HISTÓRICO


A ORIGEM
O desbravamento e a colonização do sertão do Vale do Paranapanema foram algumas das maiores façanhas da história regional. Foi nesse território que nasceu Presidente Bernardes, a antiga povoação de Guarucaia. Em 1º de novembro de 1919, havia sido inaugurada a Estação da Estrada de Ferro Sorocabana. Tornava-se mais fácil, aos interessados na compra dos lotes de terras férteis, chegarem à primitiva gleba.

FUNDAÇÃO DO POVOADO
O Povoado de Presidente Bernardes teve seu projeto urbano traçado em 1920,  pelo Cel. José Soares Marcondes. A área pertencia ao imóvel Lins de Vasconcelos, cujo retalhamento foi contratado em 1919, para os terrenos onde atualmente está situado o município, ao sul da linha da FEPASA. A parte norte da linha, um imóvel de 50 mil alqueires, pertencia à firma Ramos, Porto e Cia, que o adquirira da Companhia dos Fazendeiros, que por sua vez recebera, por permuta, do Cel. Manoel Goulart. Da firma Ramos, Porto e Cia, faziam parte os irmãos Luiz Ramos e Silva e Arthur Ramos e Silva Júnior, tendo o primeiro, aberto loteamentos em Santo Anastácio e Piquerobi. Já Arthur Ramos fixou-se na Fazenda Guarucaia, em Bernardes. Os lotes eram pequenos, situados em terras férteis próprias para a agricultura. Ao sul, da firma Ramos, as terras foram divididas para várias finalidades, porém, a maior área foi para a pecuária. A propriedade era, na época, fazenda de café, cujos pés foram posteriormente cortados.
As pessoas que adquiriram os primeiros lotes, pertenciam a famílias, cujos herdeiros dos pioneiros ainda vivem em Presidente Bernardes: Nonato, Jacometto, Pessoto, Lentini, Gasparim, Girotto, Puglia, De Vitto, Fazioni, Bonini, Barbieri, Finco, Bovolato, Denardi, Tesini, Galindo, Rodenas, Munhoz, Cubatelli, Bellitato, Ciste, Brandi, Banhetti, Pretti, Belotto, Franzini, Reverte, Morata, Sposito, Ré, Redivo, Castaldelli, Belonci, Giusti, Spolador, Corredato, Biembenguti, Francischetti, Denari, Jordão, Belleza, Munhoz de Aro, Gallego, Monteiro, Navarro, Sanches, Zamaro, Toneto, Fredo, Lorençoni, Momin, Marchi, Marlon, Nava.

ELABORAÇÃO DA PLANTA DA CIDADE
A locação da cidade foi feita por Francisco Cunha, a planta foi traçada pelo engenheiro Christiano Ribeiro da Luz, diretor técnico da Companhia Marcondes de Colonização, em São Paulo. Sem conhecer o terreno, ele traçou uma planta plana, vindo às ruas a cair em terrenos acidentados, o que resultou nos aclives que existem ainda hoje na cidade. Segundo Francisco Cunha, em 10 de setembro de 1920, a primeira casa foi locada, e pertencia ao senhor Sebastião Moreira, que nela montara uma pensão. Foi construída no alinhamento da atual Rua Cel. Manoel Roberto Barbosa, pouco além da Estação da Estrada de Ferro. Outra casa de que se tem notícia é de Antônio Moca, construída em junho de 1922. Ficava na esquina onde atualmente se encontra o prédio dos Bremer, no qual funciona uma locadora de vídeo. A capela primitiva, existente na atual Praça Dr. Arthur Ramos e Silva Júnior era  de madeira, e ficava inteiramente lotada nos dias em que havia festas.

