HISTÓRICO


A ORIGEM
Parte do atual município de Fernando Prestes pertencia a Sesmaria Capa-Preta. Para contarmos a história de “Capa-Preta”, temos que nos reportar ao velho mundo, onde se originou a família Castilho. O senhor Diogo Castilho tinha três filhos: José Antônio de Castilho, Manoel Francisco de Castilho e Alexandre José de Castilho. Moravam na Ilha da Madeira, e de tanto ouvirem falar do Brasil e de suas riquezas, ficaram desejosos de conhecê-lo. Com a transmigração da Família Real Portuguesa para o Brasil, devido à invasão de Portugal pelas tropas francesas do General Junot, a frota que a transportava, aportando na Ilha da Madeira, teria dado talvez, a oportunidade aos Castilhos, de embarcarem para o Brasil. O senhor Manoel Francisco de Castilho, casado com uma nobre portuguesa, Dona Maria Francisca de Jesus, vivia da criação de gado, em sua fazenda adquirida no Piauí. Vindo a falecer Manoel Francisco de |Castilho, a viúva Dona Maria Francisca de Jesus e seus três filhos foram para a Corte do Rio de Janeiro. Lá chegando, fez- se amiga de Dona Leopoldina, e como seu filho, José Francisco de Castilho era amamentado no peito, e por coincidência a Imperatriz estava à procura de uma ama-de-leite para seu filho Dom Pedro II, Dona Maria Francisca ofereceu-se para amamentá-lo também. Este fato comoveu profundamente o Imperador Dom Pedro I, que em reconhecimento a presenteou com uma Sesmaria (carta lavrada aos 7 de maio de 1825) cujas terras abrangiam imensos  horizontes, da qual fazia parte o atual município de Fernando Prestes. A Dona Maria Francisca de Jesus, a mulher da Capa-Preta, como ficou conhecida na história, deve essa alcunha ao fato de trajar habitualmente, uma luxuosa capa preta, provavelmente recebida de presente da corte. Os seus descendentes são conhecidos ainda hoje, como os “Castilhos CapaPreta” em todas às regiões, onde se estabeleceram nos Estados de São Paulo e Mato Grosso. O primeiro capa pretasenhor José Francisco de Castilho, irmão de leite de Dom Pedro II, terminou seus dias em companhia de seu filho João Francisco de Castilho, às margens do Ribeirão dos Porcos.

FUNDAÇÃO DO POVOADO
Mais tarde, a família Mendes tendo adquirido terras compreendendo lotes que teriam pertencido à Sesmaria Capa-Preta, acrescida de áreas ao norte e ao oeste do atual município, constituiu a fazenda Mendes, com cerca de três mil alqueires. Em fins do século passado, as terras que compunham a Fazenda Mendes foram divididas judicialmente, conforme sentença homologada aos 16 de maio de 1898. Embora a Fazenda Mendes tivesse sido dividida judicialmente, algumas famílias teriam se fixado na região, antes dessa partilha. Foi então que em 1894, Francisco Salles de Almeida Leite, também adquirindo terras da Fazenda Mendes, constituiu a Fazenda Albertina, iniciando a primeira lavoura de café. Por volta de 1903, José Agustoni, italiano de grandes posses, adquiriu extensas áreas de terras, onde hoje localiza se a sede do município. Confere-se desta forma, a José Agustoni, a justa honraria de ser seu fundador. No ano de 1909, o progresso finalmente chegava ao povoado: os trilhos da Companhia da Estrada de Ferro Araraquara, constituindo-se esta ferrovia no principal meio de transporte e escoamento da produção agrícola, época em que “Matão do Leonel” passou a chamar-se FERNANDO PRESTES, em homenagem ao Coronel Fernando Prestes de Albuquerque, por sugestão de Francisco Salles de Almeida Leite.

