HISTÓRICO


A ORIGEM
Em meados do século XIX, sertanistas mineiros, capitaneados por José Teodoro de Souza e Francisco de Paula Moraes, chegaram às terras de São Paulo que medeiam entre as águas do Rio do Peixe e do Rio Paranapanema. Por seus picadeiros e agrimensores, palmilharam esse chão e se tornaram senhores de dois latifúndios distintos que se estendiam desde Campos Novos do Paranapanema até as barrancas do Rio Paraná.
Afrontando a floresta inóspita e os Índios Coroados, seus primitivos habitantes, foram criando e aumentando áreas cultivadas. De Campos Novos e de Conceição do Monte Alegre, cresciam lavouras de vegetação vigorosa, capazes de fazer os homens sonhar com futuro promissor.
A descoberta de terras férteis, logo, chegou ao conhecimento do Governo, que passou a se interessar pelas riquezas que a região encerrava em seus mistérios. Entre outras providências, deu início a construção da estrada boiadeira rumo ao Mato Grosso, passando a montante da Cachoeira do Rio Laranja Doce (onde, mais tarde, a CAIUÁ construiu a Usina Hidreelétrica). Foi porém o prolongamento dos trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana, iniciado em 1919, a partir de Botucatu, que realmente impulsionou o progresso.
Passageiros e mercadorias encheram o Trem de Ferro. A marcha para o Oeste começou a transformar a fisionomia do sertão. A migração volumosa a forçar o fracionamento dos latifúndios. Contendas judiciais a se mesclar com lutas sangrentas, até que homens, organizados, surgiram para capitanear a colonização, dentre esses homens, avulta a figura do Coronel João Gomes Martins, um fidalgo da Ilha da Madeira, que retalhou as terras de muitos dos municípios da região, especialmente, daquele a quem mais tarde, emprestaria o seu próprio nome.
O então povoado de José Teodoro – hoje Martinópolis – teve sua origem à margem da Estrada de Ferro Sorocabana. Era ali que moravam os trabalhadores que faziam a manutenção da estrada de ferro, fator determinante na formação do povoado. Estas estações da estrada de ferro serviam como ponto de abastecimento de água das locomotivas.

A CHEGADA DA ESTRADA DE FERRO
A Estrada de Ferro Sorocabana foi fundada por particulares em 1871. No começo, visava atender produtores e comerciantes de Sorocaba. Mas sua expansão foi inevitável em ambas as direções, tanto para o lado do Porto de Santos, centro nevrálgico da exportação, como para o interior, chegando em Presidente Prudente em 1919, e no ponto final, Presidente Epitácio, em 1º de maio de 1922.

A INAUGURAÇÃO DA ESTAÇÃO
A manhã do dia 5 de agosto de 1917 era típica de inverno, cinzenta e gelada, quando a locomotiva a vapor, expelindo fumaça por todos os lados, apitou na última curva, anunciando a chegada na tosca estaçãozinha que havia sido denominada José Teodoro (atual Martinópolis). Uma construção simples, tendo à frente um cimentado construído ás pressas para servir de plataforma, numa corrida contra o tempo para inaugurar o maior número possível de estações, conforme estipulado no contrato entre a empresa ferroviária e o empreiteiro José Giorgi.
Na plataforma não havia nenhuma banda de música, nenhuma autoridade, apenas os trabalhadores da ferrovia, alegres por terem cumprido mais uma etapa da árdua tarefa de assentar trilhos em pleno sertão.
Uma pequena comitiva da Sorocabana Railway desceu na estação, para marcar o importante momento de sua inauguração.O nome inglês, escrito na lateral da locomotiva e dos vagões, era motivado pelo  arrendamento da Estrada de Ferro Sorocabana a um consórcio franco-americano liderado pelo capitalista Percival Farquhar.
A cerimônia foi breve, sem discurso, sem grande alarido, apenas a entrega da chave ao chefe da estação. Um gesto simbólico, para marcar uma data muito importante, a inauguração da Estação Ferroviária da futura Martinópolis, porém.a Comitiva estava com pressa e foram embora rapidamente em direção a Indiana, cuja estação também foi inaugurada no mesmo dia.
Quando a Estrada de Ferro Sorocabana aqui chegou, João Gomes Martins já encontrava-se na região. Foi ele, aliás, quem adquiriu a PASSAGEM NÚMERO UM do povoado José Teodoro, mas não chegou a usá-la, pois queria guarda-la como recordação.
Nessa época, segundo ainda o pesquisador José Carlos Daltozo, Martins já encontra-se em negociações para adquirir as terras daquele que viria a se tornar o Núcleo Colonial Boa Ventura.
Em 1923, trouxe os primeiros visitantes procedentes de Santa Adélia, região da Araraquarense, para conhecer seu empreendimento. Vieram José Valentim, Pedro Quaranta, João Saram, Ernesto Contini e Antonio Sartori.

