URUPÊS

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URUPÊS - Sete Barras




Memorial

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Sete Barras

Prefeitura Municipal de Urupês

Rua Gustavo Martins Cerqueira, 463
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HISTÓRICO

 

A ORIGEM
Era a fase crepuscular do século passado, vivia-se a década 1880/1890, período, supõe-se, pouco favorável à atividade agrícola, provocando entre os agricultores menos comodistas grandes caminhadas em demanda de outras plagas, em busca de melhor sorte. Humildes e valorosos caboclos, habitantes de pobres e pacatas regiões rurais, num brado surdo de revolta íntima, transformaram-se em destemidos sertanistas, abandonando seus lares, e embrenhando-se no sertão virgem. Enfrentando toda espécie de perigos e ciladas, preparadas pelo próprio inóspito sertão, eles devoraram léguas, encurtaram distâncias na direção ditada pelo instinto humano. A raça, a coragem e a fé nunca esmoreceram naquele grupo de homens liderado por Inocêncio de Assis, João Cearense, Manoel Correia e João Pereira. Nada detinha esses ousados aventureiros, e os mais ínvios caminhos eram vencidos palmo a palmo. Músculos, nervos e braços vigorosos em incessante atividade. Mãos calosas manejavam com maestria a foice, o facão, o machado, e a cada movimento era uma árvore que caía, um galho que se desprendia e um cipó que se rompia. Mais uma picada aberta, mais cansaço acumulado, mais suor a rolar pelo corpo, mas, mais uma etapa vencida. Talvez a última. Sim talvez a última, porque novo e promissor horizonte se descortinava com os primeiros raios solares penetrando por entre árvores e montes com belos efeitos de cores e poesias colhendo de surpresa aqueles olhos murchos e sonolentos, numa verdadeira saudação da própria natureza aos bravos sertanistas. Foi nesse momento que não suportando o contentamento que sua alma vivia, o caboclo João Pereira desgarrou-se do grupo em desabalada carreira, e alcançando uma elevação do terreno para contemplar a paisagem, explodiu num rasgo de alegria: ÊTA MUNDO NOVO – estava originalizado o nome da nova e promissora região.

FUNDAÇÃO DO POVOADO
Corria o ano de 1.889, aqui estavam os primitivos povoadores da região. Estes homens, desbravadores e pioneiros, humildes e esperançosos, que traziam no sangue o desejo de progresso e na mente a ânsia da conquista,  deramse por satisfeitos. Aqui acamparam e produziram os primeiros sinais de colonização nesta vasta, fértil e hostil região. Uma após outra começaram a surgir às primeiras casas de pau-a-pique, onde imperava o mais autêntico estilo sertanejo.
Antônio Feliciano, Manoel Correa, Bernardino Cardoso, Antônio da Costa Ribeiro, Maria Cardoso, Custódio da Costa Ribeiro, João Cearense, Joaquim Candido Ribeiro, Inocêncio de Assis, Joaquim Cardoso de Matos, João Pereira e mais alguns, quase todos donos de grandes glebas de terras, compunham a pequena população desta região. Mais tarde, informados da boa qualidade da terra, por volta de 1913, rumavam para cá, a maioria, com o intuito  de tentar o plantio do café, Domingos Lógulo, João da Mata, Francisco Moreira de Freitas, Orestes da Silva Rosa, Francisco Caetano de Souza, João Lisboa, Joaquim Mateus Neves, José Quaresma, Joaquim Gonçalves, Antônio e Virgílio Domingues Jeronimo, todos acompanhados de suas respectivas famílias. Assim o número de moradores paulatinamente aumentava. O trabalho era incessante, novas picadas eram abertas, grandes derrubadas se procediam e gigantescas nuvens de fumaça, conseqüência de espetaculares queimadas, elevavam-se no espaço, toldando o fascinante azul de um céu límpido e majestoso. O trabalho era árduo, os meios eram parcos, porém o ânimo não vacilava, sem solução de continuidade, aquele punhado de homens de boa têmpera, tentavam dar forma, moldar a região. Foi ainda em 1913 que se erigiu a primeira capela em terreno doado por Maria Cardoso. Um ano depois, ou seja, em 1914, foi rezada a primeira missa por um jesuíta pertencente ao bispado de São Carlos e que percorria o sertão em missão evangelística. Tendo como símbolo a Cruz de Cristo e como ordem a voz plangente dos sinos a dominar aquele pequeno núcleo de casas, os pioneiros do arraial não escondiam seu orgulho por serem os fundadores do novo povoado e lançadores da semente do progresso numa região até então inacessível. São Lourenço de Mundo Novo, cujo nome nasceu de uma tríplice e curiosa associação de idéias, ou seja: Homenagem – Louvor – Exclamação. Homenagem ao falecido Lourenço Cardoso. Louvor a São Lourenço, santo de devoção da maioria dos fundadores da vila, e Mundo Novo, exclamação eufórica do caboclo João Pereira ao contemplar a beleza natural da região. Mas como dizíamos, São Lourenço de Mundo Novo tomava impulso e ano após ano novas famílias aqui se instalavam. Em 1.917, por exemplo, São Lourenço de Mundo Novo recebia várias famílias, cujas pessoas viriam, mais tarde, por força dos acontecimentos a desempenhar papel de importância na história da cidade. São elas: João Antônio de Paula, Antônio Teodoro do Nascimento, Sebastião Gomes Caetano, Concilio Tuponi, Primo Borghi, Irmãos Casemiro, Avelino de Abreu Isique, Pedro Romeiro, Diogo Rodrigues, José Garrido e outros.

