HISTÓRICO


A ORIGEM
Antes, aqui, e toda a extensão territorial da região, era o sertão bruto, a terra virgem, enriquecida por exuberante vegetação, onde os diversos tons de verde que balançavam nas árvores formava com o azul do céu uma aquarela de promessa de riqueza e paz. Tudo era magia no reino da flora e da fauna riquíssimas, e podia-se ouvir orquestra incomum formada pelo canto passaredo, pelo uivar dos animais bravios e pelo quase nostálgico correr das águas dos riachos. Corria o ano de 1905, e esta região, coberta por floresta tropical, era assinalada como terrível pela maleita que grassava o vale do rio Tietê, pela Úlcera de Bauru, pela febre amarela e pelas atitudes desconfiadas e inamistosas dos indígenas. A região era habitada pela nação indígena dos Caingangues (ou Coroados, assim chamados por cortarem os cabelos de forma parecida a uma coroa). Eram tidos como ferozes e queimadores de mato. Assim agiam a fim de espantarem os intrusos e para defenderem as suas terras, sempre que sentiam a aproximação dos grupos pioneiros de topógrafos e observadores e, mais tarde, dos caçadores, mateiros e bugreiros, estes espalhando mais ódio entre os Caingangues, pois desejavam apossar-se das terras dos índios, aprisiona-los e fazê-los seus escravos. Os índios, sentindo-se ameaçados ou com medo, agrediam em represália, às vezes até praticando assassinatos ou extermínios.. Todavia, sua agressividade se dava mais em função de defesa e não era uma constante em suas atitudes, pois muitos brancos, pioneiros na colonização da Região, nunca sofreram perseguições, agressões ou confrontos com os indígenas. Ocasiões em que os brancos rodeavam os ranchos dos nativos e tentavam danificar as suas plantações, eles faziam sinais, tocavam instrumentos feitos de bambu, batiam nos troncos das árvores com pedaços de madeira dura, imitavam gritos de animais, e em certas oportunidades, jogavam galhos de arbustos perto das pessoas, cujo significado era “bater em retirada” para não haver confronto.
Uma das maiores agressões sofridas pelos indígenas desta região, tanto nos seus costumes, como na sua liberdade e na sua posse de terra, foi à penetração da estrada de ferro. Em 21 de junho de 1904 foi organizada a Companhia Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, com a finalidade de estender trilhos a partir de Bauru (onde se entroncariam a Estrada de Ferro Sorocabana e a Paulista), seguindo pelo vale do rio Tietê, rumo a Urubupungá e Porto Tabuado, até alcançar Cuiabá, traçado que foi modificado pelo Governo Afonso Pena, que mandou executar o traçado de preferência com direção à fronteira da Bolívia, por Corumbá.
Impunha-se a necessidade urgente de outro tipo de comunicação com Mato Grosso, mais rápido e mais seguro, em substituição ao único caminho existente, que era o Fluvial, pelas águas do Prata e do Paraguai, atravessando e contornando países estrangeiros para se chegar ao próprio país. Em 15 de novembro de 1905, a obra foi iniciada em Bauru, (que era então, um povoado com 600 habitantes) que, além de cumprir sua finalidade, iria semear dezenas de cidades em seu curso.Esta obra era chefiada pelo Engenheiro João Feliciano da Costa Ferreira, com a colaboração de muitos outros, entre eles, Misseno José Taveira, a quem coube projetar em seu escritório, todo o traçado Bauru-Itapura. Somente em 1919, a estrada recebeu a denominação de Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que passou a adotar a sigla N.O.B.

