HISTÓRICO


A ORIGEM
Em 1922 existiam latifúndios que conservavam praticamente intactas a extensa mata tropical, onde apenas existiam estreitos picadões de uma propriedade a outra, e serviam de meios de ligação. Dentre estes latifúndios, existia um no Vale do Rio do Peixe, de propriedade do Coronel João Gomes Martins, de nacionalidade portuguesa, nasceu na Ilha da Madeira em 18 de dezembro de 1887, falecendo em 10 de setembro de 1937, na capital paulista. Ele inicia o retalhamento de pequenas glebas em terras de sua propriedade situadas ao longo do Ribeirão dos Índios, afluente do Rio do Peixe. O primeiro homem civilizado a fixar-se nas terras compreendidas entre os córregos do Arco, Arapuá e Índios, foi o senhor Antônio Feitor, estabelecendo-se em terras que mais tarde, nos anos de 1970, pertenceu ao senhor Palmério do Nascimento. Vencendo inúmeros obstáculos, penetrou pelas margens do Ribeirão Claro, seguindo pela reta denominada Montalvão, através da exígua picada aberta na mata virgem, até atingir o local onde ergueu seu primitivo rancho.

FUNDAÇÃO DO POVOADO

Tal fato ocorreu nos últimos meses de 1922. Abatendo alguns alqueires de espessa mata, semeou as primeiras culturas e tratou de lançar ao solo o Capim Jaraguá, formando a primeira invernada. A denominação Jaraguá, como homenagem à primeira vegetação ali plantada pela mão do homem civilizado, permanece até os dias de hoje. Após cerca de dois anos de permanência do senhor Antônio Feitor naquele local, tem início a chegada dos primeiros colonos, ao adquirirem pequenas glebas da Colonizadora João Gomes Martins. Esses colonos vieram da Zona Velha do Estado de São Paulo, onde predominaram os de origem italiana ou descendentes, principalmente vindos de Pitangueiras, Itajobi, Viradouro e Zona Mogiana. Chegaram, portanto, as famílias de João e José Basso, Domingos Grilo, Carlos Crepaldi, Ermínio e Francisco Cancian, Benjamim Cacheffo, João Defendi, Guido Bordon, Francisco Altomar, Domingos Scalon, Vicente Zanutto, Manoel Real, Irmãos Bortolan, Joaquim da Costa e JacioCotrin, integrando a primeira grande leva de colonizadores de Ribeirão dos Índios, Arapuá e Arco. Com o passar dos meses foi o primeiro e grande contingente reforçado pelas famílias Marin, Volpe, Icheco e Silvestre. Naquela área, nas cabeceiras do Ribeirão dos Índios, surge no ano de 1925, um pequeno povoado do mesmo nome, devido ao fato deste ser o principal córrego, o qual banha uma vasta região de terras férteis. O nome não condiz, contudo, com a realidade, pois que jamais se constatou naquela bacia a existência de indígenas. O selvícolavia de regra procurava os grandes rios, a abundância da caça, as condições favoráveis e seu aldeamento. Entretanto, velhos habitantes da região afirmam que há muitos anos foram encontrados instrumentos de fabricação nativa, o que pode corresponder a apenas rápidas passagens de índios. Ainda em 1925, na zona reservada ao Povoado, surgem roças de milho e cereais, aproveitando as recentes derrubadas.

CRIAÇÃO DO DISTRITO
Em 26 de dezembro de 1936, através do Decreto Lei Estadual nº 2793, o povoado foi elevado à categoria de Distrito com a denominação de Ribeirão dos Índios, sancionado pelo Governador Dr. Armando Sales de Oliveira. A instalação do cartório deu-se em 8 de março do ano seguinte, sendo presidida pelo então Juiz de Direito da Comarca de Santo Anastácio, Dr. Ulisses Dória. A condição de Distrito pertencente ao município de Santo Anastácio permaneceu até o ano de 1995, apesar da grande luta da população para tornar-se independente, já que possuía todos os requisitos para tal.

CRIAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO
Em 27 de dezembro de 1995, através do Decreto Lei Estadual nº 9330, o Distrito é elevado à categoria de Município, com a denominação de Ribeirão dos Índios, desmembrado do município de Santo Anastácio, assinada pelo Governador Mário Covas.

