HISTÓRICO


A ORIGEM
É difícil estabelecer-se uma cronologia da vinda dos primeiros desbravadores dos sertões de Mirandópolis, pela inexistência de registros. Informações dignas de crédito apontam o senhor Osvaldo Leite Ribeiro como o primeiro comprador de uma gleba de terras, diretamente do Senador Rodolfo Miranda, na qual formou a Fazenda Primavera e, tempos depois, a Fazenda Placa, por volta de 1920. Nessa mesma época, já existiam, na vertente do Rio Feio, algumas “posses”, que pertenciam principalmente a Modesto Junqueira e ao Dr. Raul da Cunha Bueno. Nos primeiros anos de 1920, chegaram os primeiros baianos, cujo número logo aumentou para formar um expressivo contingente de povoadores pioneiros em Mirandópolis.
À mesma época, ou pouco tempo depois, chegaram os pioneiros João Domingos de Souza, Manoel Domingos, Hermelindo de Souza e seu filho Manoel Hermelindo, para citar somente os que se tornaram mais conhecidos.
Por volta de 1921, o tropeiro Ângelo Ribeiro Batista, já passava com seus comboios pela zona do espigão divisor das águas do Rio Tietê e do Rio Aguapeí, esse foi o homem que persuadiu Manoel Alves de Athaíde a comprar de Manoel Bento da Cruz, 50 alqueires na região onde hoje se ergue Mirandópolis e para cá se mudar no dia três de agosto de 1922, deixando seu bairro do Córrego Grande, no município de Araraquara.

FUNDAÇÃO DO POVOADO
Extasiado com as terras que comprara, começa logo as derrubadas. Por volta de 1934, quando as pontas dos trilhos da Variante Araçatuba - Jupiá se achavam em Valparaiso, o senhor Manoel Alves de Athaíde (há tempos já residente na região), o senador Rodolfo Miranda, Raul da Cunha Bueno, João Domingues de Souza, Francisco Batista da Rocha, Antônio Alves e Delfino Silveira Pinto, levantaram, a 32 km de Valparaíso, e a 94 km de Araçatuba, no espigão de divisor do Rio Tietê e Aguapeí, as primeiras casas que deram origem ao povoado de SÃO JOÃO DA SAUDADE.
Dono de uma próspera povoação, Manoel Alves de Athaíde esqueceu a sua situação de pequeno proprietário rural, e passou a ser chamado de Coronel, possuidor de uma vasta fortuna e de um prestígio incalculável diante de seu povo. Cuidava para que sua palavra tivesse força de lei, e não permitia uma simples festa, sem seu expresso consentimento, não aceitava conselhos e não permitia assessores, e as casas construídas só podiam ser habitadas depois de inauguradas por ele, com ruidosas noites de catira. No mesmo ano de 1934, numa rústica capela, onde se localiza hoje a Praça Central, a pedido de Manoel Alves de Athaíde, foi realizada a primeira missa, em solo mirandopolense, celebrada pelo Padre Mauro Eduardo, vigário de Valparaíso. Seu fundador declarava então fundado a cidade de seus sonhos.
Nesta mesma década, o fazendeiro Modesto Junqueira colocou à venda, em lotes, sua vasta gleba de terras. O mesmo fez o Comendador Geremia Lunardelli e, posteriormente, Cunha Bueno, o que veio a apressar o povoamento da vertente, quando alguns grileiros já haviam experimentado derrotas judiciais frente a alguns dos grupos contendores. A partir daí que o Dr. Cunha Bueno vendeu suas terras situadas do lado do Rio Tietê, o que veio possibilitar a colonização completa das terras que formariam o atual município.
De 1934 a 1955, houve muitas contradições em relação à data de fundação do município. Foi quando a Câmara Municipal acolheu o projeto do vereador Neif Mustafa, e aprovou a Lei nº. 183, de 31 de Maio de 1955, que passou a considerar oficialmente o DIA 24 DE JUNHO como dia da fundação de Mirandópolis.
Ainda em 1935, instalavam-se no povoado, as primeiras indústrias madeireiras e inúmeras máquinas de arroz e café, aguardando o inicio da produção agrícola.