ORIGEM DO NOME
A cidade teve nomes diversos ao que ostenta atualmente. Era comum, na época, ligar nomes de povoados a rios, córregos, árvores nativas e até animais que viviam na imensa floresta. Eis os nomes ostentados pelo município:
GUARUCAIA - Existem duas versões para a origem do nome Guarucaia. Uma veio do engenheiro João Carlos Fairbanks, responsável pelo projeto de construção da Estrada de Ferro Sorocabana. Segundo ele, o batismo foi extraído de uma gigantesca árvore da família guarucaia, que existia no local onde foi erguida a Estação Ferroviária. A segunda versão foi dada pelo agrimensor Francisco Cunha, e possui semelhança com a versão de João Fairbanks. Ele apontou como origem a exuberância das guarucaias na região, e não apenas uma única árvore frondosa no terreno da Estação.
PRESIDENTE BERNARDES - Os trilhos foram definitivamente assentados. Mais tarde, a diretoria da Estrada de Ferro Sorocabana trouxe a determinação do Governador do Estado de dar outro batismo ao terminal, que passou a chamar-se Presidente Bernardes. Uma homenagem a Artur da Silva Bernardes, um estadista brasileiro que nasceu em Viçosa, Estado de Minas Gerais, em 1875, e foi Presidente da República de 1922 a 1926.
NILO PEÇANHA - Uma placa com o nome Estação Presidente Bernardes foi instalada na Estação de Trens, o que não agradou a uma tropa da Revolução de 1924, comandada pelo General Isidoro Dias Lopes, que esteve na região. Os soldados retiraram a placa, substituindo-a  com o nome de Nilo Peçanha, estadista e político brasileiro, eleito Vice-presidente da República para o quadriênio 1906-1910. A troca da placa e do nome do homenageado causou desagrado à população. Logo que a revolução acabou a placa inicial foi recolocada, retomando o nome de Presidente Bernardes.

CRIAÇÃO DO DISTRITO
O progresso chegou rápido e o patrimônio virou cidade, chegando o momento de o povo e autoridades defenderem a criação do Distrito de Paz, dentro do território de Presidente Prudente. Uma vitória que veio através do Decreto Lei Estadual nº 2084, de 15 de dezembro de 1925.

CRIAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO
Em 23 de janeiro de 1935, através do Decreto Lei Estadual nº 6914, o Distrito foi elevado à categoria de Município, com a denominação de Presidente Bernardes, desmembrado do município de Presidente Prudente. Sua instalação verificou se em 14 de fevereiro de 1935.

BIOGRAFIA - PRESIDENTE BERNARDES
Artur da Silva Bernardes foi um grande estadista brasileiro, nascido em Viçosa, Minas Gerais, em 1875. Foi Deputado em Minas, Secretário da Câmara, Secretário da Fazenda e Presidente da República (1922 a 1926), embora houvesse, na época, forte oposição popular. Em 1924, combateu a revolta dos paulistas, liderada pelo General Isidoro Dias Lopes. Em 1932, solidarizou-se com os paulistas no movimento revolucionário. Presidente do Partido Republicano Mineiro, elegeu se Deputado Federal para o mandato de 1934 até 1937,Deputado da Constituinte, em 1946, e Deputado federal em 1954.O político Artur da Silva Bernardes morreu no Rio de Janeiro em 1955.

