HISTÓRICO


A ORIGEM
A fazenda que deu origem à cidade de BICA DE PEDRA teve anteriormente o nome de Ribeirão do Saltinho ou Figueira. Segundo o memorialista Alberto Gomes Barbosa, a propriedade pertencia a Manoel Gonçalves Ribeiro e por este foi vendida ao capitão José Ribeiro de Camargo que, por sua vez a vendeu em 26 de março de 1859, a Antônio Joaquim da Silva Fonseca.
O mineiro Antônio Joaquim da Silva Fonseca era casado com Joana Izabel da Conceição, e tiveram seis filhos homens, e todos eles tinham por segundo nome, Antônio – José Antônio da Silva Fonseca, Luiz Antônio da Silva Fonseca, Fortunato Antônio da Silva Fonseca Maximiano Antônio da Silva Fonseca, Virgilato Antônio da Silva Fonseca e Silvério Antônio da Silva Fonseca.

FUNDAÇÃO DO POVOADO
Trinta e um anos depois de se estabelecer no local, viúvo e sem um de seus filhos, o jovem Maximiano Antônio, que morrera precocemente, o patriarca acha por bem dar início à criação de uma Vila. O trâmite ocorreu nos moldes de uma milenar tradição, segundo a qual a terra era propriedade de Deus. Ao homem, cabia tão somente administrá-la.
Foi com base nesses preceitos – e seguindo os usos e costumes da época – que Antônio Joaquim da Silva Fonseca resolve doar oito alqueires paulistas de sua propriedade a Santo Antônio, de quem era devoto, para que fosse construída uma Capela. Como o Santo - figura sagrada e espiritual – não podia lá se arranchar, a área ficou com sua representação diplomática, a Igreja Católica.
A doação, que representa o documento de fundação da cidade de Bica de Pedra, foi registrada na Paróquia Nossa Senhora do Patrocínio do Jahu, em 15 de setembro de 1888. Como não sabia escrever, quem assinou, a pedido de Antônio da Silva Fonseca, foi um de seus filhos, Virgilato Antônio da Silva.
O historiador Tito Lívio Ferreira relata que Silva Fonseca planejou as ruas, as quadras, as praças, dividindo a área em lotes, que foram entregues gratuitamente a quem os quisesse, mas transferiu a propriedade ao santo católico de sua devoção. “Todo o solo urbano seria patrimônio da Igreja”, escreve. “Daí a denominação patrimônio”. Os “usuários” dos lotes deveriam pagar anualmente uma quantia a Igreja, chamado “laudêmio”. Nascia assim, o PATRIMÔNIO DE SANTO ANTÔNIO DA BICA DE PEDRA, no meio da fazenda com o mesmo nome.
O texto da doação das terras traz explícita a determinação de que Santo Antônio fosse o padroeiro em dito lugar, com a finalidade de que fosse formada uma capela, marco para o surgimento de qualquer Vila. O documento, que contém a rubrica do vigário Antônio Pires Guerreiro, receberia assinaturas de terceiros, supostamente os recebedores dos lotes, até 15 de novembro de 1890 quando foi encerrado.
O patriarca Antônio Joaquim da Silva Fonseca morreu poucos meses depois de promover a doação. Coube ao filho mais velho, José Antônio da Silva Fonseca, requerer abertura do inventário e dar sequência aos planos do pai. Seria uma tarefa e tanto. Era preciso fazer brotar uma Vila.
Em 14 de março de 1901, José Antônio Fonseca, mostraria todo o seu desprendimento ao doar mais terras de sua propriedade para o patrimônio de Santo Antônio da Bica de Pedra, aumentando a área urbana já existente. A doação encontra-se transcrita sob o número 3641, no livro 3, número 10, no Registro de Imóveis da Primeira Circunscrição da Comarca de Jaú.
Por essa iniciativa, por muitas décadas, José Antônio foi tido erroneamente, como fundador da cidade, quando , na verdade fora seu pai, Antônio Joaquim da Silva Fonseca. O que o filho fez foi promover nova doação, ampliando a área que pertencia a Igreja.
Em 10 de agosto de 1914, morre o velho José Antônio da Silva Fonseca, vulgarmente conhecido por “Zé Antônio,” com idade presumida de 94 anos. Natural da cidade mineira de Campanha acredita-se que tenha nascido por volta de 1820. Era casado com Maria Thereza do Espírito Santo, e conforme o que se infere o seu obituário, o casal não teria deixado filhos.

