessoa que acabou dando identidade a um lugar perdido no centro do Estado de São Paulo, inicialmente um pequeno vilarejo, ajuntamento de casas em torno de uma igreja de pau a pique e, a partir daí, as transformações todas até nossos dias. Hoje, o padre está inserido no imaginário de todos que contam algo do passado e no dos estudantes que pesquisam sobre os primórdios. Virou nome de uma das ruas mais importantes no centro da cidade e, até hoje, pouca coisa se sabia de sua história. Aqui um pouco mais sobre isso. A primeira menção de seu nome ocorre no inicio de 1863, quando, designado para mais uma missão em nome da igreja, aporta na região. Após adquirir terras de um rábula de Lençóis Paulista, senhor Ladislau Soares Monteiro, e acompanhado de seu sobrinho, senhor Jerônimo José Nogueira, e quatro escravos (José, Manoel, Paulo e Atanácio) chegam ao local. Problemas mil pela frente. Terras ainda pouco acostumadas à presença do branco, invasor para os índios e mero ocupante de espaços livres e desimpedidos, para os denominados desbravadores do sertão. Conflitos pela frente iriam perdurar por décadas. Entre as várias missões do padre Jeremias, uma era a de conter o extermínio dos indígenas, catequizando e pacificando muitos deles. Exerceu sabiamente a função, numa época em que a ocupação era feita de forma desordenada e longe das vistas da lei, na ponta do facão e na dos canos das espingardas. Chegou também para, em nome da igreja, tomar posse de terras, dando inicio à preparação do solo para o plantio do café. Nos anos seguintes contratou o serviço de dois lavradores, os senhores Francisco Antônio Teixeira e Candido José Ribeiro, além de acertar com o senhor Adão Bonifácio Dias, mais conhecido por Adãozinho, à construção de um canal de uns 930 metros de extensão, irrigando suas terras com agua do rio Batalha. Paralelo a isso, as missas reuniam os moradores da região e índios pacificados, na capela erguida por todos eles. Em volta dela, nascia um povoado.

HISTÓRIA DE DESBRAVAMENTO E FÉ
Sobre a procedência do padre, ele é mineiro de Ibituruna, cidade da Zona Campo das Vertentes, e passou parte da infância naquela região. Batizado em 05/10/1811, na Capela de São Gonçalo, vila de São João do Bispado de Mariana (atual Bispado de São João Del Rey), paróquia de São Gonçalo do Amarante, era filho de José Francisco Unhão e Anna Vicencia. Dos 7 aos 21 anos morou em Alfenas (MG), e em 1832 passou pelo processo de habilitação de Genere et Moribus (nascimento e costumes – pericia da igreja detectando prováveis impurezas de futuros padres). Vindo de Campanha (MG), chega a Descalvado, em 1835 e no período até 1842, foi pároco na cidade, onde seu nome é reverenciado até hoje, recebendo nome de rua e vitral em sua homenagem na paróquia da Igreja Matriz Nossa Senhora do Belém, por ele oficializada em 1842. Intercalou outros períodos na cidade, findando-os em 1870. Também foi pároco em São Simão, Ribeirão Preto, Santa Rita do Passa Quatro, Casa Branca e outras localidades. Participou de muitas missões designadas pela igreja, como em 1865, ter fundado o bairro de Santa Cruz, construindo a capela com o mesmo nome em Descalvado. Em1877 reza missa em Bariri oficializando sua igreja, a Paróquia Nossa Senhora das Dores. Como se percebe, sempre envolvido com ações na região, em1863, então com 52 anos, é a pessoa mais importante quando do marco inicial da fundação de um novo povoado, esse que futuramente receberia o nome de REGINÓPOLIS. Um parêntese é necessário para esclarecer o nome correto do padre, com “G” ou “J”. A confirmação vem de documento assinado por esse, pertencente aos arquivos da Cúria Metropolitana da Igreja Católica, localizada na capital paulista, contendo sua assinatura, com “J”. Permaneceu quase duas décadas na região, com intenso trabalho comunitário, até o momento em que nele se manifesta de forma agressiva, uma grave doença, a lepra, afetando definitivamente sua saúde. Evita o máximo o contato direto com as pessoas, continuando a realizar as missas, com a ajuda de uma única pessoa sempre muita próxima, o escravo “pai João”, que o carregava nos braços até o altar. Seu falecimento deu-se em 1882, com 71 anos, depois de prolongado sofrimento, por mais de dez anos, e quando se encontrava na Fazenda Santa Rosa, meio caminho entre Avaí e Reginópolis. Seu corpo foi velado por algumas horas na capela, mas, atendendo sua vontade, foi transladado para a povoação do Espirito Santo da Fortaleza, localizada a 70 quilômetros de onde estava, e a 12 quilômetros da então vila de Bauru. Aberto seu testamento, foram constatados como herdeiros, além de sua irmã e seu sobrinho, os quatro escravos, que, além da liberdade, tiveram cada um deles nada menos que 50 alqueires de terra na região, algo até então inusitado para um religioso.