CRIAÇÃO DO DISTRITO DE AGULHA
Duas versões populares justificam a origem da denominação do Distrito de Agulha. Uma delas se deve à passagem da nobre senhora Maria Francisca de Jesus Castilho (Capa Preta) por essa região, a caminho da Vila São José, atual São José do Rio Preto, ocasião em que teria perdido seu cesto de costura com agulhas de osso, prata e marfim, objetos confeccionados por artesãos da Corte do Rio de Janeiro. Montou-se então um acampamento, e os escravos foram castigados e obrigados a procurar o cesto com as agulhas. Não se sabe se foi encontrado, e em decorrência, o lugar do acontecido passou a ser conhecido como o “Lugar das Agulhas”. A outra versão é devida à existência, nessa região, de grande quantidade de uma espécie de vegetação nativa “Capim Agulha”, também conhecido com “Sapé”, cuja forma assemelha-se a uma agulha de coser. No “Lugar das Agulhas”, passagem dos tropeiros surgiram pequenas choupanas onde escravos alforriados, filhos de escravos, mulatos e descendentes dos Castilhos pernoitavam, quando de suas expedições pelas glebas da Sesmaria Capa-Preta. No ano de 1911, o senhor Vergílio da Silva Camargo adquiriu terras onde hoje situa se o Distrito de Agulha, derrubando matas virgens deu inicio às primeiras lavouras de café, juntamente com as famílias de José Francisco Salles e Gabas, Vergílio fixou-se nessa região, originando o povoado. Até o ano de 1935, Agulha pertenceu ao município de Taquaritinga, na condição de povoado, e para que o processo de emancipação política do município de Fernando Prestes fosse aprovado, necessitava-se de uma maior área de terras, conforme dispositivos legais. Propôs-se então, por acordo político, que o povoado de Agulha passasse a pertencer ao município de Fernando Prestes, sob a condição de ser elevado à categoria de Distrito, com a nova denominação de Vila Camargo, sendo tal processo concluído no ano de 1936, regulamentado pela Lei 2625, de 14 de janeiro de 1936. Fica criado o Distrito de Paz de “Vila Camargo”, no município de Fernando Prestes, em Taquaritinga – Dr. Armando Salles de Oliveira – Governador do Estado. Porém, o fato de já existir outra localidade no Estado de São Paulo com o nome de Vila Camargo, e a Legislação não permitir homonímia, optou-se pela antiga denominação de “AGULHA”. Com o predomínio da religião católica, foi realizada em 1919 a primeira missa campal no povoado. O senhor Vergílio da Silva Camargo doou um terreno para a construção de uma igreja em louvor a São Sebastião, a qual foi construída de madeira, tendo sido realizada a primeira festa em louvor ao Santo Padroeiro aos 20 de janeiro de 1921. A Pedra Fundamental da atual Capela foi lançada em 1929 e benta pelo Padre Alexandre Colomelliz, em outubro de 1931. No ano de 1937, o senhor Alexandre Cicconi doou um terreno onde foi construído o cemitério municipal de Agulha. No ano de 1968, foi implantada, em substituição ao gerador diesel, a rede de energia elétrica fornecida pela CPFL – Companhia Paulista de Força e Luz.

CRIAÇÃO DO DISTRITO
Em 29 de novembro de 1914, através do Decreto Lei Estadual nº 1450, o povoado é elevado à categoria de Distrito, com a denominação de Fernando Prestes, pertencente ao município de Monte Alto.

CRIAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO
Em 05 de julho de 1935, através do Decreto Lei Estadual nº 7354, o Distrito é elevado à categoria de Município, desmembrado do município de Taquaritinga. Sua instalação verificou se em 12 de agosto de 1955.
Fonte: Texto extraído do Livro CIDADE DE FERNANDO PRESTES – Resgate de Sua Memória.
Autores: Antônio Osmar Brentan Segura, Djair Lázaro Pinheiro de Almeida, Marco Antônio Di Foggi, Elza de Abreu Lavrini, Eduardo Angelino Savazzi, José Saul Martins e Fernando José Savazzi.