A CONSTRUÇÃO DA CAPELA
Os primeiros serviços mandados realizar por José Antônio da Silva Fonseca, foi á demarcação das quadras e o arruamento, o que possibilitaria aos lotistas erguer suas moradas. De fato, aos poucos as primeiras delas foram surgindo, tímidas, feitas de pau a pique, barreadas e de madeira. Por esse tempo, era preciso ainda encontrar alguém para construir a capela, conforme ficara estabelecido por vontade do patriarca da família.
Foi por intermédio do tabelião do Primeiro Cartório de Notas de Jaú, o também jornalista e memorialista major Alberto Gomes Barbosa, que essa pessoa foi encontrada. Em data não precisada, o major Barbosa teria dito a um amigo, o empreiteiro Manoel Rodrigues Ferreira, sobre uma vila que estava sendo fundada, não muito longe, em uma fazenda chamada Bica de Pedra.
O memorialista diz que José Antônio da Silva Fonseca o havia encarregado de encontrar um construtor para levantar uma capela naquela localidade e pergunta ao amigo se não aceitaria a empreitada. A resposta foi positiva os dois foram apresentados e acertaram a obra. Selado o acordo, Manoel Rodrigues Ferreira e um sócio partem para Bica de Pedra e dão início aos trabalhos. Constroem, onde seria posteriormente o largo da igreja, a Capela de Santo Antônio, tida como a primeira obra de alvenaria do local.
A capela foi benta no dia 13 de junho de 1890 pelo padre Aurélio Votta, vigário de Dois Córregos, a pedido do vigário de Jaú, por prescrição do bispo de São Paulo, Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho. Sucedeu à benção a primeira missa realizada naquele local.
Aos 14 de novembro daquele mesmo ano, atendendo representação do padre Antônio Pires Guerreiro, vigário da Freguesia de Nossa Senhora do Patrocínio do Jahu, o bispo diocesano concede licença, pelo prazo de cinco anos, para a celebração de atos religiosos na Capela de Santo Antônio da Bica de Pedra. O documento assinado pelo escrivão da Câmara Eclesiástica, padre Adelino Jorge Montenegro, explicita que o pároco ou outro sacerdote aprovado pelo bispado poderia efetuar a celebração do “Santo Sacrifício da Missa” em qualquer dia não proibido pelas rubricas. O texto que concede a autorização traz ainda uma série de determinações, entre elas a de que o pároco indicasse pessoa idônea para o cargo de zelador da capela, com atribuições de “fabriqueiro” encarregado da administração transitória do local. Findo o prazo de cinco anos, seria necessário requerer nova provisão.