CRIAÇÃO DO DISTRITO
Depois de dois anos de lutas, ou seja em 1919, mais precisamente à 25 de agosto, criava-se o Distrito de Paz, com a nomeação de Joviniano de Castilho como escrivão e Orestes da Silva Rosa, como Juiz de Paz. São Lourenço de Mundo Novo, com o esforço desmedido de seus homens de maior influência na época, dava assim seu primeiro passo rumo à sua libertação política. Por outro lado, Itajobi a quem São Lourenço de Mundo Novo estava subordinado politicamente, não via com bons olhos a primeira conquista do novo distrito. Dois anos mais tarde, isto é, no dia 30 de setembro de 1.921, por força da Lei Estadual n.º 1787-b, era abolido o nome de São Lourenço, e o distrito passava a ser denominado, simplesmente, Mundo Novo.
Vivia-se o longínquo ano de 1923. Mundo Novo se desenvolvia, intensificava-se o plantio de grandes lavouras, onde pontificava como produto base o café. As divisões de terras levadas a efeito pelos engenheiros Horta Barbosa e Machado Rolemberg, residentes em São Paulo e São Carlos respectivamente, e as pesquisas feitas pelo Instituto Agronômico de Campinas, analisando a variedade dos cafés Sumatra e Bourboum, e nascendo da mistura de ambos, segundo o mesmo Instituto, a denominação de Café Mundo Novo, de excelente sabor e qualidade ímpar, cujo valor comercial dominava o mercado nacional. Tudo isso, e mais uma série de razões e motivos alentadores provocavam nos agricultores uma ambição quase febril e um empenho extremo no cultivo da já famosa rubiácea. Eram tão esperançosas as perspectivas sobre o futuro da rica região que começavam a despertar preocupações nos homens que sobre Mundo Novo exerciam domínio e poder. Sim, Itajobi estava preocupada e alerta. Temiam suas autoridades perder o domínio sobre Mundo Novo, face ao rápido progresso que aqui se verificava. Suspeitavam elesde que Mundo Novo tramava algo no sentido de sua elevação a município. Diante do medo e da suspeita, Itajobi enviou para cá alguns indivíduos com a missão específica de sondar o que realmente aqui se passava, e remetendo, conforme as circunstâncias permitiam, informes completos e detalhados. Entre os informantes destacava se Agnello de Morais, perito na arte de bem informar.
Iniciava-se o ano de 1926. As divergências entre Mundo Novo e Itajobi, até então insignificantes, começavam a ganhar corpo, e dia após dia crescia o desentendimento, aumentando o litígio e o assunto já fugia ao domínio das autoridades e inflamava toda a população, cujo sonho, a esta altura dos acontecimentos, era sem dúvida, a sua tão esperada libertação e consequentemente sua elevação a município. Passaram-se quatro meses. A inveja, a ira e a ambição dominavam Itajobi. O bom senso, a prudência, a ponderação, num golpe rude e infeliz eram vencidos, e Itajobi, num verdadeiro brado de guerra e num gesto aberto de desrespeito ao povo e as autoridades de Mundo Novo, criava no dia 30 de março de 1926, o Distrito Policial em São João do Itaguaçú. Destaque-se o disparate daquela atitude ao comparar as populações, uma vez que São João do Itaguaçú contava apenas um décimo da população de Mundo Novo. Embora a provocação era das mais absurdas, constituindo numa afronta à dignidade dos mundonovenses, souberam estes, dotados de formação pacata, resistir aos insultos e as ameaças, pois pensavam duas vezes antes de agir para não fazê-lo precipitadamente. Mas as provocações não pararam aí. Diante da atitude impassível e serena de Mundo Novo, Itajobi voltava à carga com novas intimidações. Desta vez mais grave, mais absurda. Tentavam, usando os mais mesquinhos meios, transformar São João do Itaguaçú em Distrito de Paz. Já estavam bem adiantadas as tramas para a consumação do fato, quando Mundo Novo se apercebeu de mais esse golpe, aliás, o mais traiçoeiro, o mais insidioso, o mais pérfido de todos que já urdira. Diante de tão séria ameaça e antevendo o adversário queimando desesperadamente os últimos cartuchos no sentido de tolher seus passos rumo a mais uma conquista, Mundo Novo disse:  -  Basta. No mesmo dia foi convocada com a máxima urgência uma reunião na qual tomavam parte,às pessoas de maior influência na época, liderando o grupo ali reunido estava Domingos Gonçalves Pereira – Domingão, que sereno, mas cônscio da sua atitude e de possíveis graves conseqüências, assim se expressou: Senhores, acredito que já sabem o motivo desta reunião. Não podemos continuar impassíveis diante de tanta provocação, tanto insulto e até mesmo ameaça. Já é de vosso conhecimento o que vem ocorrendo em Mundo Novo e o que estamos suportando calados. Os senhores mesmos já presenciaram atos de desordens, cenas de violências praticadas nas ruas de nossa cidade por arruaceiros profissionais vindos de Itajobi a mando de Gustavo de Morais, o Zico que todos os senhores conhecem, homem duro, valente e de prestígio político naquela cidade. Nosso principal objetivo, que é ver Mundo Novo transformado em município está ameaçado. Nossas famílias, nossos filhos, nossos lares correm perigo, e ainda, o que é pior, querem manchar nossa dignidade.  -  Basta. Chega de humilhações. Sou pacato, mas não covarde. Não permitirei que levem a bom termo seus planos traiçoeiros e perversos. E para encerrar, pergunto, a cada um e a todos, e os senhores permitirão? Os segundos que se seguiram foram de nervosa expectativa e de completo suspense. O momento não comportava indecisões, o tempo exíguo requeria uma rápida tomada de posição. O silêncio que dominava toda a sala, após o dramático pronunciamento, foi inesperadamente quebrado pelo grito quase uníssono de afirmação e apoio de todos os presentes. Não, diante de tão justo apelo, diante de tão firme atitude, onde se revelava toda a fibra, a coragem, o amor à terra que vivia, demonstrado por Domingos Gonçalves Pereira, ninguém poderia omitir-se, ninguém poderia acovardar-se. Falando em nome dos presentes e apoiando o pronunciamento, levantou-se Domingos Logullo e com estas poucas, porém firmes palavras,dirigiuse a Domingos Gonçalves Pereira: - Estamos aqui para segui-lo, aconteça o que acontecer. Estava selado o pacto. A comunhão de idéias e sentimentos, o desejo unânime de um ajuste de contas, e a vontade indômita de lavar a honra atingida de um povo espezinhado, dominavam aquele punhado de bravos formado por: Domingos Gonçalves Pereira – Domingos Logulo – Dante Bragato – Arturzinho Fumeiro – Pinheirão – José Garrido – Pascoal Ferrari – José Correia –Firmino Aranha e outros. Sabiam esses homens, da gravidade da hora que viviam, sabiam da enorme responsabilidade que acabavam de espontaneamente assumir. Sabiam ainda, que estavam jogando uma cartada perigosa e difícil, onde o menos que se poderia perder, era a vida. Mesmo assim não houve recuo, ninguém vacilou, o primeiro passo estava dado, o resto só Deus sabia. O tempo passava, e na seqüência dos dias, Itajobi fora cientificada por informante que para isso aqui residia, das decisões tomadas por Mundo Novo. Gustavo de Morais na qualidade de prefeito e chefe político do então Partido Republicano, o conhecido Zico e seu estado maior, não deu pelo menos aparentemente, larga importância ao fato. Primeiro porque, embora não infundada, acreditou que havia exagero na informação, e segundo, porque dispunha de meios eficazes para sufocar qualquer tentativa de rebeldia. Mas para dirimir as dúvidas, ou ainda fatalmente não cair num erro de cálculo de proporções imprevisíveis, agiu com cautela e energia. Organizou um grupo de capangas, homens que nada temiam, ágeis no manejo de armas e implacáveis no cumprimento das mais horrendas missões, e determinou o dia que aqui deveriam estar para uma ação mais forte contra Mundo Novo, espalhando o medo e o terror no seio da população e esmagando e vingando possíveis inconformados. Embora tudo estivesse preparado, Itajobi não agiu tão rápido quanto se esperava, porém a tensão nervosa não esfriou e nesse clima de incertezas era consumido todo um longo tempo de expectativa.
