HISTÓRICO


A ORIGEM
No início do século, a extensa região atualmente cortada pela Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, figurava nos mapas geográficos apenas como ZONA DESCONHECIDA. Por volta de 1890, os paulistas desbravadores já haviam chegado a Bauru, e aí pararam, mas só por algum tempo, para se refazer dos esforços e prosseguir a caminhada mata adentro. Insetos famintos e agressivos habitavam as baixadas sombrias nos beirais de lagoas mortas, nas margens alagadiças dos cursos fluviais, tornando a densa vegetação de árvores colossais, cipós estranguladores e tabocais, intransponível e temerosa.

O SERTÃO DESCONHECIDO DA NOROESTE

Indivíduos mais ousados com grande espírito de aventura, munidos apenas de um facão mateiro, ou um trabuco de eficiência duvidosa, empreendiam corajosas entradas, por vezes até o Ribeirão Batalha e até mesmo às margens do Rio Feio, buscando riquezas naturais e solo fértil para abrigar culturas de café, o OURO NEGRO. Para barrar- lhes os passos, havia ainda o maior adversário - o BUGRE - dono imemorial de todas essas paragens. Um projeto do deputado Paulo Cândido apresentado na Câmara Federal, foi o primeiro a propor a construção de uma estrada de ferro – CAMINHO DE FERRO, como era popularmente conhecida - que ligasse a capital do país à cidade do Mato Grosso.

O AVANÇO DA FERROVIA
E assim, a 15 de novembro de 1904, chegaram a Bauru, homens trazidos de Pederneiras, Agudos e Dois Córregos, que empunhando foices, machados, picaretas, enxadões e os mais variados instrumentos, deram início a abertura da estrada de ferro. Enquanto uma parte dos homens concentrava seu trabalho de abertura das matas ao longo do terreno balizado para o recebimento dos trilhos, outra turma se embrenhava sertão àdentro, abrindo os primeiros caminhos da civilização e desvendando os mistérios da ZONA DESCONHECIDA. As dificuldades eram imensas, as febres malignas e os ataques dos índios causavam pesadas baixas na equipe de construção do caminho de ferro. As lendas de trucidamento em massa executados pelos índios, que eram transmitidos de pessoa para pessoa, causavam arrepios nos trabalhadores das turmas, que manejavam as ferramentas em constante estado de alerta. À medida que a estrada avançava a cor do solo que era branca, foi mudando para vermelha e barrenta, muito adequada à agricultura. O primeiro trecho de 92 km foi inaugurado em setembro de 1906, com a presença do Ministro da Viação, Dr. Lauro Muller, que emprestou seu nome à estação da ponta da linha. No dia em que a turma de trabalhadores chegou às margens do rio Douradinho, em sua confluência com o Córrego Barbosa, efetuaram uma derrubada destinada ao plantio de café. Naquela clareira estava lançado o germe da cidade de ALBUQUERQUE LINS, denominação essa dada em homenagem ao então Presidente do Estado, hoje conhecida simplesmente como LINS.

OS ÍNDIOS DA REGIÃO

Sinais de queimadas gigantescas eram observadas,principalmente nos trechos mais avançados em direção ao Rio Feio, cujas margens eram habitadas pelos índios COROADOS, que se notabilizaram como perversos e briguentos. Pois eram eles que tinham a prática de atear fogo aos campos, como tática para barrar avanços de outros grupos de índios, com os quais viviam em guerra.
Duas nações indígenas habitavam essa região: os COROADOS, nome que os homens brancos deram aos índios que tosavam o cabelo a modo dos japoneses e os GUARANIS, que cortavam os cabelos à “Nazareno”. Mencionam- se ainda como nação distinta, os CAIGANGS, mas que alguns historiadores classificam como os mesmos GUARANIS. O dialeto dos CAIGANGS compunha-se de umas 500 palavras, algumas delas adaptadas à nossa língua. Exemplos: Gôio (água), bâguê (grande), nome de um córrego que os brancos modificaram para Goymbê, por fim Guaimbê e que tempos depois iria dar nome à vizinha cidade Gavanhery e Vencaia eram duas jovens da nação CAIGANG, cujos nomes, inegavelmente bonitos, ficaram eternizados nas denominações de dois córregos, afluentes do rio Feio. Em outubro de 1917, um grupo de engenheiros dirigidos por Florindo Beneducci e chefiados pelo Dr. Aristides Mercês, chegou às margens do Rio Feio para dividir as terras do Espólio do Dr. Bernardino de Campos.

FUNDAÇÃO DO POVOADO
Foi justamente nas terras do herdeiro Carlos de Campos que o Dr. Mercês fundou um patrimônio que o tempo se encarregou de chamar GETULINA, em homenagem à companheira do fundador. Localizado as margem esquerda do Córrego Gavanhery e direita do Lambary, o patrimônio foi erguido por Aristides Mercês e seus companheiros Alfredo Marcondes Cabral, Pompeu e Luís Antônio de Souza Queiros. Derrubando matas, abrindo caminhos floresta adentro, deram início à construção da estrada de rodagem para Lins e após para Garça. A primeira residência construída no patrimônio foi a do Dr. Aristides Mercês, de madeira, no local onde atualmente se encontra o Banco do Brasil. Rapidamente apareceram outras edificações, sendo que a primeira a ser construída com tijolos, foi a do Natal Biondo Mengato, também na Rua Carlos de Campos. A primeira missa campal foi celebrada em 1922,pelo Padre João Carelli, então vigário da Paróquia de Lins, onde hoje está situada a Igreja Matriz. Em 1925 foi erguido o primeiro Cruzeiro, fato importante para a época, sendo posteriormente construída a Capela de São João Batista em terreno doado por João Pedro Rebuças de Carvalho, cuja inauguração se deu a 24 de outubro de 1926.