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA LARANJA DOCE
Dentro da área territorial, do hoje município de Martinópolis, além da sede, existiu mais uma estação ferroviária, denominada Laranja Doce, situada nas proximidades das nascentes do rio com o mesmo nome, afluente do Rio Paranapanema.
Atendia, principalmente, as fazendas de gado existentes na região. Possuía uma minúscula estação, seis casas de ferroviários, uma escolinha rural, dois botecos que vendiam todo tipo de mercadorias. Não havia energia elétrica, usavam lampeões. Na estação havia um telegráfo a pilha. Por dentro do pequeno vilarejo passava a estrada de rodagem Martinópolis-Rancharia, acompanhando o traçado da ferrovia pelos espigões.
Hoje a estação não existe mais, foi completamente demolida, assim como todas as casas dos ferroviários. Só restou o cimentado da plataforma. Há vestígios de alicerces de algumas casas. A única que sobreviveu é uma casa de madeira nas imediações, onde reside um lavrador.
A estação Laranja Doce teve seus anos de glória quando apresentava movimento maior que José Teodoro (atual Martinópolis). Isso é constatado nos relatórios da E.F.S. referentes aos primeiros anos de implantação das estações aqui na região.

FUNDAÇÃO DO POVOADO
O germem de Martinópolis foi um vagão de trem, desmontado da linha, que serviu de rancho à Turma da Conserva de José Giorgi e a guarita do Guarda Chaves da Estrada de Ferro. Nas cercanias do Vagão foram surgindo as primeiras casas de colonos.
A aquisição da Fazenda Boa Ventura se tornaria realidade em 17 de novembro de 1924, quando o coronel João Gomes Martins trouxe auxiliares da Colonização Martins, como os engenheiros Mário Cabral e Alberto Amaral, este também agrimensor o desenhista Henrique Amaro Pinto Correia e os guarda-livros Bario Raymundo Cirne e Manoel Júlio Sobrinho, para projetar os loteamentos urbanos e rurais do futuro povoamento denominado de José Teodoro, paralelo aos trilhos. Logo surgiu a Estação de Trem, a Pensão Boiadeira de Raimundo Barbosa, o Comércio de Frederico Platizek e de Ângelo Bergamini. A fé dos colonos ergueu a pequena Igreja de madeira.
O povoado de José Teodoro ganha arruamento. Possuía 20 alqueires de perímetro urbano e sessenta quadras de 80 por 80 metros, cortadas por 15 ruas e três avenidas. Cada quadra possuía oito lotes, sendo quatro lotes de esquina, medindo 30 x 30 metros, e dois lotes com 20 metros de frente por 40 de fundo, além de dois com 20 metros de frente e 30 metros de fundo. Para incentivar o desenvolvimento do povoado, João Gomes Martins concedia um lote na cidade a quem adquirisse lotes rurais.