REGISTROS DO HISTORIADOR – LINHA DO TEMPO
É impossível contar a história de Presidente Bernardes sem mencionar os japoneses, que participaram desde o início de seu desbravamento, ombro a ombro com os pioneiros. Foi em 1919 que chegou à povoação de Guarucaia, o primeiro imigrante japonês: o senhor Yomoso Okamoto. Sua família localizou-se no quilômetro 12, onde hoje se situa o distrito de Araxãs. Aberto o caminho para a colonização, e incentivados por Okamoto, vieram, posteriormente, outras famílias, entre elas, os Osaki, Momii e Nakata. Em junho de 1927 instalou-se na gleba a família Inague. O chefe, senhor  KumagiroInague, primeiro localizou se na zona rural, na Fazenda Guarucaia, transferindo-se posteriormente para a cidade, onde se dedicou ao comércio e à indústria. Pela ajuda e colaboração dada às atividades em prol da cidade e em benefício de sua população, tem hoje seu nome dado a uma rua da cidade, e um busto na Praça Trajano da Silva Pontes. No mesmo ano, chegou à família Shiraishi que, junto com a família Inague, formaram entre os pioneiros da colônia japonesa em Presidente Bernardes. O número de japoneses cresceu continuamente, e atingiu, em 1949, a 900 famílias, atraídas pela fertilidade das terras. No dia 18 de junho de 1958, comemorando o cinquentenário da imigração japonesa no Brasil, os japoneses doaram um pavilhão para o Asilo São Vicente de Paulo.
Em 1959, a Associação Cultural Agrícola e Esportiva, que congrega os membros da colônia, realizou a primeira Exposição de Produtos Agrícolas de Presidente Bernardes, em colaboração com a Secretaria de Agricultura, Casa da Lavoura e Prefeitura Municipal. Em 1949, quando a colônia esteve no auge, as 900 famílias possuíam 10.000 alqueires de terras, produzindo, em sua maioria, produtos agrícolas, poucos se dedicando à pecuária. Certamente, a colônia japonesa desempenhou um importante papel para o desenvolvimento e prosperidade de Presidente Bernardes, de onde já saíram pessoas influentes na sociedade como políticos, magistrados, médicos, engenheiros, delegados de polícia, promotores de justiça e juízes de direito, que contribuíram e continuam contribuindo para o avanço do município nas mais diversas áreas.
O primeiro Vigário da Paróquia foi o padre David Corso, que juntamente com o prefeito Ricardo Costacurta, construiu a Igreja Matriz, contando também com a ajuda de toda a população bernardense, marcada pela religiosidade. Quando do loteamento do município a sede da Comarca era em Campos Novos do Paranapanema.
O primeiro cinema, que passava filmes mudos, foi construído pelos irmãos Bremer. O senhor Pedro Karrer cuidava da música. A Casa Nova é o estabelecimento comercial mais antigo em funcionamento na cidade. Foi instalada em 21 de abril de 1929, por Izaltino Brochado. Desde o início das atividades, sempre funcionou à Rua Padre Anchieta, nº 188. O prédio passou por várias reformas ao longo dos anos, mas nunca mudou de endereço.
Em 1958, dois anos antes do falecimento do senhor  Izaltino Brochado, o gerenciamento do comércio foi transferido para os seus três filhos, Nilton Brochado, Altair Brochado e Mirtes Brochado. Com o falecimento de Altair e devido aos problemas de saúde de Mirtes, a loja atualmente está sob a direção de Nilton Brochado e Nilton Brochado Júnior. No início, a Casa Nova vendia todos os tipos de produtos que uma comunidade pudesse, na época, necessitar, como remédios, produtos alimentícios e roupas, entre outros itens. Com o passar dos anos a loja foi segmentada e especializada nas vendas de artigos de confecções de cama, mesa e banho.
FATO CURIOSO - Os moradores antigos de Presidente Bernardes contam uma história no mínimo curiosa, envolvendo o fundador da Casa Nova, senhor Izaltino Brochado, e o ex-prefeito Alfredo Westin Júnior. Um funcionário da prefeitura, chamado Oliveira, havia sido demitido, e por causa disso, prometera matar Alfredo Westin Júnior, prefeito de Bernardes de 1938 a 1945. Certo dia, este funcionário empunhou uma arma em frente ao local onde atualmente está localizado o Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais, desferindo dois tiros em direção ao prefeito, salvo pelo relógio de bolso de Izaltino Brochado, que estava sentando em uma cadeira próxima ao prefeito. O primeiro tiro quebrou o vidro do relógio e o segundo ricocheteou, deixando o prefeito sem ferimentos.
VILA NOVA - A Vila Nova, um dos bairros mais antigos e importantes da cidade, foi loteada por Oscar Hermanny. Ali funcionou uma grande serraria, que provocou o surgimento de inúmeras casas, onde moravam seus funcionários. A rua principal, que saia do viaduto da Estrada de Ferro Sorocabana, era passagem dos veículos que se dirigiam a Álvares Machado e Presidente Prudente, quando ainda não existia a Rodovia Raposo Tavares. O primeiro dentista a instalar-se na cidade foi o Dr. Jacinto Ferreira da Silva, que posteriormente transferiu sua residência para Presidente Prudente, onde fundou a primeira empresa de transporte urbano de passageiros. Não se tem muitas informações do italiano Dr. Rizzo, tido como o primeiro médico a trabalhar no município. Era um clinico geral que atendia a todos, indistintamente. Sabe-se que sua vinda ao município deveu-se ao convite do Dr. Arthur Ramos e Silva. Muitos dos mais antigos moradores ainda se lembram do senhor João Wittica, o primeiro alfaiate a se instalar em Presidente Bernardes. Sua oficina era muito movimentada e requisitada pelos elegantes da cidade, que faziam seus ternos e calças sob medida. Chegou a ter uma grande alfaiataria, formando muitos profissionais que depois instalaram suas próprias oficinas. O primeiro hotel surgiu da ideia do senhor Sebastião Moreira, em construir um local para abrigar os interessados em se instalar no lugarejo que nascia. O senhor Antônio da Silva Ramos, um antigo tropeiro que chegou ao município, foi o primeiro a ter a ideia de instalar uma oficina para atender os proprietários rurais que possuíam tropas de cavalos e que exigiam a troca constante de ferraduras. O mesmo construía arados e outras ferramentas utilizadas na lavoura. A necessidade de atendimento aos primeiros carros Ford Bigode que trafegavam pelas ruas arrancando suspiros das jovens e do restante da população fizeram com que o senhor Francisco Montini instalasse uma pequena oficina mecânica. Descendente de italianos e um dos poucos músicos que chegaram ao novo local, efizeram do senhor João Milani o primeiro maestro a dar aulas a quem pretendesse aprender música, e daí tocar algum instrumento. Com o tempo os alunos formaram a primeira banda musical, que abrilhantava as festas promovidas pelos moradores.
Fonte: ENCICLOPÉDIA MUNICIPAL BRASILEIRA – EMUBRA
Núcleo de Referencia da História do Oeste Paulista
Gentílico: Bernardense