FUNDAÇÃO DO POVOADO
Outra disputa, paralela à do desbravamento, ocorria nos bastidores da partilha pela terra. “Houve uma acirrada disputa entre os distritos de Batalha, hoje Reginópolis, de Soturna, hoje Arealva, e o Distrito de Paz de Iacanga. Ocorre que os três, na época, possuíam quase o mesmo nível de desenvolvimento econômico. Uma história muito em comum até a emancipação dos municípios. O poder estava sendo consolidado na região. Ao findar do século passado, a zona povoada do Estado estendeu-se da Capital, para à Noroeste, ia fazer fronteira pouco além da linha Campos Novos do Paranapanema – Bauru – Ibitinga – São José do Rio Preto – Barretos. Ali era a costa do sertão... Raros moradores no vale do São José dos Dourados povoadores esparsos na margem direita do rio Tietê até o Avanhandava, e nenhum a esquerda. A vegetação marginal é alta e abundante, com diferentes espécies de coqueiros. Tribos de índios Kaigangs, Guaranis, Caiapós e Xavantes infestam a região. Nesse clima é presenciada a chegada de novos povoadores da região. Em torno da igreja florescem poucas residências e alguns pontos comerciais, atrativos para a única movimentação do lugar. Porém, o lugarejo permaneceu sem qualquer liderança por muitos anos, adentrando o século XX com quase tudo na mesma condição de vinte anos antes. Em 1904, o então presidente da República, Dr. Rodrigues Alves, autoriza a construção da ferrovia para o sertão noroeste do Estado, em direção a Mato Grosso. Desbravado o sertão, aprofundaram se os conflitos com os índios, algo considerado  interminável para quem tinha intenção de se fixar na região. A ferrovia passa ao largo do povoado e a região ficou por muitos anos esquecida. Na década de 1920, durante o governo de Epitácio Pessoa, os habitantes do povoado começam a se movimentar, visando melhorias. Até o ano de 1922, essas terras tinham a designação de Nossa Senhora Rainha dos Anjos do Batalha e se subordinavam a Iacanga, e à comarca de Pederneiras.

CRIAÇÃO DO DISTRITO
Não aceitando ficar sem os benefícios do progresso, buscam ajuda junto aos Deputados Paula Souza, Machado Pedroso, Tirso Martins e Trajano Machado, que, conjuntamente, em 13de outubro de1922, apresentam o projeto de criação de um Distrito de Paz para a povoação. Em menos de um mês o projeto é apreciado e aprovado na sessão de 20 de novembro de1922. O presidente do Estado de São Paulo (designação do então governador), Dr. Washington Luiz Pereira de Souza, sanciona o Decreto Lei Estadual nº 1890, em 13 de dezembro de 1922, e cria o Distrito de Paz de Batalha, no município de Pederneiras, comarca de Jaú. Apenas dois anos depois, o Distrito de Paz de Iacanga , também pertencente a Pederneiras e à comarca de Jaú, é elevado a município e passa a ter para si a jurisdição de Batalha. No ano de 1933, a população de Batalha, descontente com a prefeitura de Iacanga, à qual se subordina, solicita através de seus Deputados a transferência para o município  e comarca de Pirajuí. Isso ocorre em maio de 1934. Depois do padre Jeremias, outro com grande importância para o desenvolvimento local foi o padre Moisés de Miranda, que se destacou perante a população do povoado, fazendo com que todos se unissem para dotar a cidade dos melhoramentos necessários. Em maio de 1937, as obras da igreja encontravam se adiantadas e o padre Moisés de Miranda, não media esforços junto à comunidade  para que as mesmas não sofressem interrupção. Nessa mesma ocasião, conseguiu junto ao Bispo de Cafelândia a doação de um terreno da igreja à subprefeitura de Batalha, para ali ser instalado o setor de energia elétrica. Em 1944, atendendo  pedido da subprefeitura de Batalha, a igreja doa um terreno junto ao largo da Matriz para a construção de um Grupo Escolar para atendimento  de aproximadamente 160 alunos. A inauguração ocorreu em 21/07/1945, com a presença de muitas autoridades regionais, e à noite, nas dependências da própria escola, realizou-se um baile, abrilhantado por uma banda de Pirajuí.

CRIAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO
A emancipação de Batalha, elevando o a condição de município, ocorre através do Decreto Lei Estadual nº 233, de 24de dezembro de 1948, com a denominação de Reginópolis, desmembrado do município de Pirajuí. Sua instalação verificou se em 03 de abril de 1949, após intensa manifestação dos moradores.

ORIGEM DO NOME

REGINA = RAINHA
POLIS = CIDADE
REGINÓPOLIS “CIDADE RAINHA”

O PIONEIRO: INÁCIO FRANCISCO DA SILVA
Testemunha ocular dos acontecimentos de seu tempo, um personagem muito conhecido na história da cidade, dos poucos que tiveram seu nome perpetuado ao longo dos anos foi o senhor Inácio Francisco da Silva. Negro, trabalhador da terra, nasceu na região de Soturna (hoje Arealva), pertencente a Jaú, já no vigor da Lei do Ventre Livre e se instalou junto ao rio Batalha como desbravador. “Veio para desmatar, morando em pequenos agrupamentos junto aos índios, tendo bom relacionamento com eles, e quando conseguiu levantar sua casinha trouxe a família. Viajava longos percursos com carro de boi trazendo sal e mantimentos. Ajudou a serrar a madeira na construção da primeira igreja”, são histórias contadas pela neta Maria Julia da Silva Paula. Teve sete filhos e pouco participou na luta fratricida pela conquista da terra, mas conquistou o seu quinhão pelo pioneirismo.Homem de pouca instrução, afirmava ter perdido a grande maioria nos entraves cartoriais da época. Morou numa casa típica daquela época, toda de madeira, alta, com um porão na parte inferior, tendo forno de lenha e um pilão, onde as filhas trabalhavam manualmente o dia todo, revezando-se no preparo dos alimentos. Foi de um tempo onde se produzia a maioria do que se consumia, bebia-se agua de mina, café preparado na enxada e lenha buscada na cabeça. “Vamos lá no Mangá do Inácio”, era frase proferida por muitos que desfrutaram de sua hospitalidade. Após sua morte, em 1963, uma pequena rua leva seu nome, trecho da antiga estrada que levava ao seu sitio.
Fonte:   LIVRO –“REGINÓPOLIS SUA HISTORIA”
Autores: FAUSTO BERGOCCE e HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO
Colaboração: PREFEITURA MUNICIPAL DE REGINÓPOLIS
Gentílico: Reginopolitano

GALERIA DE PREFEITOS

HILÁRIO SPURI JORGE03/04/1949 à 06/04/1953
ATILIO FERRO07/04/1953 à 06/04/1957
HILÁRIO SPURI JORGE07/04/1957 à 06/04/1961
NATALINO TRIZZI07/04/1961 à 05/04/1965
CANDIDO DIAS DE FREITAS07/04/1961 à 05/04/1965
JOÃO LEITE DE SAMPAIO FERRAZ JR.10/04/1965 à 27/03/1969
ANTONIO SPURI10/04/1969 à 31/12/1972
ATILIO FERRO31/01/1973 à 30/01/1977
ALAOR AUGUSTO VICENZI01/02/1977 à 31/01/1982
IVO FERRO01/02/1983 à 31/12/1988
SEBASTIÃO LUIZ DE SOUZA01/01/1989 à 31/12/1992
IVO FERRO01/01/1993 à 31/06//1996
SEBASTIÃO LUIZ DE SOUZA01/01/1997 à 31/12/2000
CAROLINA ARAUJO DE SOUSA VERÍSSIMO01/01/2001 à 31/12/2004
CLAUDEMIRO UNDICIATTI01/01/2005 à 14/03/2007
ADÉCIO GUANDALIN15/03/2007 à 06/10/2008
MAURILIO PERES CAMARGO07/10/2008 à 31/12/2008
MARCO ANTONIO MARTINS BASTOS01/01/2009 à 31/12/2012
MARCO ANTONIO MARTINS BASTOS01/01/2013 à 31/12/2016
OVÍDIO LÁZARI JUNIOR01/01/2017 à 31/12/2020

OBS.: O Sr. HILÁRIO SPURI JORGE, foi o primeiro Prefeito de Reginópolis.