AS PRIMEIRAS CONSTRUÇÕES
A primeira construção de alvenaria do povoado foi o Hotel Colonial, obra da Colonização Martins, em 1925. Visava atender visitantes que queriam conhecer as propriedades colocadas à venda.
Mais tarde, denominado de Hotel Martinópolis, sediou muitas reuniões sociais, festas de casamentos das pessoas abastadas, confraternizações, almoços e jantares políticos.
O prédio foi demolido no final dos anos de 1970, e nenhum movimento impediu que botasse fim num prédio que representava parte da história da cidade. No mesmo local foi construído prédio da agência da Nossa Caixa Nosso Banco, hoje também extinta.
De acordo ainda com o pesquisador José Carlos Daltozo, o primeiro comerciante que se instalou no povoado de José Teodoro foi Antônio Joaquim Senteio, primo do colonizador. Ele, Antônio Rodrigues Parente e João Gomes Martins, montaram um armazém de secos e molhados em uma construção rústica de madeira, que localizava-se em frente à estação ferroviária, ao lado do Hotel Colonial.

OS IMIGRANTES JAPONESES
Em maio de 1926, chegou a primeira fam de imigrantes japoneses, com a pretensão de se instalar na zona rural. Era o imigrante Moiti Ywasaki, sua esposa Matsu, três irmãos e outras onze pessoas, indo morar nas proximidades do futuro Patrimônio de São Pedro, atual Teçaindá, onde cultivaram 90.000 pés de café nos anos seguintes.
Em 02 de outubro chegaram outras famílias, entre elas Tomisaburo Imamura, sua esposa Tsuyo, Matasaburo Imamura, Shitiji Otsubo e mais onze pessoas, que plantaram 40.000 cafeeiros. Uma terceira leva de japoneses, algum tempo depois, trouxe, Chuzaburo Nakano, Masuzo Nakano, Yoshio Sugi, Masao Kubota, Shogo Horiuti, Taro Ishimoto e Akiyoshi Tsukamoto.
Inicialmente os proprietários de lotes rurais faziam a derrubada da matas com machados e, depois, a limpeza do terreno com técnica herdada dos índios: o fogo.

O INÍCIO DO DESENVOLVIMENTO
Abençoado por Deus, o lugarejo, sede da Colonização Martins, foi se transformando em verdadeiro formigueiro humano, com levas que chegavam de trem para o Novo Eldorado. Vida intensa, tangível, vibrante de rumores, surgida e movida como as ondas do oceano.
E assim o vilarejo de José Teodoro ganhou impulso e algumas indústrias como olarias e serrarias. Em um levantamento realizado em 15 de novembro de 1927, assinado por Henrique Corrêa, existiam no povoado 1.395 habitantes, entre as zonas rural e urbana, e a economia era movida por três olarias, duas serrarias, um moinho de fubá, quatro casas de negócios, uma padaria, uma garagem, 13 automóveis e caminhões, uma carpintaria, uma oficina mecânica, um hotel e um ferreiro, escreveu Daltozo.
A influência do coronel João Gomes Martins, foi uma peça principal para o desenvolvimento do povoado.

CONSTRUÇÃO DA PRIMEIRA IGREJA
A primeira missa rezada em José Teodoro aconteceu no dia 24 de novembro de 1928, ao ar livre, pois a construção da igreja era apenas um sonho ainda não concretizado.
No dia 22 de setembro de 1929, às 14h00 horas, foi lançada a pedra fundamental da futura Igreja Matriz, que já tinha como padroeira Santa Bibiana, escolhida pelo fundador  João Gomes Martins.
O programa-convite para as festividades, que ocorreram nos dias 21 e 22 de setembro, tinha como membros da Comissão de Festas, os senhores: Antônio Joaquim Senteio, Manoel Júlio Sobrinho, José Vilela, João Talavera, Utaro Yanagui e Martin Bidóia.
No dia 21 houve a apresentação da Banda de Música Paroquial Filarmônica São José, de Presidente Prudente, depois rezas e ladainhas cantadas e, à noite, quermesse e leilões.
No dia seguinte, alvorada às 05hs30, depois missa e solenidade do início das obras da nova igreja. À tarde procissão e o prosseguimento das atividades com quermesse e leilões e à noite culminando com queima de fogos de artíficios. O padre era José Maria Martinez Sarrion, de Presidente Prudente.