BIOGRAFIA - FERNANDO PRESTES
Fernando Prestes de Albuquerque foi um agricultor, advogado e político brasileiro.Foi o quarto Presidente do Estado de São Paulo, entre novembro de 1898 e maio de 1900. Filho de Manuel Prestes de Albuquerque (1818 - 1893) e Inácia Francisca Vieira,foi proprietário rural em Itapetininga, dono da fazenda Araras, casado com Olímpia de Santana (1860 - 1901) com quem teve nove filhos. Atuou também como advogado provisionado. Foi membro da direção do Partido Republicano Paulista (PRP) e coronel da Guarda Nacional e do Exército Brasileiro. Iniciou a carreira política em Itapetininga, onde defendeu a abolição da escravatura e a proclamação da república. Com o advento da República, o coronel Prestes fez parte do governo local de Itapetininga. Foi contra o golpe de estado de Deodoro da Fonseca, em 3 de novembro de 1891, e apoiou Floriano Peixoto, quando já era Deputado Estadual. Lutando a favor do Governo Floriano Peixoto, no sul do Brasil, contra a chamada Revolução Federalista, se destacou e recebeu as patentes de coronel da Guarda Nacional e do Exército. Militou toda sua vida no Partido Republicano Paulista (PRP). Foi Deputado Estadual nas legislaturas de 1892/1895 e 1895/1897, ocasião que foi Vice-Presidente da Câmara Estadual. Como Deputado Federal, exerceu mandatos em 1897/1898, 1901/1902 e 1903/1905. Em seu primeiro mandato como deputado federal foi obrigado a afastar-se do cargo, em 10 de novembro de 1898, para assumir a Presidência do Estado, recebendo o governo de São Paulo das mãos do Presidente Interino Peixoto Gomide, que ficara no lugar de Campos Sales, Presidente do Estado, que renunciou, por ter sido eleito Presidente da República, e que tomou posse na presidência da república em 15 de novembro de 1898. Para poder governar com isenção, enquanto durou seu mandato de Presidente do Estado, ficou afastado da Comissão Diretora do PRP, onde era tido como prudente e conciliador. Criou o Instituto Butantã em São Paulo, por sugestão do sanitarista Emílio Ribas, há inclusive um hospital com seu nome na mesma cidade. Fundou o Hospital Psiquiátrico do Juqueri, que teve a direção do Dr. Franco da Rocha - atual nome do município onde se situa o Hospital. Combateu surtos de febre amarela em Sorocaba, Santos e, na capital, teve de enfrentar a peste bubônica e a varíola. Seu governo foi considerado correto e isento, preocupado com as finanças e a saúde. Cortou gastos públicos, em razão da queda da arrecadação de impostos e da contínua queda dos preços do café no mercado internacional. Depois de deixar a chefia do executivo paulista, em 1900, elegeuse Deputado Federal por duas legislaturas, sendo líder da bancada paulista e depois líder da maioria. Fez parte do Senado Estadual, entre 1906/1908, quando foi eleito com a maior votação, 1913/1916 e novamente entre 1916 e 1922. Foi Vice-Presidente do Estado entre de 1908/1912, 1922/1924 e de 1924/1927. Como Vice-Governador, substituiu Albuquerque Lins, em 1910, quando este se lançou a candidato a vice-presidente da república, na chapa de Rui Barbosa à Presidência da República. Terminado seu mandato, voltou para as atividades de agricultor, mas foi chamado, para o senado estadual e comissão diretora do PRP. No último mandato de Vice-Presidente de São Paulo, no governo de Carlos de Campos, O Coronel Fernando Prestes, defendeu o governo contra a revolta paulista de 1924, organizando a resistência em Itapetininga e conseguindo que Carlos de Campos fosse reconduzido ao poder. O coronel Prestes foi convidado pelos revolucionários encabeçados pelo general Isidoro Dias Lopes, a assumir o governo revolucionário, mas se recusou, mantendo seu apoio ao presidente Carlos de Campos. O Coronel Prestes declarou aos revoltosos: Só aceitaria o governo das mãos do Dr. Carlos de Campos, livre, espontaneamente, legalmente. Carlos de Campos foi vítima de embolia cerebral, vindo a falecer em abril de 1927. O Coronel Fernando Prestes renunciou ao cargo de vice-presidente, depois da morte do Presidente do Estado. Teria sido uma jogada política, combinada, em uma convenção do PRP, para que seu filho Júlio Prestes, então deputado federal, pudesse se candidatar ao governo do Estado de São Paulo, e posteriormente concorrer à presidência da república. A versão divulgada, na época, foi que o Coronel estava já muito idoso e combalido para comandar o Estado. Após renunciar ao governo do estado, Fernando Prestes ainda foi eleito, em 1928, para uma vaga aberta no Senado Estadual. Após a Revolução de 1930, o coronel Fernando Prestes e sua família foram perseguidos e caíram no ostracismo político. Atuou, por outro lado, na iniciativa privada, sendo diretor do Banco Noroeste do Estado de São Paulo e da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. É homenageado dando seu nome ao município de Fernando Prestes. A Praça Central, e uma Escola Técnica Estadual da cidade de Sorocaba levam seu nome. Em Cajamar há uma rua em homenagem a seu nome, assim como na cidade de Itapetininga que, embora não fosse sua cidade natal, foi onde cresceu e se fixou como proprietário rural, e onde iniciou sua carreira política. É também homenageado em Itapetininga através de uma Escola Estadual situada na Avenida Peixoto Gomide.

FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA
A Lei nº 2625, de 14 de janeiro de 1936, cria o Distrito de Vila Camargo e incorpora ao município de Fernando Prestes. Em divisões territoriais datadas de 31/12/1936 e 31/12/1937, bem como no quadro anexo ao Decreto¬ Lei Estadual nº 9073, de 31 de março de 1938 o município é composto de 2 Distritos: Fernando Prestes e Vila Camargo. No quadro fixado pelo Decreto Estadual nº 9775, de 30 de novembro de 1938, para 1939/1943, o município de Fernando Prestes é composto dos Distritos de Fernando Prestes e Camargo, e pertence ao termo e comarca de Taquaritinga. Em virtude do Decreto Lei Estadual nº 14334, de 30 de novembro de 1944, que fixou o quadro territorial para vigorar em 1945/1948, o município de Fernando Prestes ficou composto dos Distritos de Fernando Prestes e Agulha (ExVila Camargo) e pertence ao termo e comarca de Taquaritinga. Permanece com os Distritos de Fernando Prestes e Agulha, comarca de Taquaritinga, nos quadros territoriais fixados pelas Leis Estaduais nº 233, de 24/12/1948 e a Lei nº 2456, de 30/12/1953 para vigorar, respectivamente, nos períodos 1949/1953 e 1954/1958. Em divisão territorial datada de 01/07/1960, o município é constituído de 2 Distritos: Fernando Prestes e Agulha. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 15/07/1999.
Gentílico: Fernandoprestense

GALERIA DE PREFEITOS

BENEDITO REGGIS12/08/1935 à 06/12/1935
ACCACIO DA SILVA CAMARGO07/12/1935 à 16/09/1938
LUIZ DI FOGGI17/09/1938 à 16/10/1942
ALTINO PEREIRA MARTINS17/10/1942 à 04/04/1947
PEDRO FRARE05/04/1947 à 13/06/1947
CÂNDIDO PINTO DE MENDONÇA14/06/1947 à 31/12/1947
JOSÉ PEDRASSOLI01/01/1948 à 09/01/1952
JOSÉ VERGANI10/01/1952 à 09/01/1956
EDMUNDO MUSSI10/01/1956 à 31/12/1959
JAIME RIBEIRO SERVA01/01/1960 à 09/01/1964
JOÃO DA COSTA CAMARGO10/01/1964 à 31/01/1969
VERGILIO CANALLE01/02/1969 à 31/01/1973
ARLINDO REMONDINI31/01/1973 à 31/01/1977
VERGILIO CANALLE01/02/1977 à 31/01/1983
ARLINDO REMONDINI01/02/1983 à 31/12/1988
ENICO CARONI01/01/1989 à 31/12/1992
JOSÉ ALTINO GOMES01/01/1993 à 31/12/1996
SEBASTIÃO MANOEL MACHADO01/01/1997 à 31/12/2000
SEBASTIÃO MANOEL MACHADO01/01/2001 à 31/12/2004
BENTO LUCHETTI JUNIOR01/01/2005 à 31/12/2008
BENTO LUCHETTI JUNIOR01/01/2009 à 31/12/2012
RODRIGO RAVAZZI01/01/2013 à 31/12/2016
BENTO LUCHETTI JUNIOR01/01/2017 à 31/12/2020

OBS.: O Sr. BENEDITO REGGIS, foi o primeiro Fernando Prestes.