FUNDADOR – MANOEL ALVES DE ATHAYDE
Manoel Alves de Ataídes nasceu em Livramento do Brumado, estado da Bahia, no dia 10 de janeiro de 1886. Era casado com à senhora Ana Luíza da Conceição, tendo o casal 12 filhos. Ainda moço, veio com a família para o estado de São Paulo, indo residir no Bairro do Córrego Grande, município de Araraquara.
 No dia 03 de agosto de 1922, transferiu sua residência para uma gleba de terras que havia adquirido, situada na vertente da margem direita do Rio Feio, nas cabeceiras do Córrego São João, onde doze anos depois fundou a cidade. O senhor Manoel Ataídes não era um homem culto. Apenas, e com dificuldade, assinava o próprio nome.

História Escrita pela Família...
Fundador da cidade de Mirandópolis, o nome correto é “Manoel Alves Dom Athaydes”, nome original da família de imigrantes de Portugal, região de Vinhateiros. Mudaram o nome porque no Brasil o título de “Dom” só é permitido para religiosos. Vieram para o Brasil duas famílias do clã dos “Alves Dom Athaydes”. A família a qual Manoel pertencia foi para a Bahia – do qual também pertence Austregésilo de Athayde, que pertenceu a Academia Brasileira de Letras.
A segunda família foi para o Rio Grande do Sul – Em Sorocaba ainda existe muitos membros dessa família. Em contato com os parentes mais velhos residentes na Bahia, diziam que Manoel Alves de Athayde, quando faleceu, já tinha passado dos Cem Anos. Segundo eles o correto seria 102 anos.
Oficialmente o fundador da cidade de Mirandópolis, já castigado pelos anos perdera o antigo vigor e a disposição para enfrentar as dificuldades surgidas. Ele veio a falecer no dia 22 de julho de 1972, aos 86 anos, reduzido a mais completa pobreza, e voltara à sua humildade de homem pobre, e quase desconhecido na própria cidade que criara.

CRIAÇÃO DO DISTRITO
O progresso do povoado reclamava quase desde os primeiros passos a sua emancipação administrativa, ou seja, a sua elevação à categoria de vila com a criação do Distrito de Paz. Foi o então que prefeito de Araçatuba, Joaquim Ferraz que se encarregou de solicitar a Assembleia Legislativa a criação do distrito.
Em 20 de março de 1937, através do Decreto Lei Estadual nº 2922, o povoado de São João da Saudade, foi elevado à categoria de Distrito de Paz com o nome alterado para “COMANDANTE ÁRBUES”, pertencente ao município de Valparaíso. Sua instalação ocorreu em 22 de maio de 1937.
Nesta ocasião o senhor Manoel Alves de Athaíde, não foi consultado para a criação do Distrito e nem ao menos em relação à mudança de nome. No ato da instalação do distrito também foi instalado o Cartório de Registro Civil e empossado seu primeiro serventuário, Alcino Nogueira de Sylos, antigo servidor da prefeitura municipal de Araçatuba.
No dia 03 de agosto de 1937, foi criada a Sub Delegacia, e nomeado seu primeiro Sub- Delegado, senhor José Ribeiro. As divisas territoriais do novo distrito ultrapassavam o Rio Feio e Aguapeí, abrangendo terras dos atuais municípios de Irapuru e Flórida Paulista. Esse território foi o que deu origem a criação daqueles municípios.

ORIGEM DO NOME
Primeiro Nome:
A povoação que deu origem à cidade foi fundada em 24 de junho de 1934, com o nome de SÃO JOÃO DA SAUDADE, em território pertencente ao município de Araçatuba.
Segundo Nome:
Pouco tempo depois, anexo a esse loteamento urbano, foi aberta outra povoação com o nome de CIDADE PAULICÉIA.
Terceiro Nome:
Em 31 de março de 1936 é inaugurada a Estação Ferroviária da Estrada de Ferro Noroeste, que foi construída entre ambos os povoados, com o nome de MIRANDÓPOLIS.
Quarto Nome:
Em 20 de março de 1937, o povoado foi elevado à condição de Distrito de Paz com o nome de COMANDANTE ÁRBUES. O nome dado ao novo distrito foi uma homenagem que a Assembléia Legislativa, quis prestar ao Coronel Pedro Árbues, antigo comandante da Força Pública do Estado.
Quinto Nome:
Por ocasião da Emancipação do  Município, o mesmo Decreto Lei alterava o nome em definitivo, para MIRANDÓPOLIS, em homenagem ao Senador Rodolfo Miranda.