O COMBATENTE - PEDRO OSTETE
A Segunda Guerra Mundial foi iniciada em 01 de setembro de 1939 pela Alemanha, quando Hitler ordenou a invasão da Polônia. Em 23 de maio de 1942 o Brasil assinou o acordo de Washington, o qual estava previsto o fornecimento de matéria-prima aos Estados Unidos. O Eixo Roma-Berlim havia tomado à França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Polônia e Dinamarca, enquanto a Inglaterra amargava o desespero com o fracasso da retirada de Dunquerque. Em Stalingrado os alemães sofreram uma grande derrota e a guerra tomava novo rumo. No Brasil, em 21 de agosto de 1942, o Chanceler Osvaldo Aranha anunciou oficialmente que o País declarava guerra à Alemanha, Itália e Japão. De declaração formal, ao embarque das tropas brasileiras para a Itália decorreu um período relativamente longe, entretanto os preparativos foram iniciados praticamente naquele mesmo dia. Contudo, passou-se algum tempo antes que a ideia de formação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) ganhasse contorno definitivo e ficasse clara a necessidade de seu embarque para a Europa. Intensificou se então os preparativos para o envio da Força. Criada por Decreto no dia 23 de novembro de 1943, a Força Expedicionária Brasileira foi superando, vagarosamente e com muito esforço, todos os problemas. Em virtude do desaparelhamento militar do país, a FEB nasce sem um arsenal de guerra, sem treinamento de campanha, sem condições de enfrentar o frio e as condições mais adversas do combate em campo inimigo e desconhecido. Além disso, a doutrina militar vigente no país, à época do conflito, era um tanto ultrapassada (Missão Francesa) segundo alguns historiadores, além dos contundentes problemas financeiros do país vigentes na época, e mais grave, a inexperiência em ações internacionais. No dia 2 de julho de 1944, sob o comando do General João Batista Mascarenhas de Moraes, embarcou para os campos de luta o primeiro escalão da FEB, e que constituiu na verdade o primeiro passo efetivo da participação ativa do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Nesse cenário triste da história mundial, o senhor  Pedro Ostete, um morador de Ribeirão dos Índios, foi convocado para servir a pátria no dia 24 de dezembro de 1941, no 2º Batalhão de Fronteira, Cáceres-MG. Com a entrada do Brasil na guerra, o soldado Ostete foi incorporado no 11º Regimento de Infantaria Expedicionário, tendo seguido para Itália, onde lá permaneceu, no período de 6 de outubro de 1944 a 4 de setembro de 1945. Em virtude de ter sido ferido, no dia 15 de abril de 1945, no combate de Montese, foi condecorado com a medalha Sangue do Brasil e já no Brasil, recebeu a medalha de Campanha da FEB. Após o seu retorno, casou-se com a senhora  Florippa Freitas Cancian, tendo os seguintes filhos: Maria Mércia, João, Marilene, Marinalva Aparecida, Marcos José e Cláudio Marcelo. O senhor Ostete chegou a Santo Anastácio no dia 12 de outubro de 1945, quando foi organizada uma Comissão de Recepção para recebê-lo, estando a frente desta comissão a direção da Legião Brasileira de Assistência. Nesse dia, o povo compareceu em massa a então Estação Sorocabana, onde os alunos do grupo escolar, ginásio municipal, escola de corte costura e Tiro de Guerra fizeram uma comemoração com grande entusiasmo e civismo. O ex Combatente Pedro Ostete recebeu a saudação do poder público municipal na palavra do senhor Felipe Marineli, na época secretário da prefeitura, tendo depois várias pessoas feito o uso da palavra, entre eles, os alunos do grupo escolar, da escola de corte e costura, Professor José Freire, representando o professorado da cidade, e Professor Romeu, que estava assumindo a direção do grupo escolar, além de autoridades da época. Confira a seguir matéria publicada no Jornal A Gazeta de São Paulo, em 24 de outubro de 1945, sobre a chegada do senhor Ostete em Santo Anastácio: Santo Anastácio recebe mais um expedicionário. Dia 19 do corrente, o município de Santo Anastácio recebeu mais um dos seus heróis da FEB - Pedro Ostete - o qual as homenagens que fazia jus, do C. M. da L. B. A., que, tendo à frente dois esforçados dirigentes, dona Themis Alves Ribeiro do Amaral,  Presidente, e o senhor Luiz Oliveiro Neto, tesoureiro, em colaboração com as autoridades e demais membros representativos do lugar, fizeram realizar um belíssimo programa cívico. Após a recepção no município, dirigiu-se a comissão promotora dos festejos para o distrito de Ribeirão dos Índios, onde reside o bravo pracinha, o qual foi alvo de uma magnifica festividade, em que todas as classes se associaram. Fizeram uso da palavra vários oradores e representantes das Instituições locais. No dia 4 de maio de 1945, o mundo começava a comemorar o fim do nazismo, o pesadelo que se desintegrava a chamada “Era Milenar do III Reich”. No dia 6 de maio do mesmo ano, o Almirante Doenitz, sucessor de Hitler, que cometera suicídio no dia anterior, oferecia a rendição geral e incondicional, enviando seu representante ao Quartel General aliado para essa missão. Assinada no dia seguinte, a rendição marcou o fim das hostilidades. Entretanto, o fim da guerra é comemorado em 8 de maio. Por sua coragem e serviços prestados à Pátria, o senhor Pedro Ostete tem seu nome dado a uma Rua de Santo Anastácio. Ele faleceu em 17 de abril de 1988.