O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO

Os trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e os serviços de Imigração e Colonização foram dois fatores determinantes na vinda de diversas famílias para a região de Guaiçara. Por volta de 1915, chegaram ao local os primeiros moradores: Benedito Santana e José Mariano dos Santos. O desenvolvimento desta região intensificou-se a partir de 1917, quando a Companhia de Imigração e Colonização do Estado de São Paulo trouxe para onde hoje é o Bairro Boa Vista (desmembrado da Fazenda Dourado D’Oeste), as primeiras famílias de imigrantes japoneses, atraindo depois italianos e espanhóis, com o objetivo de se dedicarem ao plantio de café. Consta que uma das primeiras famílias que ali se instalou foi a NARIMATSU, que permaneceu na agricultura por muitos anos e, posteriormente no comércio. Em 1918, vieram os senhores José Monteiro Pascoal e família, cujo sitio adquirido nesta época, é ainda propriedade dos herdeiros (viúva e filhos) do seu filho Antônio Monteiro Pascoal (localizado na Rodovia BR-153, nas proximidades do Destacamento da Policia Rodoviária Federal), Joaquim José Rufino, Manuel Bueno, Pedro Felisbino Frutuoso e Arcângelo Campanelli. Em 1919, Elias dos Anjos Gonçalves Salvador chegou ao Patrimônio. Era um português que veio para o Brasil em 1914, onde já se encontrava seu pai e o irmão mais velho. Primeiro trabalhou nas obras da Estrada de Ferro Paulista. Algum tempo depois mudou se para Lins, onde instalou uma loja que vendia desde sal, querosene e lubrificantes, até vestido de noiva. O negócio prosperou, e Elias conseguiu comprar um sitio de 13 alqueires de terra, situado à margem direita trilhos da ferrovia Noroeste do Brasil (no sentido Bauru-Araçatuba), entre os quilômetros 162 e 163. Na propriedade, colocou duas turmas de trabalhadores: uma para cortar lenha para a Estrada de Ferro e outra de serradores para extrair madeira para a construção de casas. A Estrada de Ferro desenvolvia se. Mas a distância entre os pontos de parada de trens era muito grande e resolveu-se criar um novo ponto, delimitado pelo engenheiro Dr. Napoleão, auxiliado pelo mestre de linha, Joaquim Fernandes, os quais encarregaram o feitor, Carlos Chaves de localizar o ponto.O local que Elias Gonçalves Salvador já começava desmatar foi escolhido e ficou conhecido como CHAVE do quilômetro 163. Isto ocorreu a 20 de março de 1920.

FUNDAÇÃO DO POVOADO

No inicio de 1920, Elias Gonçalves Salvador resolveu lotear seu sitio, e o local foi tomando aspecto de povoado. Construiu uma loja e nela colocou um amigo de confiança – Manuel Meira de Abreu Amorim – que também representava Elias na venda dos lotes de terra. Em seguida, veio para o povoado o senhor Ambrósio, considerado o melhor construtor daquele tempo. Também em 1920, deu-se a vinda de Pascoal Gracioto, que derrubou árvores e construiu uma pensão.
Depois dos lotes vendidos, Manuel Meira de Abreu Amorim resolveu abrir sua casa comercial, a qual vendeu depois para Sebastião Vasconcelos, cuja mulher instalou junto uma pensão. Um nome de grande importância para a política de Guaiçara viria a se instalar na pensão: Fausto Longo Batista Pereira. No povoado, surgiu a primeira padaria. Era propriedade de uma família de paraguaios. Depois esta foi vendida para Antônio Abrantes, um português vindo de Presidente Pena – atual Cafelândia.Estava,assim, fundado um núcleo com características urbanas, que ficou conhecido como PATRIMÔNIO SALVADOR – a célula-tronco de GUAIÇARA. Todavia, a fundação de Guaiçara foi fortificada e consolidada com o arrojo de outro homem – Antônio Francisco dos Santos Júnior. Já era final de 1920, quando chegou à Guaiçara, o senhor Antônio Francisco dos Santos Júnior, descendente de portugueses, que comprou 100 alqueires de terra localizados ao lado esquerdo da ferrovia. Depois, adquiriu mais terras ao lado direito, e resolveu lotear parte de suas propriedades. Devido às facilidades de compra oferecidas, rapidamente os lotes foram vendidos, eo novo loteamento também foi ganhando características urbanas. Em 1921, Santos Júnior instalou em Guaiçara uma serraria. Como planejara, o lado esquerdo começou a ter um grande desenvolvimento. No mesmo ano de 1921, construíram-se casas para os empregados da serraria e respectivas famílias.

O DESENVOLVIMENTO DO POVOADO
A primeira construção do novo loteamento foi feita por Guerino Tozzi (que hoje é o Bar do Suzuki). Empolgado construiu também uma casa comercial, (que hoje é o Bar do Roberto Pavoni). Ao seu lado, em 1922, surgiu a primeira farmácia, vindo para Guaiçara Benevuto Oliveira, farmacêutico, e seu irmão, Milton Oliveira, primeiro médico da cidade. Ocorreu nessa época, a introdução da colônia japonesa no povoado, com a vinda de SoomaIssamu, que fez uma casa comercial na Rua 9 de julho. O povoado progredia e, em 1922, Santos Júnior construiu uma casa residencial trazendo para cá sua família. Logo em seguida, construiu uma casa comercial que vendia tecidos, secos e molhados.
Guaiçara surgiu assim: à margem direita do km 163 da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, o povoado iniciado por Elias dos Anjos Gonçalves Salvador, à margem esquerda, outro núcleo iniciado por Antônio Francisco dos Santos Júnior. A rua principal passou a ser a que margeava a ferrovia pelo seu lado esquerdo – atual Rua 9 de Julho. As matas foram devastadas e comercializadas as madeiras extraídas. Com a vinda de imigrantes japoneses, espanhóis, portugueses e italianos, cresciam as lavouras. A valorização do café foi o fator propulsor do desenvolvimento de Guaiçara. No dia 13 de agosto de 1923, iniciava-se o funcionamento da primeira escola do povoado – Escolas Reunidas, no local onde está construída, hoje, a Igreja Matriz de São João Batista. A primeira estação ferroviária de Guaiçara foi um vagão, que indicava ser a Chave do km 163. Em 1921, foi construída uma pequena Estação na margem direita dos trilhos. Em fevereiro de 1924, teve inicio a construção da Estação sob a orientação de Antônio Francisco dos Santos Júnior, que custeou todos os serviços. A inauguração da nova estação ocorreu a 24 de junho de 1924, dia de São João, ocasião que se trocou o nome Chave 163 para Guaiçara. Estiveram presentes a inauguração os senhores Afonso Pena e Nilo Peçanha.