A PRIMEIRA CASA DE ALVENARIA
A primeira residência feita com tijolos em Bica de Pedra foi mandada construir em 1891 por José Antônio  da Silva Fonseca, filho primogênito do fundador do povoado. A história de sua edificação também é bastante pitoresca.
O fazendeiro mandou buscar na vila do Jahu o mesmo empreiteiro de obras responsável por erguer a capela: Manoel Rodrigues Ferreira, que um ano antes jurara nunca mais por os pés na incipiente vila. Sua experiência até então, não deixara boas recordações.
Ocorre que Manoel Ferreira havia ficado no prejuízo quando da construção da Capela de Santo Antônio da Bica de Pedra. Relataria a familiares e conhecidos ter trabalhado praticamente de graça na obra, argumentando que o sócio o havia lesado em quantia vultosa, algo em torno de três contos de réis. Magoado, teria regressado a pé para Jaú, em companhia do irmão Joaquim e um servente, já que não havia condução, nem tampouco montarias para alugar.
O historiador Tito Lívio Ferreira, filho do empreiteiro, assim relata:
“Antes de deixar a nascente e modesta vila de algumas casas de madeira, de pau a pique e barreadas, Manoel traça à saída uma cruz no chão e diz: “Fica-te, Bica de Pedra, para nunca mais, nem a passeio”. Evidentemente, era um erro de julgamento, com ele reconheceria, pois quem o prejudicara fora o seu sócio, e não a pobre e modesta vila”.
De fato, Rodrigues Ferreira não só retornaria como acabaria se tornando uma das mais importantes personalidades da futura ITAPUÍ.
Novamente contratado para trabalhar no vilarejo, Ferreira põe-se a erguer a suntuosa residência, no largo da igreja, na esquina da Rua Ruy Barbosa, então Rua do Comércio, com a Rua Santo Antônio, para servir de morada a José Antônio da Silva Fonseca.
A casa, a primeira de alvenaria, passou a servir de referência e é de se inferir que causasse forte impressão a todos os que por lá circundassem.
Segundo pesquisador da história de Itapuí, André Ruiz, o imóvel foi habitado pela família de Fonseca até 1914. Depois da morte do proprietário, o casarão foi comprado pelo produtor rural Antônio Ferraz Prado, que promoveu sua reforma e ampliação em 1928, ano em que iniciou seu mandato como o nono prefeito da então cidade de Bica de Pedra. Ainda conforme o pesquisador, na década de 1940, a casa abrigou uma policlínica, na qual diversos médicos prestavam atendimento, entre eles José Miraglia, que também se tornaria prefeito do município, e Álvaro Beltran de Souza.
O prédio terá também servido de morada a Francisco Cesnik, que administrou a cidade entre 1948 e 1951. Depois de seu falecimento, a residência foi adquirida pelo Grupo Itabom, do empresário Pedro Poli.
“Hoje, não mora ninguém na casa, que é preservada e conservada pelo próprio dono. Ele não mexeu no estilo”, comentou o pesquisador, em entrevista ao Jornal da Cidade, de Bauru.

CRIAÇÃO DO DISTRITO DE PAZ
Atrás da aparente calma, que vigorava ainda, no pequeno povoado de Bica de Pedra, no ano de 1896, sobressaíam espíritos inquietos, homens e mulheres que pretendiam a todo custo ver e participar do progresso da comunidade. Todos, e cada qual a seu modo, queriam vê-la prosperar. Foi nesse ano que surgiu uma movimentação par reivindicar que a localidade fosse transformada em um Distrito de Paz.
Uma comissão de moradores resolve levar à frente a ideia, e para que o pedido chegasse às esferas politicas do Estado, passa a contar com apoio de vários simpatizantes da vila do Jahu. Um deles foi o major Luiz Teixeira de Almeida Barros, proprietário rural, que no mês de julho chegou a pedir juntada de documentos à representação feita anteriormente pelos moradores à Câmara dos Deputados. Nesse meio tempo, enquanto se aguardava a resposta ao pedido, outras melhorias e conquistas viriam.

A RESPOSTA
O trimestre final daquele ano chegaria com boas notícias para a comunidade. A Comissão de Justiça, Constituição e Poderes da Câmara dos Deputados, examinando a representação dos moradores de Bica de Pedra, que pedia a criação de um distrito de paz, com as mesmas divisas do distrito policial, dá parecer favorável e transforma a solicitação em projeto de lei, assinado em 30 de outubro, pelos parlamentares Siqueira Campos e Alexandre Coelho.
Finalmente, no dia 5 de dezembro de 1896, o presidente do Estado de São Paulo,  Dr.Campos Salles, promulga a Lei 464, publicada na Secretaria de Estado dos Negócios do Interior, criando o DISTRITO DE PAZ DE BICA DE PEDRA, na comarca de Jaú. A partir daí, teria início uma nova etapa, a da escolha do Juiz de paz. Mas esse era um assunto que ficaria para depois das festas de Natal e Ano Novo.
O pleito foi marcado para o dia 10 de fevereiro de 1897, conforme se verifica em ofício enviado à Câmara de Jaú pelo Secretário de Estado dos Negócios do Interior, Antônio Dino da Costa Bueno, datado de 9 de janeiro do mesmo ano.
Quando chegou o dia aprazado, a eleição para Juiz de Paz, se realizou sob a presidência de Francisco de Paula Almeida Prado Sobrinho. Foi eleito Juiz, o senhor Luiz Teixeira de Almeida Barros, tendo como suplentes os senhores Manoel Galvão de França e José de Lima Barbosa. O escrivão de paz era Rodrigo Marcondes da Cunha.
O Distrito, no entanto, só foi instalado a 10 de março, dia em que foram empossados os juízes eleitos. O primeiro nascimento registrado no cartório local se deu em 13 de março de 1897, um menino de nome Clemente, filho de José Cantarim, que consta ter nascido na Fazenda Santo Antônio, propriedade de Manoel Galvão de França. Testemunharam o assento Joaquim Antônio de Siqueira e Joaquim de Siqueira Castro.
O primeiro casamento ocorreu em 20 de março de 1897, registrado no livro B1, folha 01, sob o número 01, sendo cônjuges Domingos Gonçalves Fraga e dona Gerarcinda Maria do Espírito Santo.
Levantamentos estatísticos mostram também que em 1897, ocorreram em Bica de Pedra, 131 nascimentos, 134 óbitos e 34 casamentos. No ano seguinte, foram 172 nascimentos, 1511 óbitos e 23 casamentos. Em 1899, os registros apontam 257 nascimentos, 180 óbitos e 28 casamentos.