REGISTROS DO HISTORIADOR – LINHA DO TEMPO
O primeiro a edificar um rancho de pau-a-pique foi o senhor Luiz De Pieri, em 1925, lançando assim a primeira célula do patrimônio, instalando nele um pequeno armazém de secos e molhados. Não tardou para que os habitantes da região edificassem a primeira capela, em louvor a São Bom Jesus. O senhor Júlio de Freitas edifica exígua casa, onde monta uma oficina de ferrador, e o senhor Francisco Fernandes, que vivia do transporte de carga de Santo Anastácio para o patrimônio, também constrói modesta casa. Em 1926, o senhor João Defende doa ao Bispado um quarteirão, integrando essa área aquela onde havia sido construída a primeira capela, a qual não tardou em ceder lugar aoutra de tijolos, sob orientação do improvisado construtor Luiz de Freitas. Aos seis dias do mês de agosto de 1926, foi festivamente inaugurada à nova capela. Nesse mesmo dia, pela primeira vez, pelas picadas e ruas projetadas, passou a procissão. Ainda nesse mesmo ano, o senhor Luiz de Freitas fundou a primeira escola, funcionando a luz de um lampião, adotando no ensino o método de Lancaster, e tendo entre seus alunos Paschoal Zanuto e Luiz Bordon. Uma das primeiras construções de alvenaria que ainda continua em pé,  era de propriedade do senhor  João Zanfolin. Em virtude da necessidade de terem uma melhor comunicação com a sede do município (Santo Anastácio), pois até então só existia uma estreita picada através da mata, os colonizadores, em 1924, sentem a necessidade da construção de uma estrada, o que conseguem através da cotização entre os próprios moradores daquela região. Na estrada aberta pelos colonos, foi necessária a construção de uma ponte sobre um córrego denominado Córrego da Laje, que tornou se o limite territorial entre Santo Anastácio e Ribeirão dos Índios. A estrada teve 16 km de extensão. Muito tempo depois, foi desbravada outra estrada, que liga Ribeirão dos Índios ao Rio do Peixe, necessitando também da construção de uma ponte, que faz limite territorial com a cidade de Junqueirópolis.

A CHEGADA DO TRANSPORTE
A primeira empresa de transportes de Ribeirão dos Índios foi a Empresa de Transportes São Gabriel, de propriedade de Gabriel Real. Segundo moradores antigos do município, a empresa surgiu por volta de 1940 e realizava itinerários em diversas cidades da região como Santo Anastácio, Dracena, Junqueirópolis e Tupi Paulista, possuindo quatro jardineiras, como eram chamados os antigos ônibus. Após cerca de cinco ou seis anos, a empresa foi vendida para Paulo Vicalvi e Rafael Olivério, que venderam para um terceiro dono, que por sua vez, a vendeu para os Irmãos Braga, e por último, venderam para a Empresa de Transportes Andorinha.
Fonte: ENCICLOPÉDIA MUNICIPAL BRASILEIRA – EMUBRA
Núcleo de Referencia da História do Oeste Paulista.