CRIAÇÃO DO DISTRITO
Em 20 de Dezembro de 1929, atraves do Decreto Lei Estadual nº 2492, o povoado foi elevado a categoria de Distrito de Paz, com o nome de Distrito de José Teodoro, pertencente ao município de Presidente Prudente.
Instalado o Distrito, foi nomeado sub-prefeito o senhor Martins Costa, tendo como fiscal Dorival Franco de Godoy. O primeiro Juiz de Paz nomeado para o distrito foi o senhor Manoel Júlio Sobrinho.
Em 10 de setembro de 1937, quando o trabalho e as paixões mais agitavam a vida, e o progresso do povoado, seu fundador, no auge de esplandente vitalidade, faleceu na cidade de São Paulo.

A BANDEIRA DA COLONIZAÇÃO PROSSEGUE
Com a morte do coronel, João Gomes Martins Filho não permitiu que a bandeira da colonização caísse por terra tomou-a das mãos do pai e a levou avante, como em corrida de revezamento.
João Gomes Martins Filho,  que nascera em São Paulo em 1908, e se formou em Direito em 1933, pela Faculdade do Largo de São Francisco, assume a direção da Colonizadora Martins.
Ele ficou responsável, juntamente com suas irmãs, de doar imóveis em Martinópolis para a construção de obras públicas, entre elas, o estádio do Martins Esporte Clube, da Santa Casa de Misericórdia e do primeiro Grupo Escolar, conhecido como a Fazendinha.

ORIGEM DO NOME
- Primeiro Nome:
Núcleo Colonial Boaventura.
- Segundo Nome: Povoado José Teodoro - o que mais se destacou, em homenagem ao seu primeiro mandatário João Teodoro de Souza.
- Terceiro nome: Martinópolis - Literalmente, Cidade do Martins, do grego pólis - cidade.
Quando da sua emancipação politica, através do mesmo Decreto Lei, o Distrito teve seu nome alterado para Martinópolis, exatamente para rememorar seu verdadeiro fundador coronel João Gomes Martins, e também considerado seu principal colonizador.

CRIAÇÃO DA PARÓQUIA

A partir daí, os católicos queriam a criação da paróquia em José Teodoro, pois assim teriam um padre residindo em defenitivo na localidade.
Em 14 de julho de 1930, uma carta assinada por José Coelho de Carvalho, José Antônio Cordeiro, João Batista Pereira, Eliseu de Souza Barbosa e Edalício Dias Macedo, é enviada ao padre José Maria Martinez Sarrion, solicitando que interceda junto ao bispo diocesano, Dom Antônio José dos Santos para tal finalidade. Mencionam ainda os esforços despendidos pela população na construção da capela e casa paroquial.
No mesmo mês de julho de 1930, uma lista circulou entre os moradores para angariar donativos visando continuar a construção da Igreja de Santa Bibiana. Com esta campanha, foi então concluída a construção da igreja, de pequenas dimensões, sem torre e com o sino numa armação lateral.
Com isso, a Paróquia foi criada e seu primeiro vigário foi o padre Antônio Cesar Brandão, que ficou na paróquia, no periodo de 30 de novembro de 1930 à fevereiro de 1931.

CONSTRUÇÃO DA IGREJA MATRIZ
A construção da atual Igreja Matriz de Santa Bibiana, começou em 1936, com o cônego Santa Maria, mas parou alguns meses depois. Após uma visita pastoral do do bispo Dom Antônio, em julho de 1938, as obras rosseguiram, já sob o comando do padre João Schneider. Construída no mesmo local da antiga capela, esta só foi demolida no final das obras, e durante muito tempo continuou servindo para os cultos, enquanto a nova igreja era eregida ao seu redor.

CRIAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO
Em 30 de Novembro de 1938,  através do Decreto Lei Estadual nº 9775, o Distrito de José Teodoro foi elevado a categoria de Município, quando teve seu nome alterado (por força deste mesmo decreto) para Martinópolis em homenagem ao seu fundador. Sua instalação ocorreu solenemente em 29 de Janeiro de  1939.
Nesta época não havia eleições livres, e os governadores - chamados Interventores - eram nomeados pelo Governo Vargas e os prefeitos, por sua vez, também eram nomeados pelo interventor. Assim, forças políticas da cidade conduziram ao poder o farmacêutico Octávio Gonçalves de Oliveira, como primeiro prefeito. Sua posse aconteceu no Clube Recreativo Teodorense, à qual participaram representantes do governo estadual e de várias cidades da região.
Nesta solenidade comparecem ainda, o senhor Isidro Gonçalves, Diretor do Departamento das Municipalidades, representando o Governador Adhemar de Barros, o Bispo de Assis e o Dr. João Gomes Martins Filho. A festa foi abrilhantada pela Banda Musical da cidade de Pirajú.

A PRIMEIRA CÂMARA DE VEREADORES
Embora emancipado desde 1939, Martinópolis não tinha Câmara Municipal porque seus prefeitos eram nomeados pelo Interventor Estadual.
Em 1947, com as primeiras eleições livres, o município elegeu os seus primeiros representantes, sendo o senhor João Batista Berbert como prefeito municipal e os 14 vereadores da primeira legislatura. Foram eles: Alberto Joaquim Senteio, Antônio Leonel de Alencar Peixoto, Arlindo Rossi, Epaminondas Cardoso de Oliveira, Genésio de Mello, João de Toledo, José Luso Cordeiro, José Tavares Pereira, Manoel de Souza Barbosa, Manoel Monteiro da Silva, Octacilio de Souza Nunes, Silvio Genaro, Sussumi Imamura e Vicente Ferrairo.
O primeiro presidente da Câmara Municipal foi Antônio Leonel de Alencar Peixoto.

INAUGURAÇÃO DA ATUAL IGREJA MATRIZ
No natal de 1939, a nova Igreja Matriz foi inaugurada pelo Bispo de Assis. O padre João Schneider, que morou por mais de 10 anos, em Martinópolis, foi um incansável e obstinado batalhador, conseguindo doações para várias obras importantes na cidade. Ele construiu o salão de festas e reuniões e deu inicio à construção da Santa Casa de Martinópolis, tendo feito parte da primeira diretoria.
Em 29 de dezembro de 1948, foi transferido para São Paulo, para tratar de uma  fratura na perna, e por lá ficou residindo, até falecer anos depois.

CRIAÇÃO E INSTALAÇÃO DA COMARCA
Em 30 de novembro de 1944, através do Decreto Lei Estadual nº14.334,  o município de Martinópolis foi elevado a condição de 140ª Comarca do Estado de São Paulo. Sua instalação ocorreu oficialmente em 13 de junho de 1945. 
A sua jurisdição oficial incluía além do município sede, os municípios de Indiana e Regente Feijó. O primeiro Juiz de Direito da nova comarca foi o Dr. Olavo Ferreira Prado que ficou apenas um ano no cargo.