GALERIA DE PREFEITOS

RICARDO COSTA CURTA1935 à 1937
ALFREDO WESTIN JÚNIOR1938 à 1945
JOÃO JULIÃO MOREIRA1945 à 1946
AGNELLO SPIRIDIÃO JÚNIOR1946 à 1947
JUSTINO ANDRADE1947 à 1948
TRAJANO DA SILVA PONTES1948 à 1952
JUSTINO ANDRADE1952 à 1955
TRAJANO DA SILVA PONTES1956 à 1959
LEONILDO DENARI1960 à 1963
ARMENIO DIAS WESTIN1964 à 1968
CLEMENTE MORATA RAMON1969  à 1972
LEONILDO DENARI JUNIOR1973 à 1976
JOÃO ROBERTO MAROQUIO1977 à 1982
MANOEL INÁCIO CAVALCANTI1983 à 1988
JULIO OMAR RODRIGUES1989 à 1992
VALDIR SALIE CORREIA01/01/1993 à 31/12/1996
JULIO OMAR RODRIGUES01/01/1997 à 31/12/2000
HUMBERTO LAÉRCIO BASTOS DE SOUZA01/01/2001 à 31/12/2004
HÉLIO DOS SANTOS MAZZO01/01/2005 à 31/12/2008
WILSON ANTONIO DE BARROS01/01/2009 à 31/12/2012
JULIO OMAR RODRIGUES01/01/2013 à 31/12/2016
LUCCAS INAGUE RODRIGUES01/01/2017 à 31/12/2020

OBS.: O Sr. RICARDO COSTA CURTA, foi o primeiro Prefeito de Presidente Bernardes.