Em 29 de abril de 1928 – Orestes da Silva Rosa viajava para São Paulo para tentar, junto aos homens do governo Júlio Prestes, reforçar o pedido de autonomia para Mundo Novo, e ao mesmo tempo informar ao deputado Tirso Martins, amigo dos mundonovenses e homem de influência na Secretaria de Segurança Pública, da situação reinante em Mundo Novo.
O dia 30 de abril de 1928 – Alguns acreditavam ser a véspera da represália de Itajobi contra Mundo Novo. O dia transcorreu sem novidades. Veio a noite, a cidade dormia, exceção a Domingão e seus homens que montavam guarda nas ruas, à espreita de supostas emboscadas,ao mesmo tempo que, zelando pela tranquilidade dos lares e das famílias. Findava-se a noite. O brilho das últimas estrelas desaparecia no firmamento dando lugar a bela aurora que precedia os primeiros raios solares no romper de um novo dia à decorar a natureza.
1.º de maio de 1.928 – A população era despertada pelos acordes típicos dos tradicionais dobrados executados pela banda de música, na sugestiva alvorada comemorativa ao Dia do Trabalho. Enquanto o povo calmo e tranquilo desfrutava do feriado, comparecendo a festas escolares, Domingos Gonçalves Pereira, Domingos Logullo, Dante Bragato, José Garrido e o restante do grupo permaneciam em expectativa e de sobreaviso. Não tardou a se confirmar a suposição da véspera. Estavam na cidade. Sim, estavam em algum lugar da cidade, os homens de Zico. A notícia espalhou-se rapidamente trazendo desassossego à população. O choque estava iminente. Os acontecimentos traçaram o inevitável. Agora era encarar a dura situação com realismo e frieza. Os longos minutos arrastavam-se lentamente, enquanto o nervosismo estampava-se no rosto de cada um. Os relógios marcavam exatamente 11 horas quando os pistoleiros de Itajobi, deixando a pensão do Sr. Teixeira, rumaram para o bar anexo ao cinema, ambos de propriedade do sírio Elias Saad. No interior do bar encontravam-se vigilantes e prevenidos, Domingos Gonçalves Pereira e Domingos Logullo, e os demais do grupo nas proximidades, não menos alertas. Quando Dominguinho, Laráia, Mulato, Arantes e mais um penetraram no bar todos fugiram espavoridos. O vozerio calou-se, o silêncio tornou-se tão profundo que só se ouvia o respirar ofegante de ansiedade dos que ali permaneceram. Passado o primeiro instante e desfeita a impressão inicial de que o recinto ficara vazio, Dominguinho e seus homens notaram a presença a um canto, de Domingão e Logullo. Sim, eles haviam permanecidos calados e aguardavam o desfecho. Ali estavam, frente a frente, homens destemidos, para saldar velhas rixas, acertar antigas contas, num verdadeiro duelo de titãs. O silêncio foi quebrado pela voz calma e autoritária de Dominguinho dirigindo-se ao proprietário do estabelecimento:
- Põe cachaça pra nós. E põe também para o Domingão e seu companheiro. Domingos Pereira não acreditou naquela aparente amistosidade e retrucou:
- Não, obrigado. Não queremos beber agora.
- Ué Domingão, você parece que está bravo. Eu não estou oferecendo, estou ordenando. Você vai beber sim! Enquanto eram colocados os cálices no balcão, os contendores entreolhavam-se e acompanhavam mutuamente os mais leves movimentos. A essa altura, os outros homens do grupo de Domingos Gonçalves Pereira, já haviam se aproximado, e da rua, defronte o bar, assistiam a cena dando retaguarda aos companheiros encantoados. Descendo a mão pelo corpo até a cintura, Dominguinho deu a entender que queria liquidar rápido à questão. Antes porém, fez escapar entre os dentes, sarcasticamente, sua última frase:
- Bebe com a gente Domingão. E num hábil movimento sacou o revolver e disparou contra Domingos Gonçalves Pereira. Esquivando-se instintivamente, este repeliu o ataque atingindo o antagonista. Estabeleceu-se a confusão e vários disparos riscaram o espaço nas mais diversas direções. As armas de Laráia, Mulato e Arantes funcionaram simultaneamente na ânsia de salvar o chefe, porém a agilidade e a boa estrela de Domingão prevaleceram e segundos depois Dominguinho,tombava em plena rua fulminado por uma rajada de balas desfechadas pelos homens da retaguarda. Frustradas todas as tentativas de êxito, com Dominguinho inerte no chão, o resto do grupo tentou evadir-se perseguido pelos homens de Mundo Novo. Não foram longe e a cem metros dali eram alcançados e tendo como cenário o capim alto de um terreno baldio, a luta sangrenta teve seqüência. Os estampidos se fizeram ouvir novamente e Arantes e Mulato tombavam varados pelas balas certeiras de Bragato, Arturzinho, Logullo, Garrido e os demais. Laráia entretanto,  logrou escapar, varando quintais e embrenhando-se nas matas. Sem perdas de vidas, Mundo Novo havia ganhoà primeira batalha e as autoridades de Itajobi foram cientificadas do acontecido. O delegado de Polícia daquela cidade Dr. Páca, com jurisdição sobre Mundo Novo, escoltado por vários soldados tomava as primeiras providências no sentido da investigação da grave ocorrência e remoção dos corpos. Temendo porém, a fúria que contagiara toda a população mundonovense a essa altura dos acontecimentos, providencialmente, aquela autoridade comunicava e solicitava a presença em Mundo Novo da Polícia Regional, sediada então na cidade de São José do Rio Preto. Duvidando da ação pacífica e neutra dos policiais de Itajobi e dos homens da Delegacia Regional, não só o grupo de Domingos Gonçalves Pereira mas toda a população enfurecida e em pé de guerra e ainda armada até os dentes bloqueava com barricadas e trincheiras as saídas da cidade impedindo a entrada dos homens da lei. E só após longas conversações e entendimentos é que penetraram no centro, e levaram à termo o levantamento da situação, o saldo da refrega e o início do restabelecimento da ordem. Encerrava-se assim mais um capítulo da história da cidade, sendo este entretanto, o mais dramático, o mais violento, em cujo fecho o sangue jorrou tingindo a terra e produzindo vítimas. Abrimos um parênteses para prestar homenagem aos expoentes da grande batalha, alguns conhecidos, outros anônimos, mas todos garantiram seu quinhão da maneira mais direta na história de Mundo Novo, constituindo-se, cada um em herói, e todos num verdadeiro sustentáculo na defesa dos ideais de um povo ameaçado pela prepotência inimiga. São Eles merecedores de nossa estima, nosso carinho e nossa gratidão. Fechando o parêntese nessa homenagem procedemos a chamada nominal dos vultos de 1.º de maio de 1.928: Domingos Gonçalves Pereira – Dante Bragato – Domingos Logullo – Arturzinho Fumeiro – Pinheirão – José Garrido – Pascoal Ferrari – José Correia – Vereador Firmino Aranha.
Destacamos ainda as figuras importantes de Dr. Ricardino de Azevedo Rangel, Pedro Romeiro, Joviniano de Castilho, Orestes da Silva Rosa, Pedro José Pinheiro, José Francisco da Silva, Sebastião Gomes Caetano, Guilherme Mayer, Simão Gonçalves Pereira e outros, incansáveis nas lutas de bastidores, em constantes contatos e entendimentos com homens do governo estadual na tentativa da tão almejada autonomia. Deram estes homens, o mais belo exemplo de pertinácia, de propósitos firmes e inarredáveis, cuja conduta deverá ser seguida por todos aqueles que se predispõem a servir a coletividade. A eles o nosso respeito e o nosso reconhecimento.

CRIAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO
Mas Mundo Novo não parou aí. Cessara a luta nas ruas, a batalha campal, mas o grande sonho de libertação ainda estava por vir. Entendiam todos que grande passo estava dado com os acontecimentos de 1.º de maio, e que agora era aguardar sem esmorecimento. Passaram se os dias e os meses. Finalmente, em 24 de setembro de 1928, Mundo Novo alcançava sua autonomia através do Decreto Lei Estadualn.º 2286. Um verdadeiro brinde do então Governador Júlio Prestes ao povo mundonovense, após tantas  lutas e tantas dificuldades. A população foi colhida de surpresa pela agradável noticia, e em poucos instantes o contentamento popular extravasava em todos os cantos tomando conta de crianças, jovens e velhos. O povo saiu às ruas, movido pelo júbilo incontido, notandose em cada rosto a alegria da vitória e o retrato da conquista. Improvisavam nas esquinas e nos bares festas típicas paulistas, onde pés e mãos hábeis, ao som e compasso das plangentes violas, apresentavam, para alegria e satisfação de todos, belos números do tradicional catíra. E ainda lindos versos de cateretê e cururus eram executados por autênticos violeiros da época.
- Hã, olha a Banda, gritou a garotinha alegre, chamando a atenção de todos. Sim, ali vinha à banda. Alegria das crianças e da gente grande também. A velha e querida banda, sempre presente aos grandes acontecimentos, cujos acordes maravilhosos inundavam a cidade e coração de todos. Ali estava à corporação musical regida pelo maestro Ludovico Beraldi, o mestre Vico. Os músicos João Medeiros, José Correia, João Borgheti, Orestes Fagá, José Truffa, Máximo Bordignon, Belica e outros. Ali estava a velha banda, relíquia histórica da arte musical. Era a festa do povo. Enfim a alegre recompensa de tudo aquilo que suportara em longos anos de jugo inimigo. Colhia agora, em meio acolorosas manifestações de incomum regozijo, os louros da vitória. Era a festa da força, da coragem, da persistência e da justiça. E todos irmanados, como uma só família, sem complexos ou preconceitos, festejavam o feliz acontecimento. Mundo Novo era Município. Com largos horizontes de belas perspectivas, iniciava sua caminhada para o futuro, assumindo o leme de sua direção os mesmos homens que até então haviam demonstrado cabal competência no desempenho de lideranças de massas em todos os movimentos passados. E já no dia 16 de janeiro de 1929, assumiam seus postos, empossados que foram os seguintes senhores na constituição oficial dos poderes executivo e legislativo, e daí a complementação de todo o quadro administrativo.
Prefeito Municipal – Dr. Ricardino de Azevedo Rangel.
Vice Prefeito – Pedro José Pinheiro.
Secretário Redator – Guilherme Mayer.
Diretor-Chefe de Obras Públicas – Sebastião Gomes Caetano.
Instrução e Finanças – Pedro José Pinheiro.
Câmara Municipal – Presidente – Domingos Logullo.
Vice Presidente – Sebastião Gomes Caetano.
Vereadores: Cezar Boni – Antônio Pimentel Péres e Trajano José Barbosa. Estava organizado o primeiro quadro administrativo da história de Mundo Novo. E foram esses homens que deram o primeiro impulso na dinamização do então jovem município, iniciando uma nova era de diretrizes e transformações sociais, na gradativa implantação do desenvolvimento e do progresso. Agregada a Itápolis, cuja comarca exercia jurisdição sobre Mundo Novo, a cidade viveu seu primeiro ano de autonomia. Com a inesperada instalação do regime ditatorial, e a conseqüente queda do governo republicano de Washington Luiz no ano de 1930, e a ascensão ao poder do senhorGetúlio Vargas, sofreu o país radicais modificações, principalmente no que concernia aos mandatos públicos, não fugindo Mundo Novo à regra, pois circular do novo governo estadual exonerava o prefeito Dr. Ricardino de Azevedo Rangel e nomeava para o cargo o Dr. Leônidas da Costa Duarte, que dirigiu os destinos do município até 1932, ano que passou o cargo a seu irmão João da Costa Duarte, que foi ainda no mesmo ano sucedido por Aristides Procópio de Oliveira. Vivia-se ainda o histórico ano de 1932. Ano em que eclodiu a revolução constitucionalista. A mais significativa data dos paulistas, cujos feitos de heroísmo e bravura perpetuaram-se através o tempo. Movimento esse que contou com a colaboração direta ou indireta de todas as cidades do Estado, inclusive Mundo Novo. Terminada a revolução, e passadas as dificuldades advindas com aquele conflito, Mundo Novo retomava o seu caminho, reorganizando sua política administrativa e já em  1.933 o Dr. Osvaldo Lopes da Costa assumia o governo da cidade, sucedendo a Aristides Procópio de Oliveira. Em pleno regime de ditadura, sucediam-se amiúde as nomeações para prefeito, sendo essa a principal causa das fracas administrações e do lento desenvolvimento da zona urbana da cidade, pois os homens nomeados para o executivo raramente permaneciam um ano no posto. Assim é, que em 1934, o Dr. Osvaldo Lopes da Costa era sucedido por Simão Gonçalves Pereira, que por sua vez passou o cargo em 1935, ao Sr. Domingos Gonçalves Pereira que sem completar um ano de gestão transmitiu o cargo em 1936, ao Sr. Darlim da Silveira e este ainda no mesmo ano ao Dr. Eurico Wanderlei de Moraes Carvalho, que deu início a algumas obras públicas de relativa importância, visto que, excepcionalmente, permaneceu no posto por um espaço de tempo de dois anos, só vindo a ser substituído em 1938,pelo Dr. Atila Ferreira Vaz. Deuse ainda em 1938, no dia 30 de novembro, o desligamento de Mundo Novo da jurisdição de Itápolis, por força do Decreto Lei Estadual de n.º 99.775, o qual ao mesmo tempo, o agregava à comarca de Novo Horizonte.
Sob a nova e dinâmica orientação do novo prefeito, Mundo Novo evoluía consideravelmente, pois Dr. Atila Ferreira Vaz, além de dar continuidade as obras iniciadas pelo seu antecessor, elaborou um plano administrativo visando grandes providências julgadas inadiáveis, plano esse que teve larga repercussão em toda a cidade. Entretanto, esse novo rasgo de atividades apenas iniciado, estaria fadado a fracassar, porque atingia-se a Segunda metade do ano de 1939, ou seja, setembro de 1939, quando o mundo todo surpreso e estarrecido recebia o impacto da notícia da deflagração da Segunda Guerra Mundial. As vitórias espetaculares alcançadas na Europa pelos exércitos totalitários entre 1939 e 1940 pareciam prenunciar a implantação de uma nova ordem mundial, com o sepultamento da civilização cristã. Embriagados com esses triunfos que culminaram na capitulação da França, Hitler e Mussolini valeram-se de todos os meios para estender o conflito às nações americanas, embora estas se mantivessem em atitude de estrita neutralidade. A situação político-militar da Europa e as ameaças eixistas colocaram quase todos os países do mundo em estado de expectativa e prontidão. Os jornais davam grande importância ao fato e rasgavam manchetes em letras garrafais. A exemplo de vários países, o Brasil, nessa hora de incertezas e perplexidades, iniciava rigorosa contenção de gastos, e pedia a colaboração de todos os municípios. Fortalecido o eixo com a adesão do Japão e consumada a traição à Pearl Harbour, o governo brasileiro, honrando seus compromissos no plano internacional e em justa solidariedade aos Estados Unidos da América do Norte, rompia em 28 de janeiro de 1942 as suas relações com Alemanha, Itália e Japão. Contudo, não obstante as providências tomadas, já em agosto do mesmo ano a desfaçatez dos comandos eixistas em repetidos e traiçoeiros ataques afundavam vários navios brasileiros em águas nacionais fazendo sucumbir mais de seiscentos patrícios, inclusive crianças. A situação atingiu o clímax, intolerável ao brio nacional. Colado ao rádio o povo acompanhava a evolução dos acontecimentos, ávido por novas notícias. Em dado momento... Atenção senhores ouvintes. Informa o nosso repórter em edição extraordinária. Atenção muita atenção!...Encontram-se reunidos com o Presidente da República, no Palácio do Catete todo o seu ministério civil e militar e outras altas patentes do exército analisando os últimos acontecimentos relacionados com os afundamentos dos navios brasileiros. E mais uma vez atenção!... Rio – Urgente: Após a importante reunião terminada a instantes, Sua Excelência o Presidente da República torna público o seguinte:

O BRASIL ACABA DE DECLARAR GUERRA À ITÁLIA E ALEMANHA
Sim, os constantes atentados a nossa soberania avolumaram a onda de indignação popular e conduziram o nosso governo a declarar guerra contra o eixo em data de 22 de agosto de 1942. Passava assim o Brasil a agregar-se às forças aliadas na 2.ª Grande Guerra Mundial, e a população nacional a sofrer as consequências naturais oriundas com a importante decisão adotada e já em fase preparatória para intervir diretamente no conflito. Corriam os dias, à frente do executivo municipal continuava Dr. Atila Ferreira Vaz que lutava com dificuldades no atendimento à população, principalmente no tocante a gêneros alimentícios, já em início de racionamento. Findo 1942 e já nos primeiros meses de 1943 as autoridades locais eram notificadas de que a cidade deveria mudar de nome, em virtude da existência, no país, de outro município também chamado Mundo Novo. Essa notícia ganhou vulto e todos se interessavam na escolha da nova denominação para a cidade. A população se dividia na preferência dos nomes apresentados. Uns eram por Mundo Novo do Café, em virtude dos imensos cafezais que cobriam quase toda a extensão territorial do município. Outros apregoavam, devotadamente, São Lourenço do Café, como justa homenagem ao Padroeiro da Cidade. E ainda uma terceira parcela do povo liderada por Dr. Atila Ferreira Vaz, defendia a indicação de Urupês, nome esse que seria uma carinhosa homenagem a memória do grande escritor patrício José Bento Monteiro Lobato, autor de bela obra literária, cujo título também é Urupês. Enquanto prosseguiam essas démarches, e se aguardava a nova denominação, Dr. Atila Ferreira Vaz, ainda em 1943, era substituído na prefeitura por Osvaldo Ramalho, que de início deparou com as mesmas dificuldades para governar, experimentadas pelo seu antecessor, pois eram decorrências de encargos de um país em guerra. Atingia-se 1944 e no dia 2 de julho, os jornais noticiavam o embarque para a Itália, pelo navio General Mann, dos primeiros contingentes da FEB. Passaram-se cinco meses, e em 30 de novembro de 1944, a população até então mundonovense, lia jubilosamente nas páginas do Diário Oficial do Estado, o Decreto Lei n.º 14.334 no qual Mundo Novo passava a chamar-se Urupês, acatando assim, os poderes competentes, a indicação de Dr. Atila Ferreira Vaz. Estava oficializada a nova denominação do município.