BIOGRAFIA - DESBRAVADOR JOSÉ TEODORO DE SOUZA
Para falar do nascimento de Martinópolis, é preciso falar um pouco mais do desbravador José Teodoro de Souza. Ele era natural de Pouso Alegre, Minas Gerais, e proprietário de todas as terras do sudoeste brasileiro.
Era um homem considerado inteligente, valente, audacioso, porém, analfabeto. Tanto que eram seus procuradores quem assinavam por ele seus negócios de terra, quase sempre com segunda intenções.
O pesquisador, José Carlos Daltozo, no livro Martinópolis, sua história e sua gente destaca que a história do desbravamento tem início com a chegada do mineiro José Teodoro de Souza.
No século XIX ele aportou atrás de riqueza e poder às margens do rio Turvo. Além de São Pedro do Turvo, também fundou Campos Novos do Paranapanema (atualmente Campos Novos Paulista) e Conceição de Monte Alegre (atual distrito de Paraguaçu Paulista).
Segundo o pesquisador, José Ferrari Leite, que integrava o quadro de docentes da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp, em seu livro A Alta Sorocabana e o Espaço Polarizado de Presidente Prudente, José Teodoro morreu em 24 de julho de 1875, em Campos Novos, e já seu império esfacelava-se com grileiros em vários pontos, e muitos alqueires doados a amigos que lhe auxiliaram na empreitada de abrir o sertão. A parte que restava, ainda de grandes proporções, foi distribuída a seus herdeiros.
O pesquisador Daltozo acentua ainda que, Martinópolis e as demais cidades da Alta Sorocabana carregam em sua certidão de nascimento a paternidade do café e a maternidade da ferrovia. No século XIX, e nas três primeiras décadas do século XX, o café era a maior atividade econômica do Estado de São Paulo.

BIOGRAFIA - COLONIZADOR JOÃO GOMES MARTINS
Nascido a 18 de dezembro de 1877, na Ilha da Madeira, em Portugal, João Gomes Martins veio para o Brasil com a família, quando contava com apenas 10 anos de idade. Ainda pequeno, foi trabalhar no campo numa fazenda de Porto Ferreira.
A família muda-se mais tarde para Taiúva, interior de São Paulo, e lá João casa-se com uma prima, a senhora Carolina de Freitas.
João Gomes Martins e Carolina de Freitas Martins tiveram nove filhos, sendo três homens e seis mulheres: João Gomes Martins Filho, Bibiana, Paula, Iracema, Eduardo, Guiomar, Arhur, Nair e Cândida.
Depois mudam-se para a capital, onde estruturam comércio por atacado e importação e exportação. A esposa Carolina, faleceu em São Paulo em 1934.
Os anos se passaram, e João Gomes resolve fazer outra coisa. Decide se dedicar a colonizar terras, e funda a Colonização Martins, com sede em São Paulo. Seu interesse se direciona para a região da Alta Sorocabana, atraído pelo preço acessível das terras, que também podiam ser adquiridas a prazo, e pela abertura do caminho através da ferrovia e a construção das estações.
O colonizador João Gomes começa a comprar terras. Dá uma pequena entrada e parcela o restante. Depois inicia a venda de lotes, renda que usava para saldar as parcelas da compra. Entre as fazendas adquiridas por ele, como a Pitangueiras, localizada na região onde estava a estação de Sapezal, e posteriormente, as propriedades Pedras e Barreiro, Ribeirão dos Índios, Mixto, Ribeirão Grande, Cristal e a Boa Ventura – esta daria origem ao município de Martinópolis.
Em seu livro, o pesquisador Daltozo relata que João Gomes Martins, chegou a enfrentar batalhas judiciais devido a delimitações de terras, já que as escrituras da época se traduziam em pouca precisão no que tange aos verdadeiros limites. Essas escrituras muitas vezes simplesmente assinalavam cabeceiras do ribeirão tal, ou espigão do córrego tal, pendengas que eram decididas na justiça, e sempre vencidas por João Gomes Martins, por intermédio de seu advogado Enéas Cezar Ferreira.

