HISTÓRICO


A ORIGEM
O Coronel Eduardo de Souza Porto nasceu em 28 de setembro de 1864, em Brotas, e  viveu sua infância e parte de sua mocidade na cidade de Amparo, interior de São Paulo. Era filho de José Benício Porto e Ana de Souza. Estudou agronomia, sem se formar. Casou-se em Serra Negra, em 20 de dezembro de 1891, com Laura Silveira Campos, com quem teve 14 filhos. Em 1895, mudou-se para São Manoel do Paraiso, ponto final, naquele tempo, da Estrada de Ferro Sorocabana. Nesse mesmo ano comprou 200 alqueires de terras, nos sertões desconhecidos. Já era possuidor do título de Coronel, conforme constou nas escrituras de compras de terras da Fazenda Ribeirão das Antas. E, em 1897, veio com Pedro Alves Pacheco e mais nove camaradas, para localizar e tomar posse das terras que havia comprado. Como os antigos bandeirantes, também precisavam seguir os cursos dos rios. Vieram a cavalo fazendo picadas, de São Manoel do Paraiso, até Morro Redondo (atual Piratininga) na fazenda de seu amigo João Pereira. Trazia nas mãos uma bússola e a escritura das terras. De lá, seguiram a pé, margeando o rio Alambarí, até encontrar a embocadura do Rio das Antas, no sentido nascente, até encontrar a barra de um riacho, que hoje tem o nome de Eduardo de Souza Porto. Margearam esse riacho e encontraram a gleba procurada. Derrubaram mato, construíram ranchos de pau-a-pique e voltaram para São Manoel do Paraiso. Voltaram por dentro e por terra, fazendo picadas. E, orientando-se, com a bússola, Eduardo de Souza Porto encontrou o Morro Redondo. Um camarada, de nome Pinheirão, à beira de um riacho, disse que tinha visto uma onça. O riacho levou o nome de Água da Onça. Em 27 de dezembro de 1897, o Coronel Eduardo de Souza Porto comprou 45 alqueires da Fazenda Ribeirão das Antas, do proprietário e médico Doutor Ângelo Tavares, pertencentes à freguesia de São Pedro do Turvo. Em 1898, o Coronel Eduardo de Souza Porto e seus camaradas, plantaram um pouco de cana, e a primeira lavoura de café (20.000 pés), que estava formada em 1902, na Fazenda Santana. Iniciou-se, às margens do Rio das Antas, um plano de catequese dos índios. Construiu-se, uma igreja de madeira às margens do Rio das Antas, em terras da Fazenda Igurê, e junto a uma tribo de índios Caingangues. O Coronel Eduardo de Souza Porto, foi então buscar sua mulher. Ela veio carregada num Banguê, pois estava grávida. Banguê era uma liteira transportada por dois animais, com teto e cortinados de couro. É inegável a bravura desses pioneiros. Depois que trouxe a família, sua primeira preocupação foi criar uma escola, a primeira dessa região. As escolas primárias eram privilégios das grandes cidades. Essa escola foi criada, construída e mantida por ele, inclusive com a contratação e o pagamento de professores, até 1928, quando passou a ser Escola Estadual. O Coronel Eduardo de Souza Porto foi um desbravador e de muita importância para a região: construiu caminhos (estradas), para que o desenvolvimento da civilização chegasse ao sertão. Durante muito tempo sua propriedade foi o último ponto de referência, no mapa do Estado de São Paulo, na região da Alta Paulista. Em 1904, a última povoação, às margens do rio das Antas, é Eduardo Porto. Quem vinha da região noroeste do Estado de São Paulo e ia para a sorocabana, passava pela Fazenda Santana ou Povoado EDUARDO PORTO. Neste Povoado, naquela época, já existia plantação de café, uma olaria, um engenho de cana de açúcar, uma represa de água e máquina de benefício de café. Portanto, a Fazenda Santana foi considerada uma verdadeira povoação, tendo, inclusive, uma Pousada para os viajantes e tropeiros que por lá passavam.

FUNDAÇÃO DO POVOADO
No mesmo ano da fundação do Patrimônio de São José das Antas (atual Gália), o senhor Manoel Salustiano Cavalcanti e Amadeu Batista dividem suas terras, para formar o Povoado de NOSSA SENHORA APARECIDA DAS ANTAS, (ATUAL FERNÃO) segundo José, filho de Salvador Dias de Almeida, provavelmente em 8 de dezembro de 1925. As terras pertenciam ao Distrito de Santa Luzia, município de Piratininga e Comarca de Agudos. Era necessária uma estação de trem, para que se escoassem os produtos agrícolas do Coronel Eduardo de Souza Porto e fazendeiros da região, que até a chegada do trem despachavam os seus produtos, na Estação de Esmeralda. Em 10 de dezembro de 1928, faleceu o Coronel Eduardo de Souza Porto, em sua Fazenda Santana, rodeado por seus filhos. Levava um nome honrado de homem que soube fazer de sua vida um exemplo de trabalho. Teve inimigos gratuitos, como todo homem honrado e trabalhador, porque sempre se negou a auxiliar grileiros, ladrões de cavalos, que queriam fazer seu reduto nestes sertões. Pobre, simples, contentou-se apenas com as terras que pôde comprar, sem tentar aumentar seus domínios, por meios ilícitos. Seus restos mortais repousam como ele pediu, naquele cemitério pequeno e humilde que pertenceu à sua fazenda.