A CRIAÇÃO DA PARÓQUIA
A Capela de Bica de Pedra foi elevada à condição de paróquia em 27 de setembro de 1902, por meio de portaria assinada pelo bispo de São Carlos Dom Antônio Candido de Alvarenga. O documento explicita que a mudança traria maior vantagem no atendimento espiritual aos fiéis residentes na localidade, onde já existia uma “egreja parochial” e casa de residência para o vigário, além de um patrimônio em terras doado por José Antônio da Silva Fonseca e sua mulher.
O Bispo usa, então, as prerrogativas de seu cargo e jurisdição diocesana para elevar a capela à categoria de paróquia, com os limites do Distrito de Paz, “desmembrando o seu território da paróquia de Jaú da qual ficará inteiramente independente, com a denominação de Paróquia de Santo Antônio de Bica de Pedra.”
Na portaria, o bispo Alvarenga ordena que enquanto não fosse edificada a igreja a ser destinada para a matriz, a nova paróquia funcionasse provisoriamente na capela ali existente, a qual gizaria de todos os privilégios que em direito lhe coubessem.

A CONSTRUÇÃO DA IGREJA MATRIZ
Uma vez constituída a Paróquia de Santo Antônio de Bica de Pedra, as atenções passaram a se voltar à construção de uma igreja, um templo definitivo, conforme era a vontade de toda a população católica bicapedrense e condição prevista pela própria Cúria.
Agricultores e lideranças políticas formaram uma comissão encarregada da obra, contribuindo, inclusive, com recursos financeiros. Dela faziam parte Josué de Almeida Prado, Adolfo Frederico Ferraz Prado, Joaquim Ferraz de Almeida Prado, Eduardo Hilst, Fernando de Almeida Prado, padre Nicolau Torloni, José Antônio da Silva Fonseca, Antônio Cairrão (que no futuro seria o primeiro prefeito de Itapuí), Manuel Galvão de França, entre outros. O arquiteto contratado foi Torello Dinucci, conhecido empreiteiro que já atuava nas regiões de Jaú e Araraquara.
A escritura do contrato se pôs a termo em cartório no dia 11 de junho de 1908. O arquiteto Torello Dinucci ficaria responsável por construir a nova igreja, em terreno no Largo Santo Antônio, obrigando-se a administrar todos os materiais necessários. O documento estabelece prazo até 12 de junho de 1910 para que a obra fosse concluída e Dinucci procedesse à entrega da chave ao vigário da paróquia. O preço estabelecido para a construção da obra foi de, (Trinta Contos e Quatrocentos e Sessenta Mil Réis) que os membros de comissão se obrigariam solidariamente a pagar em seis prestações.