A LUTA PELA EMANCIPAÇÃO
Houve muito trabalho e muita luta na criação do município de Mirandópolis. Uma Comissão formada por pessoas influentes da sociedade local teve que trabalhar bastante contra a oposição de Valparaíso, que iria perder parte de seu território, e também contra a senhora Maria Trindade Cardoso de Melo Alves Otelo, proprietária de uma parte do Patrimônio de Machado de Melo.
A senhora Maria Trindade de Melo pretendia que a sede do município a ser criado, fosse localizada em suas terras, alegando ser ali, a segunda zona do Distrito de Paz Comandante Àrbues.
Residindo em São Paulo e com fácil acesso a Junta Revisora, devido à posição social e política de seus familiares, Maria Trindade de Melo, só não conseguiu seu objetivo, devido à vigilância constante da Comissão de Mirandópolis, que foi obrigada a solicitar a vinda de um dos membros da Junta Revisora, para uma avaliação das condições das duas localidades. Finalmente a Junta Revisora do quadro Territorial Administrativo do Estado, aprovando o pedido da Comissão solicitante.
Na época da criação do município, estávamos em pleno regime instituído pelo chamado Estado Novo, criado com o golpe de Getúlio Vargas e, em função disto não gozavam de inteira autonomia administrativa. Os prefeitos eram nomeados pelos Interventores Federais no Estado e poder legislativo municipal era exercido pelo Departamento das Municipalidades.
Por isso, a Comissão que havia representado a população de Mirandópolis, junto ao Governo do Estado, logo que foi cientificada da decisão favorável da Junta Revisora, indicou o nome de Alcino Nogueira de Sylos, para o cargo de Prefeito Municipal.
Dona Trindade novamente se fez presente. Agindo junto aos Órgãos do Palácio do Governo, conseguiu modificar essa indicação, forçando a nomeação do senhor João Batista do Amaral, para o cargo de primeiro prefeito da nova cidade de Mirandópolis, recebido com protesto pela Comissão e a população. Mesmo assim, João Batista do Amaral tomou posse no novo cargo.
Nove meses depois, João Batista do Amaral, entrou em contato com o dentista, Dr. Alcides Falleiros, que o encarregou de contatar com as pessoas mais representativas da cidade, para a escolha de um substituto para seu cargo, pois entendera que a tarefa de governar, com inteira oposição do povo, seria muito difícil. Da lide resultou apenas, além de descontentamentos e incompreensões, a primeira cisão política no município.
O prefeito assinou seu pedido de renúncia, no dia 15 de outubro de 1945, e o Interventor Federal no Estado, nomeou para o cargo, Manoel Frauzino Correa.

CRIAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO
Em 30 de novembro de 1994, através do Decreto Lei Estadual nº 14334, o Distrito de Comandante Árbues, foi elevado à categoria de Município, sendo desmembrado do município de Valparaiso. Por força deste mesmo Decreto, teve seu nome alterado para Mirandópolis. Sua instalação ocorreu solenemente em 1º de Janeiro de 1945.
No ano de 1948, foram realizadas as primeiras eleições municipais, tendo sido eleito primeiro Prefeito, o senhor Delmiro Luiz Rigolon, juntamente com os vereadores que compuseram a primeira Câmara Municipal.
No começo de seu mandato começou a tomar as primeiras providências para a criação da Comarca. No final do mês de novembro de 1952, foi criada a Comarca de Mirandópolis, e em seguida nomeadas as Autoridades Judiciárias.
O Dr. Agnaldo dos Santos e João José Brandi Ramacioti foram respectivamente, os primeiros, Juiz de Direito e Promotor de Justiça.