URUPÊS
Findava-se a história de Mundo Novo, toda ela pontilhada de grandes acontecimentos, evidenciada na bravura de seus homens, cujas jornadas gloriosas perpetuaram-se na lembrança de todos. Só não cessara as lutas, não cessara o anseio de crescer, de expandir, porque Urupês incumbirase de levar avante, através o tempo, o progresso sempre crescente, as transformações sociais, tão úteis à manutenção da ordem e à implantação da paz. Algumas solenidades, recordase, marcaram a passagem de Mundo Novo para Urupês, mudança essa, que digase, deixou descontente pequena parte do povo. Saudosistas ou supersticiosos não viam com bons olhos o nome oficializado. Mas o tempo, no seu incessante passar, encarregou-se de desfazer qualquer pressentimento ou ressentimento, e a vida da cidade continuou, com seu povo já familiarizandose com o novo nome.
Terminando 1944 e ao iniciarse as festas do Ano Novo,  as esperanças de todos os povos reacendiam-se na ânsia de vislumbrar novos caminhos, com melhores perspectivas. Sim, as passagens de ano tão próprias dos sonhos bonitos e dos planos ditosos.  1945 seria diferente, mais favorável, mais calmo, era o presságio popular que se confirmaria mais tarde, com grandes acontecimentos nacionais e internacionais que trouxeram alegria geral. Assim é que em 08 de maio desse ano, terminava a 2.ª Grande Guerra Mundial com a capitulação e posterior rendição da Itália e Alemanha e consequentemente a espetacular vitória das forças aliadas. Vencido o inimigo, desfeita a ameaça nazista, restaurada a liberdade, regressavam pouco depois, em 18 de julho os primeiros escalões da FEB, que na Europa, sob o comando geral do general Mascarenhas de Morais, haviam escrito a mais bela página cívica da história do Brasil. O país todo festejou entusiasticamente o fim do grande conflito. Sucederam-se os dias. 22 de julho de 1945, um sábado lindo e ensolarado. O comércio cerrava suas portas, as escolas suspenderam as aulas, os trabalhadores rurais correram à cidade toda embandeirada, festiva e alegre. Uma impressionante massa popular concentrava-se na praça Independência lotando literalmente toda aquela área. Os alunos das escolas, uniformizados e perfilados, portando bandeirinhas verde-amarela, davam um colorido especial ao espetáculo, ao mesmo tempo marcavam a afirmação de que a festa era de todos. Crianças, moços, homens e mulheres das mais diferentes raças e posições, misturavam-se entre si na formação de espetacular aglomeração que jamais seria superada em qualquer época. Era a comovente, espontânea, reconhecida e justa recepção a um valoroso pracinha, até então anônimo, integrante de nossa vitoriosa FEB que regressava dos campos de batalha da velha e histórica península italiana. Por mais de três horas a multidão aguardava pacientemente a chegada do nosso expedicionário. Urupês, pequena e longínqua cidade do interior bandeirante, modesta e esquecida na imensidão continental do país dera à Pátria um soldado mundonovense e recebia agora um urupeense herói. A expectativa exultante da massa quase traía o domínio dos nervos e a obrigação da ordem. O sol forte teimando em mostrar que o inverno findara, castigava milhares de cabeças nuas, todas voltadas para o palanque armado junto ao velho coreto do jardim, onde autoridades urupeenses ali postadas, não menos ansiosas, também esperavam. Onze horas e trinta minutos, ovações, vivas e gritos de Brasil, Brasil, vindos das proximidades, prenunciavam a chegada do pracinha. A multidão por um momento fez silêncio, ao certificar-se, veio a explosão ensurdecedora num alarido incomum, ao mesmo tempo que, fogos de artifício em quantidade espoucavam no espaço e enorme nuvem de fumaça escondia o sol por alguns minutos. Sim, lá vinha enfim, carregado em triunfo, nos ombros do povo, Domingos de Marchi. Domingos de Marchi, combatente de guerra, pracinha brasileiro e filho de Urupês, ostentando ainda a farda verde-oliva com o emblema da cobra fumando. Ali estava coberto de glória nos braços do povo, Domingos de Marchi – filho de Martim de Marchi e EdmaManchini de Marchi, ajustando melhor as palavras, filho de Urupês. Transpondo vagarosamente a massa compacta, o nosso herói, em meio a gritos entusiásticos, quase frenéticos de viva a FEB, viva o Brasil, foi introduzido no palanque. A ovação continuava ainda mais ruidosa. Tão grande era a aclamação popular que as autoridades no palanque esperaram por longo tempo uma moderação, um esfriamento naquela manifestação delirante, para que se desse início as homenagens propriamente ditas. Domingos de Marchi, tão valente nas lutas campais, demonstrava agora algum nervosismo, revelando na sua expressão fisionômica um misto de surpresa, emoção e contentamento, porque jamais, em sua conhecida simplicidade, imaginara uma recepção de tal grandiosidade, capaz inclusive de lhe tocar a alma, já acostumada às mais realistas provações. Sorrindo e com leves acenos de mãos parecia dizer, é muito não mereço tanto. Arrefecido os ânimos, diminuído parcialmente o calor da massa, teve início os discursos, alguns deles, belas composições poéticas, inspiradas pelo calor cívico da hora presente, arrancada ao próprio âmago de almas exultantes e contagiadas do mais puro patriotismo, da mais leal brasilidade, inspiradas ali na figura varonil de Domingos de Marchi. Passados quase duas horas de solenidades, sempre recortadas por explosões incontidas, o nosso pracinha foi instado a fazer uso da palavra, encerrando as festividades recepcionistas. Acedendo ao convite, embora logicamente sem condição emocional para falar, o expedicionário urupeense pronunciou estas poucas palavras: - Obrigado Urupês, nada mais fiz do que cumprir o meu dever de brasileiro, atendendo o chamado da Pátria, e a ela servindo. Encerrava assim a maior concentração cívica registrada nos anais da história da cidade. Passaram-se três meses, e a 29 de outubro de 1945 terminava o regime ditatorial com a deposição pelas forças armadas, do presidente Getúlio Vargas. Como conseqüência, novo governo se instalava em São Paulo e novas nomeações de prefeitos aconteciam nas cidades paulistas. Assim é, que em 1946, Osvaldo Ramalho deixava a prefeitura de Urupês e era substituído por José Truffa que meses depois transmitia o cargo a Orestes da Silva Rosa que governou o município até 1.947, quando voltou num segundo período de administração à chefia do executivo, o Sr. Osvaldo Ramalho. Com a redemocratização do país e a volta do processo eleitoral com eleições diretas, Urupêspreparouse para escolher seus novos governantes em pleito marcado para o dia 9 de novembro de 1.947. Dispuseramse a disputar a preferência popular e a hegemonia política da cidade, na qualidade de candidatos à prefeitura municipal, os Srs. Dr. Xisto Albarelli Rangel e Otávio Simonaio. Era uma campanha de grande significado local, em virtude de ser a primeira eleição em que o povo escolhia seus representantes através do voto livre e direto, resultando daí o ardor da luta, o interesse de ganho, o acirramento incomum que caracterizou a batalha eleitoral. Efetuada a eleição, o povo passou a aguardar com enorme ansiedade os resultados da apuração, que só foi dado à público quatro dias depois, anunciando a vitória de Dr. Xisto Albarelli Rangel, com uma votação de 754 votos contra 617, dados ao seu único oponente, Otávio Simonaio. Verificando-se uma diferença entre ambos de 137 sufrágios. Tinha Urupês, seu primeiro prefeito eleito pela vontade livre do povo, na memorável jornada cívica de 9 de novembro de 1947. Dois meses depois, à 1.º de janeiro de 1948, com o recinto da Câmara super lotada, tomavam posse os seguintes eleitos:
Prefeito Municipal – Dr. Xisto Albarelli Rangel.
Vice Prefeito e Presidente da Câmara – Avelino de Abreu Isique.
Câmara Municipal – Vereadores – Jesuíno Bueno da Silva, Felicio Agi, Olivio Rodrigues, Prudêncio Ferreira de Carvalho, José dos Santos Lima, João Lucas de Gouveia, João Vian, Atílio Furlan, Clodomiro da Silva e Raymundo Bueno de Morais. Dr. Xisto Albarelli Rangel iniciou seu período de governo com grande dinamismo, livre que estava o país dos compromissos de guerra e dos entraves da ditadura. Entre inúmeras obras de vulto por ele realizadas, destacamos a conclusão do Grupo Escolar. Moderno sistema de iluminação na Praça Independência. Construção do Grupo Escolar de São João do Itaguaçú. Construção do Matadouro Municipal. Vindo ainda, dentro de seu governo a ser criado o plano imobiliário denominado bairro Jardim Bela Vista. Iniciou gestões junto ao governo do Estado no sentido de conseguir empréstimos para o Serviço de Águas e Esgotos e deixou em adiantada fase de construção as obras do Hospital São Lourenço. Em substituição à Dr. Xisto Albarelli Rangel, tomou posse em 1.952, o Sr. Roberto Mário Perosa. Deu o novo prefeito seqüência a um bom número de obras públicas iniciadas na administração passada. E, além de vários melhoramentos urbanos e ajardinamento e embelezamento dos logradouros públicos, presenteou Urupês dando ao seu povo, essa maravilha que todos desfrutam ou seja, o completo e eficiente Serviço de Águas e Esgotos. Em 1956, em grande fase de ascensão política e administrativa, Urupês assistia a posse do novo prefeito, Avelino de Abreu Isique. Período de governo esse marcado por grandes realizações. De início cita-se a construção e posterior funcionamento do Posto de Puericultura. Depois, construção do Ginásio Estadual. Instalação do Serviço de Iluminação Pública no Distrito de São João do Itaguaçú. Construção do prédio próprio para funcionamento da Delegacia de Polícia e Cadeia Pública. E ainda, como destaque especial, conseguiu a mesma administração, junto ao governo do Estado a criação da Comarca de Urupês através da Lei Estadual de n.º 5.121, de 31 de dezembro de 1958, conquista máxima dentro da história nova da cidade. No dia 4 de outubro de 1959 o povo era novamente convocado para novas eleições municipais. Posteriormente, ou seja no início do ano de 1960 tomava posse o prefeito eleito Sr. Chafik Saab que deixou marcada a sua passagem pela prefeitura com uma das mais profícuas administrações, reconhecida por todos os munícipes. Dentre suas realizações de maior vulto destacam-se: Expansão do Serviço de Águas e Esgotos. Criação e construção da Escola Técnica do Comércio. Construção de moderna Estação Rodoviária. Construção de mictório Público no centro da cidade. Construção e funcionamento da Creche – Associação de Assistência à Criança de Urupês. E como realização maior, transformando radicalmente o aspecto da cidade, o asfaltamento das ruas e padronização de calçadas nas principais vias públicas de Urupês.
1.964 – novo prefeito, José dos Santos Lima assumia a chefia do executivo, buscando novos empreendimentos em favor do município. Nessa gestão foi criada e instalada a Escola Normal com funcionamento anexo ao Ginásio Estadual. Promoveu-se a mudança e a adaptação, com novo e moderno mobiliário para o funcionamento da Câmara Municipal. Importantes melhoramentos foram levados a efeito na principal praça de Esportes, o Estádio São Lourenço. Dando-se ainda nesse período de governo o acontecimento de grande relevo,  seja a Instalação da Comarca de Urupês no dia 24 de setembro de 1965, quando a cidade comemorava festivamente o 37.º aniversário de Emancipação Política. A instalação da Comarca de Urupês que se deu em meio a retumbantes e magníficas festividades, com um cenário maravilhoso de cores, música e alegria, evidenciada nos requintes das solenidades, enobrecida no teor dos discursos proferidos e enfeitada nas ruas pela belas-artes e alusão poética de importante desfile, inspirado este, na força idealizadora da juventude, e marcado pelo rufar dos tambores e toque de clarins. Assinalou tudo isso, a passagem de Urupês de seu estado de sujeição, para a maioridade. Assim como, o jovem desgarra-se da dependência paterna e alcança a emancipação e consequentemente liberaliza-se, Urupês desobrigou-se de influências e alçadas, alcançando competência total relativa à sua jurisdição. É já, Urupês, uma cidade adulta, uma cidade homem, compreendendo seus tropeços, ou colhendo suas glórias, enfrentando seus problemas e vencendo seus dias no caminho de seu destino ao encontro de seu grande futuro.
Aí está o arraial de Mundo Novo. Aí está a vila de São Lourenço. Aí está o município de Mundo Novo. Aí está enfim a cidade de Urupês. Aí estão os homens que a forjaram. Aí estão os homens que a defenderam. Os homens que a engrandeceram, e os que a projetaram. Aí está sua história, trepidante e humana, revelando em cada capítulo um herói, em cada atitude um forte e em cada instante um abnegado. Aí está seu povo, incansável e valoroso, a alicerçar a fé cristã, geradora da força indestrutível das conquistas honestas, na sustentação dos mais excelsos ideais. Aí está Urupês, plantada no coração de seu povo, erigida na força muscular de seus homens, regada pelo suor de seus bravos, dignificada pelo caráter, apanágio de seus filhos. Aí está Urupês, revelando na pequenez geográfica de sua área, toda a grandeza de sua alma, toda a nobreza de sentimentos de seu povo. No seu orgulho, destaca-se a humildade, na sua humildade pontifica o amor cristão, arma divina para a união dos povos e fraternal compreensão entre os homens. Urupês hospitaleira, Urupês acolhedora, dócil aos forasteiros, amiga dos que aqui chegam, amistosa e carinhosa aos que nos visitam, despertando nestes, especial atenção a essa particularidade. Continue assim Urupês, sábia e simples, altiva e ingênua, grandiosa e humilde. Os ensinamentos colhidos na longa estrada da vida, sempre dentro dos mais belos exemplos de amor e cristandade, modelaram a tua mente e tornaram-na assim. Continue sempre assim Urupês, altruísta, unida e coesa, como um só corpo, uma só alma, um só pensamento. Não se divida nunca,  evite o preconceito, a contenda e o dissídio, pois estes definham os princípios cristãos, deformam o caráter e aniquilam os valores morais.
Gentílico: Urupeense
 