CRIAÇÃO DO DISTRITO
Em 15 de dezembro de 1928, através do Decreto Lei Estadual nº 2311, o povoado foi elevado à categoria de Distrito de Paz, com a denominação de Fernão Dias, pertencente ao município de Gália. O primeiro Juiz de Paz do Distrito de Fernão Dias foi o senhor João Alves de Mira, e o senhor Raphael Petráglia, foi o primeiro Oficial de Registro Civil. Em 30 de novembro de 1944, através do Decreto Lei Estadual nº 14334, o Distrito teve seu nome abreviado, de Fernão Dias, para simplesmente FERNÃO.

CRIAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO
Em 27 de dezembro de 1995, através do Decreto Lei Estadual nº 9330, o Distrito de Fernão é elevado à categoria de Município, com a denominação de Fernão, desmembrando se do município de Gália. Sua instalação ocorreu em 01 de janeiro de 1997.

REGISTROS DO HISTORIADOR - LINHA DO TEMPO
O primeiro casamento registrado foi o de Paulo de Mattos, viúvo, lavrador, com Benedita Maria de Jesus, aos 18 de maio de 1929. Paulo era natural de Juiz de Fora (MG) e Benedita era natural de São Pedro do Turvo. Foram testemunhas os lavradores João Omélio e Horácio Caetano. O primeiro nascimento registrado, em 24 de abril de 1929, no Cartório foi de Sebastiana Corrêa, filha de Adelino Corrêa e Dolores Teixeira. O declarante foi João Pedro da Silva que assinou como testemunha com Alfredo Dib. O primeiro registro de falecimento, em 22 de abril, foi de João Martinho Lopes, na Fazenda Santana. Era casado com Maria Lopes e tinha as filhas Isolina, Delmira e Aparecido. Faleceu sem assistência médica, mas foi atestado pelo Doutor Pimentel. Foi declarante o senhor Antônio Amâncio. A primeira roçada nas ruas do distrito foi registrada em maio de 1928, e foi realizada pelo senhor J. Santos. O senhor Raphael Petraglia, (professor leigo) lecionou na Primeira Escola Estadual Masculina Rural de Fernão Dias, com 42 meninos. A professora Leiga, Silvia Passos do Val, lecionou na Escola Estadual Mista Rural, com 13 meninos e 18 meninas, na Fazenda Santana. Em 15 de julho de 1930, um ofício do diretor dos correios de Botucatu, comunicava a Câmara Municipal de Gália, a nomeação da senhora Júlia Alves Mira, para o cargo de Agente do Correio de Fernão Dias. Em 12 de abril de 1939, o engenheiro Joaquim Bezerra da Silva confeccionou os mapas e plantas do novo perímetro urbano do Distrito de Paz de Fernão (ex Fernão Dias), constantes no Livro I do Registro de Leis Promulgadas pelo Prefeito Municipal de Gália. A delimitação da zona urbana e suburbana de Fernão Dias, foi estabelecida por Decreto Lei de 02 de Março. Em 1949, na 43º sessão ordinária da Câmara Municipal de Gália, o vereador Manoel da Silva Julião solicitou ao prefeito, para que fosse providenciada junto às autoridades competentes, a nomeação de Oto Rodrigues Neves, para o cargo de Juiz de Paz do Distrito de Fernão Dias, que já se achava vago, em função do falecimento do titular senhor João Alves de Mira. Pelo Recenseamento Geral de 1950, Fernão Dias possuía uma população total de 3.733 habitantes, sendo 1.911 homens e 1.822 mulheres. Com a inauguração da Estação Ferroviária, pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro, essa denominação (homenagem ao bandeirante Fernão Dias Paes Leme) foi à mesma escolhida pela Companhia Paulista para a Estação. Nessa linha, a partir de Piratininga, as estações foram nomeadas pela Companhia em ordem alfabética: a de Fernão Dias é precedida da Estação Esmeralda e sucedida pela Estação de Gália.
Fonte: Texto extraído da Obra – Doces Lembranças de Outrora
Autoras: Maria Zeila Sellani Pontes e Rosemari Gattás Barnezi