A COLONIZAÇÃO JAPONESA
Os japoneses participaram da colonização e do desenvolvimento do município de Mirandópolis ao instalarem, nessas terras, um núcleo de colonização, dez anos antes da fundação da cidade que viria a ser a sede da comuna.
A história do município não estaria completa se nela não fosse dado lugar de destaque ao trabalho realizado por esses filhos do “País do Sol Nascente”.
Forçados pela grave crise econômica que assolava o Japão, a época, os primeiros imigrantes que vieram para o Brasil já havia em sua grande maioria, conseguido trabalho nas fazendas de café do Estado de São Paulo, diferentemente, dos que vieram para a região noroeste do Estado, estes já haviam  antes adquirido as terras que pretendiam colonizar.
Fundaram-se então, as “Associações Promotoras da Expansão Japonesa Ultramarina” (Nippon Rikkokai), com a finalidade de incentivar os que dispusessem a formar uma colônia modelo na América do Sul, onde pudessem instalar e viver com segurança. O senhor Shigueshi Nagata foi o fundador e primeiro presidente da “Nippon Rikkokai” da província de Naganoken, cidade de Shinano. Grande incentivador do movimento, Nagata congregou adeptos em seu País, ao elaborar um plano perfeito, para financiar a compra de terras à longo prazo, onde a colônia pudesse se instalar.
Em maio de 1924, o senhor Shigueshi Nagata veio ao Brasil para ultimar as negociações com o Senador Rodolfo Miranda e resolveu comprar 2.200 alqueires das terras indicadas pelo amigo Shyngoro Wako. Recebeu a competente escritura, na qualidade de presidente da Associação de Shimano, em 1º de outubro de 1924, sendo o documento lavrado no 4º Tabelionato de São Paulo.
Antes de regressar ao Japão, Nagata nomeou os senhores Chikazo Kitahara e Shyngoro Wako para diretores do núcleo de colonização, com plenos poderes para qualquer decisão. Imediatamente tomaram as providências preliminares para a instalação de Colônia, e provavelmente o primeiro ato dos diretores da entidade tenha sido a escolha do nome. Em reunião, na qual tomaram parte Shigueshi Nagata, Chikazo Kitahara, Shyngoro Wako e Taitiro Nishisawa, foi escolhido o nome “ALIANÇA”, ao qual deram o significado de “União”, “Harmonia” ou “Cooperação”.

NASCEM AS “ALIANÇAS”

Primeira Aliança:
O senhor Chikazo Kitahara, agrônomo formado no Japão e que já residia no Brasil há algum tempo, e falava o idioma português corretamente, foi indicado diretor, para organizar e dirigir a empresa colonizadora em formação.
No dia 20 de novembro de 1924, chegou ao Km 36 da estrada aberta por Rodolfo Miranda, fazendo, a pé, o percurso desde a estação de Lussanvira. Em sua companhia, vieram o carpinteiro Zokoji e um moço japonês cujo nome a história não registrou. Acamparam provisoriamente à margem da estrada e, imediatamente deram inicio aos trabalhos para que a colônia se tornasse realidade.
Demarcaram o perímetro da gleba e delimitaram a área urbana, onde pretendiam erguer a povoação-sede. Elaboraram a planta geral com a demarcação dos lotes e abriram picadas e caminhos na mata.
No exato local onde acamparam os três intrépidos pioneiros, foi mais tarde erguido o monumento comemorativo da fundação da Aliança e nele inscrita a data – 20 de Novembro de 1924.
Em agosto de 1925, os primeiros imigrantes que vieram diretamente do Japão com suas famílias para residirem na Aliança, fora: Rin Ogawa, Kyojo Suzuki, Sawata Kamijo e Shinohara. Em seguida chegaram outros grupos com o mesmo objetivo.
Em março de 1926, foram ocupados os últimos lotes, entregues aos seus adquirentes mediante sorteio, para que não houvesse reclamações a respeito da localização de cada um. Quase todos foram vendidos no Japão, diretamente aos interessados, que se comprometiam a cultivar a terra. O êxito do empreendimento colonizador da Associação Ultramarina de Shimano foi total, excedendo todas as expectativas.