GALERIA DE PREFEITOS

 

DR. RICARDINO DE AZEVEDO RANGEL 1929
DR. LEÔNIDAS DA COSTA DUARTE 1930 à 1931
JOÃO DA COSTA DUARTE 1932
ARISTIDES PROCÓPIO DE OLIVEIRA 1932
DR. OSVALDO LOPES DA COSTA 1933
SIMÃO GONÇALVES PEREIRA 1934
DOMINGOS GONÇALVES PEREIRA 1935
DARLIM DA SILVEIRA 1936
DR. EURICO WANDERLEI DE M. CARVALHO 1936 à 1937
DR. ÁTILA FERREIRA VAZ 1938 à 1942
OSVALDO RAMALHO 1943 à 1945
JOSÉ TRUFFA 1946
ORESTES DA SILVA ROSA 1946
OSVALDO RAMALHO 1947
DR. XISTO ALBARELLI RANGEL 1948 à 1951
ROBERTO MARIO PEROSA 1952 à 1955
AVELINO DE ABREU ISIQUE 1956 à 1959
CHAFIK SAAB 1960 à  1963
JOSÉ DOS SANTOS LIMA 1964 à 1968
CHAFIK SAAB 1979 à 1973
DR. JOSÉ RAVAGNANI FILHO 1974 à 1977
DR. HANZ RONALD FROELICH 1981 à 1982
MANOEL CARREIRA 1983 à 1988
DR. JOSÉ RAVAGNANI FILHO 1988
ANTÔNIO MAZOCO 1989 à 1992
DR. HANZ RONALD FROELICH 01/01/1993 à 31/12/1996
JOSÉ ROBERTO PEROSA RAVAGNANI 01/01/1997 à 31/12/2000
JOSÉ ROBERTO PEROSA RAVAGNANI 01/01/2001 à 31/12/2004
JAIME DE MATOS 01/01/2005 à 31/12/2008
JAIME DE MATOS 01/01/2009 à 31/12/2012
ANTONIO DA SILVA OLIVEIRA 01/01/2013 à 31/12/2016
ALCEMIR CÁSSIO GRÉGGIO 01/01/2017 à 31/12/2020
ALCEMIR CÁSSIO GRÉGGIO 01/01/2021 à 31/12/2024

OBS. O Dr. RICARDINO DE AZEVEDO RANGEL, foi o primeiro Prefeito de Urupês.

 

 





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