JOÃO GOMES MARTINS - O CORONEL
Não se tem registro de quando João Gomes Martins recebeu a denominação de Coronel. Sabe-se que o termo coronel’’ surgiu quando foi criada a Guarda Nacional, em 1831, substituindo as milícias e ordenanças do período colonial.
Eram nomeados coronéis todos os grandes proprietários rurais, com prestígio social e econômico, além de outros que prestassem favores ao governo federal, ou que fossem influentes em uma cidade ou região.
Essa forma de tratamento, e de nomeação de líderes perdurou por quase 70 anos, até a proclamação da República em 1889’’, escreveu o pesquisador Daltozo. Porém, essa forma de tratamento ficou tão arraigada na mentalidade da população, que por muitas décadas continuaram sendo tratados de coronéis todos aqueles que detinham poderes político e econômico, e eram influentes em uma comunidade.
Por volta dos anos de 1940, a família comprou uma casa na cidade, que passou a ser chamada de fazendinha, devido à exuberância de sua arborização e ao grande pomar de laranjeiras. No local ainda reside Guiomar, uma das filhas de João Gomes Martins.
João Gomes pertencia ao Partido Republicano Paulista (PRP) mas não chegou a ser deputado. No final dos anos de 1930, quando estava com 59 anos de idade, adoentado, o coronel João Gomes Martins retornou à Europa para uma visita. Antes, porém mandou seu filho doar um terreno nas cercanias da cidade para a instalação de uma máquina de benefício de algodão da Anderson Clayton.
Gosto pela política:
Ao contrário do pai, João Martins Filho chegou a ser eleito deputado à Assembleia Constituinte de 1946. Em 1950, candidatou-se a Vice-governador na chapa que tinha como candidato a Governador Prestes Maia, pela União Democrática Nacional (UDN), mas não foi eleito.
Foi ainda juiz federal em São Paulo, e se aposentou no final dos anos de 1980. Faleceu na capital paulista em 1992.
De acordo ainda, com José Carlos Daltozo, a família Martins, que residia na capital paulista, na Rua Oscar Porto, tinha o hábito de visitar Martinópolis, onde mantinham negócios. Quando isso ocorria, ficava hospedada em uma fazenda de sua propriedade, a Capão Bonito.

REGISTRO DO HISTORIADOR - LINHA DO TEMPO
Na década de 1940, o município se estendia por uma área territorial de 4.000 km2, limitando-se com Regente Feijó, Presidente Prudente, Valparaizo, Guararapes, Tupã e Rancharia. Sua população já era de 25.000 habitantes, dos quais, 18.000 radicados nas glebas da Colonização Martins. No final dessa década e limiar do anos de 1950, o município de Martinópolis  tornou-se conhecido como o Rei do Algodão, após produzir 2.200.000 arrobas da malvácea em um única safra. Na década de 1950, sua população chegou a 37.000 habitantes, sendo 29.000 na zona rural.
Nas décadas de 1960,1970 e 1980, o êxodo rural, provocado pelo desestímulo à agricultura e pela industrialização desordenada, concentrada nos grandes centros urbanos, atingiu a economia de Martinópolis, e com ela a sua população entrou em declínio.
Martinópolis, de acordo com o senso do IBGE (2004), possuia 23.717 habitantes. Seu território é atualmente, de 1.219 km2, limitando-se ao norte com Mariápolis, Pracinha, Parapuã e Sagres, ao sul com Nantes, ao leste com Rancharia e ao oeste com Caiabu, Indiana, Taciba e Regente-Feijó.  Possui 16.317 eleitores (TRE-SP).
Localizada a 35 km de Presidente Prudente, e a 494 km da capital, é visitada por moradores de várias partes do país, devido a parentes de seus habitantes que estão espalhados, e a beleza de sua represa, a Laranja Doce, a 14 km do centro.
“Atualmente o município de Martinópolis luta pela sua recuperação econômica acreditando nas Associações de Produtores Rurais, alavancadas por incentivos públicos, onde os próprios rurícolas deverão funcionar como o elemento catalisador na busca de um futuro melhor para a comunidade, cuja vocação principal é o laboro na terra.
As atividades rurícolas, ainda hoje, se constituem na força propulsora da economia de Martinópolis, basicamente, sustentada pela agricultura e pela pecuária, somando-se a crescente exploração do potencial turístico, concentrado no Balneário Represa Laranja Doce. (DALTOZO, 1999).
O município de Martinópolis passa por um estágio econômico diferente do que foi o fim dos anos 1960. Naquele momento, com o êxodo rural e conseqüentemente, a queda da produção agrícola e econômica, o município teve um decréscimo populacional enorme, e com isso a estagnação do crescimento, efeito que perdurou por alguns anos.
A economia vigente hoje tem atravessado uma nova fase, possibilitando ser constituída por segmentos distintos: a agricultura e pecuária (tradicional), a cana-de-açúcar (emergente) e o complexo turístico ( altamente promissor) veio transformar Martinópolis em Município de Interesse Turístico M.I.T. do Estado de São Paulo.
Fonte:
Texto resumido da Obra - Martinópolis, Sua História e Sua Gente.
Autor:
- Pesquisador -  José Carlos Daltozo.
Realização:
- Departamento de Cultura e Turismo.
- André Luis Naufal - Diretor de Cultura e Turismo.
- Mirian Cristina de Melo Azevedo Giralbeli - Encarregada de Cultura e Turismo.
Apoio:
- Prefeitura Municipal de Martinópolis.
Gentílico: Martinopolense