Segunda Aliança:
Diante da comprovada viabilidade da empresa colonizadora, o governador da Provincia de Tottri-Ken, senhor Yukichi Shiragami, planejou e organizou a Associação de Tottori-Ken, que comprou 1.200 alqueires de terras do Senador Rodolfo Miranda. Como o número de interessados na aquisição de lotes fosse muito grande, a Associação de Shimano associou-se à Tottori-Ken e, juntas, efetuaram em 07 de agosto de 1926, a compra de 2.000 alqueires de terras do mesmo proprietário.
Mediante acordo, a colônia já em desenvolvimento passou a chamar-se Primeira Aliança e a nova colônia recebeu o nome de Segunda Aliança. Esta foi entregue à direção do senhor Massao Hashimura, enviado do Japão pela Associação Tottori-Ken.

Terceira Aliança:

Em 1927, foi fundada nova Associação Ultramarina, desta vez na Província de Toyama-Ken. Dessa feita, a compra de terras foi de 1.300 alqueires, da gleba do mesmo Rodolfo Miranda, enquanto a Associação de Shinano-Ken comprava mais 1.700 alqueires em área contígua.
Nessa gleba, que totalizava três mil alqueires, foi fundado novo núcleo de colonização denominado de Terceira Aliança, entregue a direção do senhor Kenji Matsuzawa, passando a funcionar nos moldes das anteriores, desde o dia 11 de agosto de 1927. O senhor Matsuzawa trouxe consigo, de Toyama, o senhor Banja e mais duas famílias.
O êxito das vendas dos lotes desses novos núcleos foi total e imediato. Grupos sucessivos de colonos chegavam em cada navio que aportava em Santos e em pouco tempo todos os lotes foram ocupados.

Nova Aliança:
Diante disso foi formada mais uma Associação Colonizadora, na Província de Kumamoto-Ken, que adquiriu uma nova gleba do Senador Rodolfo Miranda. Foram formados os núcleos denominados Nova Aliança, cujo diretor foi o senhor Miyo Massa Furuya, e a colônia Vila Nova, entregue a direção do senhor Shuitiro Wada, que já residia no município de Promissão.
Em 1927, chegaram os primeiros proprietários, entre os quais estava o senhor Hiroko Sano, em cujo sítio foi localizado à Estação Ferroviária de Machado de Melo. O senhor Hiroko Sano transformou sua propriedade em loteamento urbano, fundando a Cidade Espigão, à qual foi anexado um novo loteamento, denominado Amandaba, prevalecendo, entretanto, o nome da Estação Ferroviária.
As Colônias das Alianças tinha todas as características de uma província japonesa. O idioma falado era o japonês os usos e costumes eram japoneses a arquitetura, sempre que possível, copiava o estilo oriental a religião praticada pela maioria era o Budismo e o ensino nas escolas, ministrado em língua japonesa.
Apesar de algumas divergências que surgiam entre os colonos, é inegável que a colônia nipônica, instalada nas terras que vieram a constituir o município de Mirandópolis, teve pleno êxito e saíra vitoriosa a iniciativa de Shigueshi Nagata, de fundar no Brasil uma colônia modelo onde seus integrantes pudessem se fixar e viver em paz e em segurança.