O LANÇAMENTO DA PEDRA FUNDAMENTAL
O lançamento da pedra fundamental da igreja matriz ocorreu no dia 3 de outubro de 1908 – uma data festiva, que contou com a presença de diversas autoridades civis e religiosas da vila e de Jaú.
Eram 14 horas quando chegaram à vila o prefeito de Jaú, senhor Constantino Fraga, o presidente da Câmara daquela cidade, senhor Orozimbo Loureiro, o vereador e chefe político em Bica de Pedra, coronel Josué Prado, o delegado interino Lopes Rodrigues, o cônego Bento Monteiro, o major José Camillo de Magalhães, José Teseu da Costa Negraes, Torello Dinucci, entre outros.
A comitiva jauense foi hospedada pelo tenente José de Mori e pelo capitão Caetano Pereira. Depois de breve descanso, todos se dirigiram para o Largo Santo Antônio, para a cerimônia do lançamento da primeira pedra da matriz, ao som da banda local. Ao ser lançada a pedra, o cônego Bento Monteiro proferiu incisivo e brilhante discurso. O padre Nicolau Torloni, vigário da paróquia, não pôde comparecer, porque se restabelecia de enfermidade.
A partir daí, superando as dificuldades e contratempos que se apresentaram, as obras transcorreram como foi possível. Registra-se que em 27 de julho de 1909, Bica de Pedra recebeu a visita do Arcebispo de São Carlos Dom José Marcondes Homem de Mello e sua comitiva. Em sua visita as obras de construção da igreja matriz, o Arcebispo determinou à comissão das obras da igreja, que fosse aumentado o templo em seu comprimento em mais 12 metros, “desmanchando para isso a parede da frente que está em meia altura”.
O Arcebispo Homem de Mello estava convencido de que uma localidade como Bica de Pedra tendia a prosperar e, portanto, era preciso olhar para o futuro. Essa determinação certamente exigiu mudanças em todo o projeto que vinha sendo executado, especialmente no que diz respeito ao prazo para a entrega da igreja.
Em 1918, ao assumir a paróquia, o padre João Requena idealiza nova intervenção, que resultaria em significativa ampliação e reforma, dando ao templo sua atual configuração. Padre Requena contrata para a conclusão da obra um construtor italiano, Francisco Maximiano Rota, que residia em Ribeirão Bonito. O construtor resolve se mudar para Bica de Pedra e leva toda a família.
Já concluído o templo, sua inauguração se deu em 19 de outubro de 1922, segundo traz a Revista do Centenári0o, da Paróquia de Santo Antônio de Itapuí. A data foi festejada com missa, festa e soltura de fogos.

CRIAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO
A emancipação de Bica de Pedra era grande anseio de boa parte de seus moradores e ganhou força a partir de 1912. O povoado vinha se tornando pujante e os grupos políticos locais vislumbravam que toda a população seria beneficiada com a sua transformação em município. Deixaria de ser apenas um distrito de Jaú.
A Vila, fundada em 1888 por Antônio Joaquim da Silva Fonseca, reunia condições econômicas e adequada infraestrutura urbana que justificavam sonhar mais adiante. Nos primeiros anos da década de 1910, as manifestações públicas por sua separação de Jaú passaram a receber cada vez mais adesões. Até mesmo jauenses se engajaram e engrossaram fileiras do movimento, entre eles, o advogado Alfredo Bauer, Carlos Geribelo, o capitão José Camillo de Magalhães, J. Herman, Antônio Prado e David Antunes, representando o comércio. Lá chegando foram recebidos pelo chefe político Antônio Cairrão, tido como um dos “mais esforçados pugnadores do desenvolvimento da florescente povoação”. Às 15 horas e 30 minutos, todos saíram em passeata pelas ruas da vila.
A campanha emancipacionista iniciada pelo coronel Josué de Almeida Prado em 1911 ganhava força. O deputado estadual Vicente Prado foi o autor do Projeto de Lei 58/1912, que deu autonomia a Bica de Pedra.
A emancipação acabou se dando em 11 de setembro de 1913 – data em que o presidente do Estado de São Paulo, Francisco de Paula Rodrigues Alves, assina a Lei número 1383, elevando Bica de Pedra à categoria de MUNICÍPIO. A Lei foi publicada na Secretaria de Estado dos Negócios do Interior aos 24 de setembro de 1913.