UMA LUTA DE CINQUENTA ANOS
A emancipação de Ribeirão dos Índios foi uma luta de cinquenta anos. Um sonho de gerações movido pelo encontro histórico, naquele pequeno pedaço de chão, entre a força dos imigrantes italianos e a obstinação dos nativos brasileiros. Tudo começou em 1922, quando a região foi retalhada em pequenas glebas. Foi polo de atração de famílias inteiras, em sua maioria de imigrantes italianos ou descendentes, que estavam espalhadas pelas regiões de Pitangueiras, Viradouro, Itajobi e Mogiana. Depois de Antônio Fator, o primeiro a chegar na região, vieram as famílias Basso, Crepaldi, Scalon, Volpe, Bortolan, Marin, Defendi, Lozzi, Cancian, Altomar, Zanutto, Bordon, Negrão, Zanfolin e tantas outras. Nasce assim, em 1925, o povoado de Ribeirão dos Índios, que ganhou este nome por causa do principal córrego que banha a região. Apesar de tal denominação, jamais foi constatada a presença indígena naquela localidade. Apenas indícios, encontrados há muito tempo atrás, como alguns instrumentos tidos como de fabricação indígena. Todas as pesquisas feitas até hoje indicam que os índios que eventualmente foram vistos por lá, estavam em trânsito para outros lugares. Com terra bastante fértil, que permitia cultivar muito algodão e milho, e criar gado de leite e de corte, Ribeirão dos Índios foi crescendo, transformando-se, em 26 de dezembro 1936, em Distrito de Santo Anastácio, através da Lei Estadual 2793. Mas seus habitantes queriam mais queriam que Ribeirão fosse um município autônomo, como havia ocorrido naquela época com Piquerobi. Por isso, há aproximadamente 50 anos atrás, começa a luta pela sua emancipação. Nesta luta de quase meio século, várias lideranças que assumiram a bandeira pela autonomia administrativa e politica de Ribeirão dos Índios se destacaram, como Fernando Marin, Gecildo Volpe, Roberto Volpe, Genésio Volpe, José Amaury Lenzoni e Odmir Marin. A principal constatação que mobilizou a população local é que, na condição de distrito, Ribeirão dava muito mais do que recebia. A impressão era de que, independente, a cidade cresceria em infraestrutura e equipamentos sociais, o que não havia crescido em 20 anos. Mas não era só impressão... Com a instalação do município, há pouco tempo, já se confirma o que todos previam – a luta cinquentenária valeu a pena.
Os primeiros Representantes – eleitos em 1996.
PREFEITO MUNICIPAL: Genésio Volpe, casado com Irene Volpe.
VICE-PREFEITO: José Amaury Lenzoni.
CÂMARA MUNICIPAL: Vereadores – Odmir Marin, Arlete Aparecida ZanforlinCancian, José Moreira Soares, Hernandes Marin, Wanderley Aparecido Fernandes, Elza ZanutoLenzoni, Antônio Vicente da Silva, Jair José Zanfolin e Fátima Bordinasi Fonseca.
ESTE TEXTO É DE AUTORIA DO DEPUTADO EDINHO ARÚJO, AUTOR DA LEI 651/90 DAS EMANCIPAÇÕES.
Gentílico:
Riberindio

GALERIA DE PREFEITOS

GENÉSIO VOLPE01/01/1997 à 31/12/2000
GENÉSIO VOLPE01/01/2001 à 31/12/2004
JOSÉ AMAURI LENZONI01/01/2005 à 31/12/2008
JOSÉ AMAURI LENZONI01/01/2009 à 31/12/2012
ARLETE APARECIDA ZANFOLIN CANCIAN01/01/2013 à 31/12/2016
JOSÉ AMAURI LENZONI01/01/2017 à 31/12/2020

OBS.: O Sr. GENÉSIO VOLPE foi o primeiro Prefeito de Ribeirão dos Índios