A COMUNIDADE YUBA
Entre as atividades desenvolvidas pela colônia japonesa no município destacam-se as da Comunidade Yuba. Sabiamente implantada pelo grande líder Issamu Yuba, lá as famílias de agricultores laboram em regime de mútua colaboração. Orientam sua renda no interesse comum dos familiares, que, além de suas atividades na lavoura, cultivam belíssima atividade cultural que inclui: Artes Marciais, Teatro, Balé Clássico e Artes Plásticas.
Seus artistas divulgam o nome de Mirandópolis pelo Brasil e o Mundo, especialmente no Japão, para onde excursionam quase todos os anos, mostrando o deslumbrante Balé Yuba.
O caráter original da Comunidade Yuba deve-se exclusivamente às sábias idéias desse grande líder nascido no bairro Shioze, na cidade de Nishinomiya, da Província de Hyogo, de onde partiu, juntamente com seu pai, para chegarem à Fazenda Aliança, onde seus patrícios já haviam ali se instalados.
Após adquirir 40 alqueires de terras no bairro Formosa, no município de Guaraçaí, dispõe-se a fundar, junto com alguns companheiros, uma Fazenda Comunitária, que seria regida pelo lema “Criação de Uma Nova Cultura”.
Reconhecendo que o lazer e a cultura são sustentáculos da tolerância ante a vida dura de rurícola, introduziu o culto à música, ao balé e a expressão corporal entre os membros de sua comunidade, intenção essa que nunca mais encontrou barreiras, a ponto de possuírem hoje, os membros do Balé Yuba crédito artístico internacional, sem prejuízo de outras atividades de entretenimento, como os esportes que são praticados intensamente no seio da comunidade.
Atualmente, os nisseis e sanseis – os filhos e netos dos primeiros colonos das Alianças – ocupam lugar de destaque na vida comunitária de Mirandópolis, como profissionais liberais, comerciantes e políticos.

ESTAÇÃO MACHADO DE MELO
A povoação de Machado de Melo, depois sede do Distrito de Paz de Amandaba, foi, em tempos idos, um promissor aglomerado urbano. Seu fundador, Hiroko Sano, foi um dos pioneiros da colonização do Bairro Vila Nova. Aportou a estas paragens em 1927, vindo diretamente da província japonesa de Kumamoto-Ken, integrando um dos últimos grupos de colonos que adquiriram terras do Senador Rodolfo Miranda.
Provavelmente, a existência de uma nascente nas proximidades tenha determinado a escolha das terras de Hiroko Sano como local para a construção da décima estação da ferrovia (tendo em vista a necessidade de abastecer, com água, as locomotivas a vapor).
Seguindo o exemplo de outros proprietários aquinhoados com estações, Sano tratou de fundar também sua cidade. Deu-lhe o nome de “Cidade Espigão”, antes mesmo de saber qual a denominação que a direção da Noroeste adotaria para a estação.  Não podemos indicar com precisão a data da fundação do povoado de Hiroko Sano, mas, segundo informações, o fato deu-se em 1935, pouco depois da fundação de São João da Saudade. A estação ferroviária, já então denominada Machado de Melo, foi inaugurada em 1º de setembro de 1936, quando já haviam sido vendidos quase todos os lotes de terrenos constantes do projeto da pequena cidade. Esse nome foi uma homenagem ao Dr. Joaquim Machado de Melo, presidente da primeira companhia encarregada da construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.
Em 1939, o Dr. Álvaro de Soares Otero, advogado em São Paulo e proprietário de uma gleba de terras fronteiriça a de Sano, resolveu explorá-la como empresa agrícola. Sua esposa, dona Maria Trindade Cardoso de Melo de Álvares Otero, à revelia de seu marido, que jamais imiscuiu nos negócios, decidiu fundar um patrimônio urbano anexo ao de Sano.
Dona Maria Trindade era uma pessoa muito ativa, porém possuidora de um temperamento excessivamente violento e arbitrário, o que tornava seu relacionamento com qualquer pessoa bastante difícil.
Foi assim que, em 1942, ela conseguiu a criação da segunda Zona Distrital de Comandante Árbues, com sede na povoação de Machado de Melo. Nessa época ela trouxe para a vila, como seu administrador, o senhor João Batista do Amaral que depois, ainda por sua indicação, foi nomeado primeiro Prefeito de Mirandópolis.
Começou então, para o povoado de Machado de Melo, um período de franco progresso, quando seus moradores, acreditando nas afirmações de dona Maria Trindade, esperavam sua elevação a município. Isso não se deu, mas a segunda Zona Distrital passou a constituir o Distrito de Paz de Amandaba, nome escolhido e imposto por essa senhora, contrariando a vontade de todos os habitantes do distrito, que preferiam a permanência do nome antigo.
Dando sequência a seu plano de melhoramentos do distrito, Dona Maria Trindade conseguiu a instalação da Agência dos Correios e a criação do Grupo Escolar, diligenciando de tal modo, que foi ela mesma a empreiteira da construção do prédio onde foi instalado. Segundo dados oficiais, em 1951, a população do distrito de Machado de Melo era composta de 10.117 habitantes. Para atender aos desejos da população católica, Monsenhor Epifânio Ibanês fez construir a bonita capela do povoado que, apesar de espaçosa, era pequena para conter o grande número de fiéis que acorriam à missa.
Tudo levava a crer que a Vila de Amandaba progrediria sempre. Porém, as fazendas, com o tempo, se despovoaram e, em consequência, os comerciantes da vila foram obrigados a deixar a praça, por falta de condições de subsistência.
Dona Maria Trindade que, apesar de todos os defeitos morais que lhe atribuíam, foi à maior incentivadora do progresso local, mas vendeu a propriedade e retirou-se. A agência dos correios foi fechada, porque se tornara inútil. A estação ferroviária foi desativada por falta de renda compensadora. Finalmente, o próprio Distrito de Paz foi extinto, e seu cartório anexado ao do distrito da sede da comarca.
Fonte:
Trechos Extraídos da Obra “Mirandópolis – Sua Evolução no Século XX”.
Autor: Alcides Falleiros
Apoio: Secretaria Municipal de Cultura
Gentílico: Mirandopolense