GALERIA DE PREFEITOS

PREFEITOS NOMEADOS - PERÍODO DE 1939 À 1949


OCTÁVIO GONÇALVES DE OLIVEIRA1939 à 05/10/1941
DR. JOÃO GRANDE DE MELLO06/10/1941 à 26/01/1944
JOSÉ VICTOR PEDROSO  CHAGAS27/01/1944 à 01/03/1944
ELEAZAR GALVÃO01/03/1944 à 15/05/1945
SERAFIM DI DOMENICO15/10/1945 à 28/08/1946
OSCAR CABRAL09/09/1946 à 12/01/1947
JOÃO BATISTA BERBERT17/03/1947 à 16/04/1947
ANTÔNIO ANGELINI17/04/1947 à 31/12/1947

OBS:
- Em 09/11/1947 é realizada a primeira eleição no município de Martinópolis, onde o prefeito foi eleito através do voto popular, juntamente com a primeira legislatura da Câmara de Vereadores.
- Em 01/01/1948, toma posse como prefeito eleito o senhor João Batista Berbert.

PREFEITOS ELEITOS

JOÃO BATISTA BERBERT1948
FRANCISCO BELO GALINDO1952 á 1955
ARLINDO DE OLIVEIRA1956 á 1959
SILVIO GENARO1960 á 1963
ESTEFÂNIO ALVES PORTELA1964 á 1968
ANTONINO LEITE DE OLIVEIRA1969 á 1972
ADELINO SIMÕES DE CARVALHO FILHO1973 á 1976
DR. JOSÉ CARLOS MACUCO JANINI1977 á 1982
LUIZ ANTÔNIO LEITE OLIVEIRA1983 á 1988
DR. ARTHUR GALVÃO DE MELLO1989 á 1992
ANTÔNIO LEAL CORDEIRO01/01/1993 á 31/12/1996
JOSÉ VALENTIM NETO01/01/1997 á 31/12/2000
ANTÔNIO LEAL CORDEIRO01/01/2001 á 31/12/2004
VALDEMIR CAETANO DE SOUZA01/01/2005 á 31/12/2008
VALDEMIR CAETANO DE SOUZA01/01/2009 á 31/12/2012
RONDINELLI PEREIRA OLIVEIRA (em exercício)01/01/2013 á 26/06/2014
ANTÔNIO LEAL CORDEIRO27/06/2014 á 19/11/2015
ILZA FILAZI ASCÊNCIO (Vice Prefeita em exercício)20/11/2015 á 31/12/2016
CRISTIANO MACEDO ENGEL01/01/2017 á 31/12/2020

OBS 01:
- O senhor OCTÁVIO GONÇALVES DE OLIVEIRA foi o primeiro prefeito (Nomeado) de Martinópolis.
- O senhor JOÃO BATISTA BERBERT foi o primeiro prefeito (Eleito) de Martinópolis.

OBS 02:
Os senhores Dr. João Grande de Mello e José Victor Pedrozo Chagas também foram, respectivamente, prefeitos (no mesmo mandato) da cidade de Osvaldo Cruz, quando esta pertencia ao município de Martinópolis.