A INSTALAÇÃO DO MUNICÍPIO
A instalação oficial do município e posse da primeira Câmara Municipal viria ocorrer somente no ano seguinte, em 20 de janeiro de 1914.
Para esta solenidade, cerca de 50 moradores de Jaú embarcaram em dois carros, em trem especial da Douradense, entre os quais o Juiz de Direito da Comarca, Dr. Hermógenes Silva. Por volta das 12 horas e 30 minutos, o especial chega à nova cidade, sendo recebidos, pelos novos vereadores eleitos e por uma grande massa popular. Às 13 horas, todos rumaram ao edifício da Câmara, no Largo da Matriz, onde o Juiz da Comarca procedeu aos trabalhos, declarando instalado o município. Depois de alguns acalorados discursos, entre eles o do advogado Alfredo Bauer, foi realizada a eleição dos cargos.
O vereador Manoel Galvão de França foi eleito o primeiro presidente da Câmara, tendo por vice o senhor Bento Ferraz Camargo. O senhor Antônio Cairrão foi escolhido para Prefeito e o senhor Joaquim Leôncio Ferraz para o cargo de Vice prefeito.
Até o início da década de 1950 a data de emancipação nunca havia sido lembrada nem sequer com uma comemoração cívica. Em24 de agosto de 1953, a Lei Municipal número 152, sancionada na gestão do prefeito Antônio Guerrisi, torna feriado local o dia 11 de setembro.
A primeira comemoração oficial se deu, portanto, naquele ano, após 40 anos da criação do município, quando foi inaugurada a Rua 11de setembro, entre outras solenidades.

DE BICA DE PEDRA A ITAPUÍ
Ainda que a denominação Bica de Pedra trouxesse consigo um quê de bucólico, não era uma unanimidade entre os moradores do município. Ao contrário. Boa parte deles, especialmente intelectuais e formadores de opinião, tinha grande reserva. Escreve o redator do Jornal Correio de Bica de Pedra, em edição de 25 de dezembro de 1938:
“O termo Bica de Pedra, verdade seja dita, não agradou nunca à população local, principalmente a classe intelectual que via no mesmo, motivo de diminuição dos habitantes locais, pois se prestava, e muito, para ditos chistosos e picantes”.
Talvez o jornalista tenha exagerado um pouco nas tintas ao generalizar o descontentamento. Mas não foge à verdade. Cita no mesmo artigo que o venerando líder político bicapedrense Josué de Almeida Prado já cogitava da mudança do nome para ITAIRAPÊ, mas a ideia não prosperou.
Iniciativa idêntica teria partido do historiador Tito Lívio Ferreira por volta de 1926, quando sugere que fosse alterada a denominação. Ferreira teria iniciado até uma campanha pela imprensa local e o nome escolhido para substituir Bica de Pedra foi IBIÊTÉ. Também não logrou êxito. Os descontentes tiveram de esperar mais algum tempo.
Oportunidade real surgiu quando o governo paulista tratava da nova divisão administrativa do Estado, no final da década de 1930. Aproveitando a ocasião, o prefeito José Miraglia e Tito Lívio Ferreira teriam, segundo o Correio de Itapuí, conseguido parecer favorável da Comissão Geográfica e aprovação por parte do interventor federal, Dr. Adhemar de Barros, de um novo nome para o município: ITAPUÍ.
A mudança acabou se tornando oficial com a publicação do extenso Decreto 9775, de 30 de novembro de 1938, que fixava o novo quadro de divisão territorial do Estado.
Além de rebatizado, o município tem a extensão de seu território ampliada, com a anexação do distrito de Floresta (BORACÉIA) – o que também foi motivo de enorme júbilo entre os agora ITAPUIENSES.

A FESTA
Tão logo foi dada a notícia sobre a mudança do nome da cidade e a anexação do distrito de Floresta, a população não refreou seu contentamento. Quando o prefeito José Miraglia regressava de São Paulo, uma grande caravana de amigos e correligionários foi esperá-lo na gare da Estação Ferroviária de Jaú para os cumprimentos.
Em Itapuí, as lojas do comércio local cerram suas portas às 12 horas. “Quando a caravana entrou na cidade, estrugiram rojões, baterias, e a banda municipal tocou festivamente”, traz o jornal Correio de Bica de Pedra que nesta mesma edição já avisava aos seus leitores e anunciantes que a partir de primeiro de janeiro de 1939, passaria a se chamar O ITAPUÍ, em homenagem à nova denominação do município.