GALERIA DE PREFEITOS

JOÃO BATISTA DO AMARAL01/01/1945 à 31/10/1945
IZANOR SILVEIRA DOS SANTOS01/11/1945 à 06/11/1945
MANOEL FLAUZINO CORRÊA07/11/1945 à 31/12/1947
BENEDITO JULINDO ABAKERLLI23/04/1947 à 31/12/1947
DELMIRO LUIZ RIGOLON01/01/1948 à 31/12/1951
ALCINO NOGUEIRA DE SYLOS01/01/1956 à 31/12/1959
OSVALDO BRANDI FARIA01/01/1952 à 31/12/1955
GRALDO DA SILVA BRAGA01/01/1960 à 31/12/1963
ANTÔNIO SANVITO26/08/1963 à 05/10/1963
JORGE MALULY NETO01/01/1964 à 14/08/1966
SAVERO TRAMONTE15/08/1966 à 31/01/1969
LOURENÇO MARCOS FERNANDES01/02/1969 à 03/01/1973
OSVALDO BRANDI FARIA01/02/1973 à 31/08/1975
ANTÔNIO DUENHAS MONREAL01/09/1975 à 31/11/1975
OSVALDO BRANDI FARIA01/12/1975 à 31/07/1976
ANTÔNIO DUENHAS MONREAL01/08/1976 à 31/11/1976
OSVALDO BRANDI FARIA01/12/1976 à 28/01/1977
LOURENÇO MARCOS FERNANDES01/02/1977 à 29/04/1980
TOORU KAMIJO30/04/1980 à 01/06/1980
LOURENÇO MARCOS FERNANDES02/06/1980 à 31/01/1983
OSVALDO TEIXEIRA MENDES01/02/1983 à 23/03/1983
MARIA HELENA FERNANDES MENDES06/12/1983 à 15/06/1985
WALDEMAR FRANCISCO DE LIMA16/06/1985 à 31/12/1988
MITSUTOSHI IKEJIRE01/01/1989 à 31/12/1992
JOSÉ PEDRO ZANON JÚNIOR01/01/1993 à 31/12/1996
JORGE DE FARIA MALULY01/01/1997 à 31/12/2000
JORGE DE FARIA MALULY01/01/2001 à 31/12/2004
JOSÉ ANTÔNIO RODRIGUES01/01/2005 à 31/12/2008
JOSÉ ANTÔNIO RODRIGUES01/01/2009 à 31/12/2012
FRANCISCO ANTÔNIO PASSARELLI MOMESSO01/01/2013 à 31/12/2016
REGINA CELIA MUSTAFA ARAUJO01/01/2017 à 31/12/2020

OBS. O Sr. JOÃO BATISTA DO AMARAL foi o primeiro Prefeito de Mirandópolis.