CRIAÇÃO DO DISTRITO
Através do Decreto Lei Estadual nº 2153, de 14 de dezembro de 1926, foi criado o Distrito de Paz, cuja instalação deu-se em 05 de julho de 1927. O primeiro Sub Prefeito foi o senhor Estevão Falqueiro, e o primeiro Juiz de Paz o senhor Pedro Boy. A partir de 1930, começou o movimento para a emancipação do Distrito de Getulina, então pertencente ao município de Lins.

CRIAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO
Com as revoluções de 1930 e 1932, o movimento esteve em recesso, porém no dia 25 de março de 1935, o Governador (Interventor) do Estado Dr. Armando Sales de Oliveira, através do Decreto Lei Estadual nº 7028, elevou o Distrito à categoria de Município, desmembrado do município de Lins. Sua instalação verificou se em 23 de maio de 1935. O primeiro Prefeito Municipal, nomeado pelo interventor, foi José Miele, e o primeiro Delegado de Polícia, o senhor Estevão Falqueiro.

JOSÉ MIELE - PRIMEIRO PREFEITO MUNICIPAL

No dia 23 de maio de 1936, data do primeiro aniversário da instalação do município, foi oficialmente instalado, a primeira Câmara Municipal, tendo como componentes: Cel. Joaquim Barbosa de Moraes, Octaviano do Amaral Senise, Dr. Epaminondas Diniz, Dr. Osório Musa dos Santos, José Miele, Francisco Moreira Matos Filho e João Leonel Berbert. Seu primeiro ato foi eleger o Prefeito Municipal, o senhor Benedito Oswaldo Mahlow. Posteriormente Mahlow seria conduzido novamente à prefeitura, por eleição direta da população de Getulina. A mesma Lei nº 2456 de 30 de dezembro de 1953, que elevou o Distrito de Guaimbê à categoria de Município, também elevou Getulina à categoria de Comarca, cuja instalação deu-se em 11 de dezembro de 1954. Seu primeiro Juiz de Direito foi o Dr. Antônio Moreno Gonzales, e o primeiro Promotor, o Dr. José Bosco Vieira.
Gentílico: Getulinense

GALERIA DE PREFEITOS

JOSÉ MIELLE23/05/1935 à 22/05/1936
BENEDITO OSVALDO MAHLOW23/05/1936 à 18/08/1938
JOSÉ DANTAS GRION19/08/1938 à 10/09/1938
JOÃO MASSUD11/09/1938 à 08/09/1941
JOSÉ ALVES PEREIRA09/09/1941 à 11/09/1941
FRANCISCO MOREIRA MATOS12/09/1941 à 31/01/1943
BENEDITO CAMPOS MARQUES02/02/1943 à 30/03/1943
DR. OSÓRIO MUSA DOS SANTOS01/05/1943 à 30/04/1946
BENEDITO CAMPOS MARQUES02/12/1946 à 25/03/1947
EUDÓXIO FALQUEIRO26/03/1947 à 20/04/1947
NICOLA ESPIRES21/04/1947 à 12/05/1947
JOSÉ PEREIRA JUNIOR13/05/1947 à 31/12/1947
BENEDITO OSVALDO MAHLOW01/01/1948 à 31/12/1951
WADI NEIAME01/01/1952 à 31/12/1955
WALDOMIRO DE OLIVEIRA01/01/1956 à 31/12/1959
WALDINEI AME01/01/1960 à 31/12/1963
DIOMAR PEREIRA01/01/1964 à 31/12/1969
WALDOMIRO OLIVEIRA01/02/1969 à 31/01/1973
DIOMAR PEREIRA01/02/1973 à 31/01/1977
HILDEBRANDO MIORELLO01/02/1977 à 31/01/1983
ANTÔNIO AUGUSTO BOTTINO01/02/1983 à 31/12/1989
SEBASTIÃO CONTI01/01/1990 à 31/12/1992
ANTÔNIO AUGUSTO BOTTINO01/01/1993 à 31/12/1996
DR. FUMIO IZVÊ01/01/1997 à 31/12/2000
SEBASTIÃO CONTI01/01/2001 à 31/12/2004
MANOEL ROGÉRIO ZABEU MIOTELLO01/01/2005 à 31/12/2008
MANOEL ROGÉRIO ZABEU MIOTELLO01/01/2009 à 31/12/2012
FABIO AUGUSTO ALVARES01/01/2013 à 31/12/2016
ANTÔNIO CARLOS MAIA FERREIRA01/01/2017 à 31/12/2020

OBS. O Sr. JOSÉ MIELLE, foi o primeiro Prefeito de Getulina.