BIOGRAFIA - FERNÃO DIAS PAES LEME

O bandeirante Fernão Dias, que emprestou o seu nome ao município, viveu entre o período de 1608 a 1681. Foi um célebre bandeirante paulista. Ficou conhecido como o “Caçador de Esmeraldas”, pois os bandeirantes tinham por objetivo procurar riquezas minerais e encontrar mão de obra indígena. Fernão Dias nasceu na Vila de São Paulo de Piratininga, e era descendente do índio Tibiriçá, pelo lado materno, e de um irmão de Pedro Alvares Cabral pelo lado paterno. Foi casado com Maria Garcia Betina. Ele possuía muitas propriedades em São Paulo e era dono de vários índios escravos. Fernão Dias foi um dos representantes, mais importante do movimento das Bandeiras. Empreendeu em 1674, uma formidável caravana, da qual fazia parte seu filho Garcia Rodrigues Paes, e seu genro, o também famoso e importante bandeirante, Manuel Borba Gato. Atraídos pela lenda das esmeraldas e a serviço da Coroa, a bandeira deixou Guaratinguetá, no interior de São Paulo, e seguiu rumo ao sertão desconhecido. Fernão Dias Paes Leme, veioa falecer  nas proximidades do Rio das Velhas, em Minas Gerais, no ano de 1681, atacado pela malária. Garcia Rodrigues Paes, seu filho mais velho, levou os restos mortais para São Paulo, onde foram enterrados na Igreja de São Bento, no centro da capital paulista.

UMA HISTÓRIA DE IDEALISMO
A conquista da autonomia de Fernão, começa com a luta de um idealista – um homem que abraçou uma causa e saiu batalhando por ela de porta em porta, por acreditar  que só a emancipação seria capaz de acabar com o abandono do distrito e trazer melhores condições de vida para aquela comunidade. Esse homem, idealista e líder do movimento, é o senhor Sebastião Sinésio, filho do fundador de Fernão, senhor João Fidêncio, que chegou à região de Garça por volta de 1910, junto com a Estrada de Ferro. Ele e seu cunhado, Salvador Dias de Almeida, fundaram FERNÃO, que naquela época se chamava VILA VELHA, mas que em homenagem ao bandeirante Fernão Dias Paes Leme, foi, mais tarde, batizada com seu nome. Com o crescimento do povoado, é criado o distrito de Fernão Dias, no município de Gália, que pelo Decreto Lei 14334, de 30 de novembro de 1944, teve a sua denominação alterada para FERNÃO. Mas como pouco, ou quase nenhum investimento era feito no distrito, o senhor Sebastião abraçou a causa da emancipação e saiu à procura de parceiros para a longa empreitada. Conseguiu atrair para o movimento os senhores Paulo Postri, Paulo Marques da Fonseca e Amador Fidêncio de Oliveira, dentre outros. Após longas batalhas, a emancipação foi conquistada, e hoje Fernão, tem administração própria, e já pode sentir os benefícios dessa autonomia: a infraestrutura foi implantada, as ruas asfaltadas e tantas outras melhorias que estão por vir. Mas, segundo o senhor Sebastião, a principal conquista com a criação do município “foi o direito da população escolher seus representantes e deles cobrar soluções para os problemas”. A emancipação de Fernão é mais uma história de idealismo, de uma luta incansável por uma justa causa: melhorar a qualidade de vida de sua população.
Os Primeiros Representantes – eleitos em 1996
PREFEITO MUNICIPAL: Adélcio Aparecido Martins, casado com Tânia Maria Julião Rosa Martins.
VICE-PREFEITO: Yoshiyki Taniguti
CÂMARA MUNICIPAL - Vereadores: Laércio Londini, Osmar Canesin, Teresinha Aparecida Julião Costa, Paulo Marques da Fonseca, Ademir Vieira, Sebastião Sinésio, Paulo Postri, Antônio Alves de Mira e José Carlos Greco.
ESTE TEXTO É DE AUTORIA DO DEPUTADO EDINHO ARAÚJO, AUTOR DA LEI 651/90 DAS EMANCIPAÇÕES.
Gentílico: Fernãoense

GALERIA DE PREFEITOS

ADÉLCIO APARECIDO MARTINS01/01/1997 à 31/12/2000
ADÉLCIO APARECIDO MARTINS01/01/2001 à 31/12/2004
PAULO MARQUES DA FONSECA01/01/2005 à 31/12/2008
ADÉLCIO APARECIDO MARTINS01/01/2009 à 31/12/2012
SEBASTIÃO VITÓRIO CESTARI01/01/2013 à 30/04/2013
ALTEMAR CANELADA CAMPOS01/05/2013 à 31/12/2016
ADELCIO APARECIDO MARTINS01/01/2017 à 31/12/2020

OBS.: O Sr. ADÉLCIO APARECIDO MARTINS, foi o primeiro Prefeito de Fernão.