CURIOSIDADE
No Estado da Bahia havia um vilarejo com o nome de Itapuí, que era distrito de Itabuna. Em 22 de agosto de 1958, quando consegue sua emancipação política, a nova cidade passa a enfrentar um dilema. Os políticos locais verificaram nos dados do Censo de 1940 que no Estado de São Paulo havia outra cidade com a mesma denominação.
O vereador desse município, Josafhat Alves de Oliveira teria então, encabeçado a busca por uma solução. Como já existia a cidade de Itapuí na comarca de Jaú, bem mais antiga e populosa que a vila de Itapuí da Bahia, não teve muito que se debater. O jeito foi trocar de nome. O novo nome do município baiano ganharia o topônimo definitivo de Itororó.
O município de Itororó é hoje bastante conhecido pela qualidade da carne de sol que produz. Acabou ganhando a fama de melhor carne de sol do Brasil.

COGNOME – CIDADE MAR AZUL
As aguas do Rio Tietê, após o represamento da barragem no município de Bariri, em 1965, ocasionaram a formação de um volumoso lago, e isto fez com que Itapuí fosse cognominada de “CIDADE MAR AZUL”, através da Lei Municipal 636, de 23 de novembro de 1967.
Fonte: Texto extraído do Livro – DE BICA DE PEDRA A ITAPUÍ– 100 anos de história.
Autores: Léa De Ungaro Almeida Prado e José Renato de Almeida Prado.
Colaboração: Departamento Municipal de Cultura de Itapuí.
Gentílico: Itapuiense

GALERIA DE PREFEITOS

ANTÔNIO CAIRRÃO20/01/1914 à 15/01/1915
CÂNDIDO GALVÃO DE BARROS16/01/1915 à 15/01/1916
MANUEL GALVÃO DE FRANÇA16/01/1916 à 16/01/1918
JOSÉ MARIA DE ALMEIDA PRADO17/01/1918 à 16/01/1922
JARET LOPES FERRAZ1922
MANUEL GALVÃO DE FRANÇA17/01/1922 à 15/01/1925
JOSÉ FRANCISCO RIBEIRO16/01/1925 à 15/01/1926
ESTANISLAU DE SAMPAIO LEITE16/01/1926 à 15/01/1928
ANTÔNIO FERRAZ16/01/1928 à 29/10/1930
LÁZARO FRANÇA1930
LUCIANO DE ALMEIDA PRADO30/10/1930 à 23/04/1931
JOSÉ MIRÁGLIA24/04/1931 à 09/12/1933
ARTHUR DE FREITAS MONTENEGRO10/12/1933 à 23/04/1936
JOSÉ MIRÁGLIA240/04/1936 à 21/11/1945
ALARICO NAPOLEÃO PORTIERI22/11/1945 à 12/12/1945
NELSON DE LIMA GOIANO13/12/1945 à 26/03/1947
RICARDO REPLE27/03/1947 à 31/12/1947
FRANCISCO CESNIK01/01/1948 à 31/12/1951
VICENTE JANARELLI1951
ANTONIO GUERRISI01/01/1952 à 31/12/1955
ALBERTO MASSONI01/01/1956 à 31/12/1959
LUIZ PRADO ROCHI1959
WALDOMIRO GUARINON01/01/1960 à 31/12/1964
ANTONIO GUERRISI01/01/1965 à 31/01/1969
WALDOMIRO GUARINON01/02/1969 à 31/01/1973
SYLVIO DE ALMEIDA PRADO ROCHI01/02/1973 à 31/01/1977
JOÃO DA SILVA FONSECA01/02/1977 à 31/01/1983
NESTOR CARDOSO1983
SYLVIO DE ALMEIDA PRADO ROCHI01/02/1983 à 31/12/1988
JOÃO DA SILVA FONSECA01/01/1989 à 31/12/1992
NÉLIO MAGON1992
ANTÔNIO CESAR SIMÃO01/01/1993 à 31/12/1996
CLÓVIS THOMAZELLA1996
ABIB AZAR01/01/1997 à 31/12/2000
SYLVIO DE ALMEIDA PRADO ROCHI01/01/2001 à 31/12/2004
JOSÉ GILBERTO SAGGIORO01/01/2005 à 31/12/2008
JOSÉ GILBERTO SAGGIORO01/01/2009 à 31/12/2012
JOSÉ EDUARDO AMANTINI01/01/2013 à 31/12/2016
ANTÔNIO ALVARO DE SOUZA01/01/2017 à 31/12/2020

OBS.: O Sr. ANTÔNIO CAIRRÃO, foi o primeiro prefeito de Itapuí.