ORIGEM DO NOME
O nome GUAIÇARA foi escolhido pelo senhor Antônio Francisco dos Santos Júnior, (nome é de origem indígena) devido à existência de grande quantidade de árvores assim chamadas no local.

CRIAÇÃO DO DISTRITO
O crescente desenvolvimento do povoado propiciou que, em curto prazo, fosse elevado à categoria deDistrito de Paz, incorporado ao município de Lins e Comarca de Pirajuí, através do Decreto Lei Estadual nº 1891, de 13 de Dezembro de 1922, assinada pelo Dr. Washington Luiz Pereira de Souza, então Governador do Estado. O Distrito foi solenemente instalado no dia 24 de Abril de 1923, as 16:00 horas. No ato, foram registrados efusivos agradecimentos ao Deputado Dr. Luiz Piza Sobrinho, pelos esforços empreendidos para a criação do Distrito de Guaiçara. Foi escrivão da Ata de Instalação do Distrito o senhor Mário Novaes de Camargo Andrade.
Este acontecimento também foi o resultado de um movimento encabeçado por Antônio Francisco e mais um grupo de cidadãos.

A LUTA PELA EMANCIPAÇÃO
A região vivia uma época de intensa movimentação. Muitas famílias, em busca de melhores condições de vida, estabeleciam-se em Guaiçara. O futuro parecia guardar um grande progresso para o município. A abundância de matas era uma marca do Distrito. Aproveitando-se disso, a Empresa Almeida Porto e Cia, construiu uma grande serraria na região. Algum tempo depois, a seleção de Artefatos de Madeira BRASSELVA tomou o lugar da antiga firma. Eram empregados, aproximadamente, sessenta pessoas. O cultivo de café e arroz também trouxe grandes benefícios para Guaiçara. Foi graças ao grande número de pessoas que vieram trabalhar nessas lavouras, que o distrito pode crescer e seu comércio se desenvolver. O tempo foi passando e Guaiçara foi ganhando a admiração de seus moradores, porém permanecia na condição de Distrito, subordinado e administrado pelo município de Lins, de 1923 a 1954. O progresso aqui havido quase nada teve a ver com a ação administrativa de Lins. Toda a arrecadação de impostos das propriedades de Guaiçara era recolhida aos cofres da Prefeitura Municipal de Lins, e os benefícios em obras e melhoramentos que a cidade recebia começaram a não satisfazer os guaiçarenses. Sentiam necessidades de liberdade administrativa, sem as peias do município de Lins, como fator indispensável para se buscar um impulso maior para as necessidades essenciais do povo: urbanização, educação, saúde, habitação, rodovias, transportes, etc.
Em 1952, chegou ao auge o entusiasmo para se conseguir a emancipação politico-administrativa de Guaiçara. A primeira reunião nesse sentido deu-se no dia 28 de julho de 1952, no cinema local – (prédio demolido para se construir o BANESPA) e nela estavam presentes, entre outros: o líder da campanha Fausto Longo Baptista Pereira, Vergílio Zannoto, Antônio Silveira, Roque Real, Gondo Takei e Oswaldo Cruz, que se comprometeram a lutar pela causa. A segunda reunião, a definitiva, deu-se no mesmo local da primeira, com a presença de um numero maior de interessados no assunto. Além do senhor Fausto, que na primeira reunião proferira empolgado discurso, usaram da palavra o professor Joaquim Guedes Ribeiro, o senhor Noé Franco da Rocha e o senhor Toshieto Dói, que referiram se aos benefícios que teria a coletividade do distrito se elevasse a município. Depois de debates, foi eleito, por aclamação, o Diretório Municipalista, que ficou assim constituído:
Presidentes:
1º - Fausto Longo Baptista Pereira
2º - MasaIhati
Vice-presidentes:
1º - Aristides Cruz
2º - Plácido Pereira de Magalhães
3º - Roque Real
Tesoureiros:
1º - Vergilio Zanotto
2º - Takei Gondo
3º - Oswaldo Cruz
Secretários:
1º - Nelson Costa
2º - Olfriner Palo
3º - Antônio Silveira
Uma terceira reunião foi realizada no dia 18 de agosto de 1952, com a finalidade de os membros do Diretório se estruturarem, darem os primeiros passos, e objetivamente, chefiaram um grupo de Guaiçarenses que lutou pela emancipação do distrito. Foram batalhas judiciais muito difíceis. As autoridades de Lins acionavam os políticos tentando impedir o desmembramento do Distrito. Guaiçara precisava demonstrar um valor maior em suas arrecadações. Uma das soluções foi incentivar a população a comprar terrenos no cemitério. O senhor Adão Afonso Costa, foi um dos maiores colaboradores nessa fase, emprestando o dinheiro para que os moradores pudessem adquirir os lotes. A Comissão partia para São Paulo constantemente, a fim de ganhar mais simpatizantes entres os Deputados. Finalmente, no dia 13 de dezembro de 1953, foi aprovado pela Assembleia Legislativa o Projeto de Resolução que determinava à realização de plebiscito de consulta a população, em que os eleitores, deveriam se manifestar favoráveis ou contrários à emancipação. O resultado da consulta não poderia ser diferente: A maioria da população optou pelo SIM, um sim, que saiu do fundo da alma dos eleitores acompanhado de muitas orações e muitas promessas. Na Assembleia Legislativa, a votação final do projeto foi dramática, e se podia sentir os haustos de esperança e de medo de cada membro da Comissão Pró-Emancipação. O resultado foi um empate, mas o Presidente da Assembleia Legislativa – Deputado Vitor Maída - proferiu o voto de Minerva a favor da Emancipação. O céu de Guaiçara ficou ainda mais claro, devido aos fogos soltados por seus moradores.

CRIAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO
O sonho virava realidade. Finalmente, Guaiçara conquistara sua emancipação político-administrativa. A emancipação se deu através do Decreto Lei Estadual nº 2456, de 30 de Dezembro de 1953, elevando o Distrito à categoria de Município, que foi promulgada pelo então Governador Dr. Adhemar Pereira de Barros. Em 1954, realizou-se a eleição para escolha do primeiro Prefeito e Vice-prefeito e dos Onze Vereadores que comporiam a Câmara Municipal do Novo Município. A partir de sua autonomia política, a própria população de Guaiçara pode tomar conta de seu destino. O senhor Fausto Longo Baptista Pereira, foi o primeiro Prefeito de Guaiçara. Seu mandato foi iniciado no ano de 1955.
Fonte: Texto Extraído do Encarte da Revista Primórdios de Guaiçara.
Idealizador: Geraldo Mariano Bittencourt Leão
Colaboradores: Rhode de Oliveira Dias Silva, Solange Simôa Buzinaro Pereira, Márcio Augusto Cândido e Camila Gargaro Koga.
Gentílico: Guaiçarense

GALERIA DE PREFEITOS

FAUSTO LONGO BAPTISTA PEREIRA1955 à 1958
MARTINIANO CRUZ1959 à 1962
MARTINIANO DE AZEVEDO BITTENCOURT1963 à 1966
MARTINIANO CRUZ1967 à 1969
HERALDO LUIZ DUARTE1970 à 1972
MASSAO KAWAHARA1973 à 1976
GERALDO SILVA1977 à 1982
GERALDO MARIANO BITTENCOURT LEÃO1983 à 1988
FRANCISCO SANTOS SOUZA1989 à 1992
GERALDO MARIANO BITTENCOURT LEÃO01/01/1993 à 31/12/1996
JOSÉ MONTEIRO DA SILVA01/01/1997 à 31/12/2000
FERNANDO DONIZETI DOS SANTOS01/01/2001 à 31/12/2002
JOSÉ BERTHOLINO01/01/2003 à 31/12/2004
OSVALDO AFONSO DA COSTA01/01/2005 à 31/12/2008
OSVALDO AFONSO DA COSTA01/01/2009 à 31/12/2012
CLÓVIS REDIGOLO01/01/2013 à 31/12/2016
OSVALDO AFONSO COSTA01/01/2017 à 31/12/2020

OBS.: O Sr. FAUSTO LONGO BAPTISTA PEREIRA, foi o primeiro Prefeito de Guaiçara.